sexta-feira, 22 de outubro de 2010

APENAS AMOR...


Toda sexta-feira, trabalhamos com os livros da coleção Aymará, que acaba propiciando um diálogo maior entre professores e alunos. Muitas perguntas de cunho pessoal  fazem parte do repertório e com isso é inevitável a troca de experiências. Adoro esses momentos, pois passo deliciosos momentos com meus pequenos.
Quando respondem os questionários também querem conhecer as respostas da professora.
Professor é um ser humano com sua história de vida. Não é santo e nem demônio. Todos já erraram, aprenderam e cresceram com as suas experiências, não por ter o papel de educar, mas sim porque é educado diariamente na escola da vida, sem distinções de classe social, idade, escolaridade. Somos todos iguais perante o tempo e a morte.
E não tenho medo e nem vergonha de relatar passagens da minha vida para eles, claro que sei até onde devo ir. Gosto de contar para dar exemplos de como se deve ou não fazer determinadas coisas. É um momento de bate papo e aprendizado.
Um dos assuntos abordados foi o ciúme, e relatei a eles o ocorrido no meu passado, exatamente quando tinha a idade deles. Resumindo a história:  minha mãe atirou um copo de vidro pela janela devido a uma cena sem fundamento de ciúmes de minha parte.
Ela que sempre foi alguém muito doce e paciente, e quando perdia as estribeiras, sai debaixo!
Não sei por qual cargas d´água, saiu assunto sobre presentes no dia das crianças.
Alguns estavam revoltados por não terem ganhado nada, e dei uma cutucada.
- Dia 15 foi o dia dos professores, sabiam????
Silêncio geral!
- Não estou cobrando nada não, mas se eu fosse pela linha de pensamento de vocês era para eu estar bem brava, não? Como já disse antes, essas datas são apenas comerciais. Porque o melhor presente que eu ganho todos os dias é a presença de vocês. Eu sei, que bagunçam, que viajam nas minhas explicações, e que por muitas vezes contam os minutos para bater o sinal da saída. Eu sei, mas não sei viver mais sem tudo isso.
Cada evolução de vocês, cada sorriso, cada gesto carinhoso, valem muito mais. Não precisamos de presentes materiais e sim de amor. Lutei muito para conseguir trabalhar como professora, tive que enfrentar muitos obstáculos. Consegui fazer minha faculdade e a minha formatura, foi o dia mais feliz e mais triste da minha vida, pois a pessoa mais importante que eu queria compartilhar aquele momento já não estava mais ali de corpo presente.
Naquele momento não consegui me controlar, e desabei diante deles. Minha camiseta com a palavra tão mágica e significativa para mim , ficou toda respingada pelas minhas lágrimas.
- No final, todos receberam uma flor para dar para as suas mães. Vi meus amigos se dirigindo a elas, abrançando-as felizes, e a minha já não estava mais ali. Acabei oferecendo a minha rosa para a minha ex patroa que é muito especial . Apesar da tristeza que tive naquele momento, eu sei que o mais importante tive na minha vida que foi o amor, e é ele que me move todos os dias para dentro da minha sala de aula, pois eu amo demais vocês!
Minha voz trêmula, sentada na minha cadeira perante eles, pois não conseguia ficar de pé, minhas emoções não permitiam. Naquele momento não era superior, estava  tão fragilizada e minúscula.
Logo fui interrompida.
- Tia, mas vou te contar minha revolta.
- Fala.
- Não fiquei tão bravo por não ganhar presente no dia das crianças, não.  O que me deixou irado, foi que até que eu tava meio triste no dia , e meu tio perguntou porquê me encontrava daquele jeito, e eu contei.  Sabe o que ele fez?
- Não! Conte....
- Ele tirou do bolso um amendoim e me disse, pronto agora você já tem presente! Tia, um amendoim apenas!!! Pode isso????
Esse menino é muito engraçado e o jeito que ele contou logo me fez cair na risada junto com a classe.
- Um amendoim, tia!
Depois, voltei para pegar o livro e ele veio atrás de mim:
- Me dá um abraço, tia!
Eu o abracei com todo meu amor.
- Que abraço gostoso, eu nunca vou me esquecer dele!
- Te amo, meu pequeno!
Então eles se sossegaram e pediram para ir um pouco para fora, já que a professora de Educação Física não pode dar aula. Falei que não era para correr, nem para pular, nem para fazer outra atividade não,  que eu os levaria sim para fora mas para brincar de killer.
Concordaram na hora! E tivemos um delicioso final de aula.
Brincamos, rimos todos juntos sem distinção alguma, apenas unidos pelos nossos sentimentos e pela paz que rondou ali naqueles últimos instantes do dia.
Bom final de semana !!!!

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