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segunda-feira, 7 de março de 2011

Lembranças...


Hoje resolvi fazer umas arrumações.
Ganhamos da prefeitura um notebook, e por ele ser e não ser meu, precisei arrumar um cantinho especial.
Nisso a faxina correu solta, e ao remexer em alguns pertences, algumas lembranças vieram e com elas algumas mágoas.
Tirei da minha caixinha um envelope com uma advertência que eu levei numa escola que trabalhei antes de tornar-me professora, só pelo fato de não ter concordado com a instalação de um programa no computador que eu trabalhava.
Minha função era de formatar as provas e atividades para que nada fugisse do padrão, e quando as professoras me mandavam atividades com figuras que as crianças não conseguiriam interpretar eu arrumava outras, ou quando possível, melhorava-as através do photoshop.
Além disso, toda a documentação importante da escola estava na minha máquina.
Para eu ir ao banheiro era necessário trancar toda a minha sala.
Um belo dia, contrataram um rapaz para o laboratório de informática, e ele disse que meu computador precisava de uma bela manutenção.
Penso o seguinte: time que está ganhando não se mexe , eu contestei essa atitude. Só que  no final das contas fui obrigada a permitir que ele fizesse a tal manutenção.
Quando cheguei no dia seguinte, a minha senha estava mudada e o meu computador estava com um programa instalado para que o zé bonitinho pudesse da sua cadeirinha mexer e remexer na minha máquina.
Fiquei possessa! Talvez tenha sido esse meu erro.
Desativei o programa e avisei a administração. Desabafei com uma "amiga" que lá trabalhava. A mesma não gostou e me advertiram. Eu não assinei, justifiquei-me.
Eu sei que  não sou santa, e  que fiquei brava, mas foi apenas para proteger o meu trabalho. Meu cargo era de confiança e não poderia deixar que nada vazasse.
Acho que depois da morte da minha mãe, foi o dia que mais chorei na minha vida, pois a minha atitude foi apenas de preservar o conteúdo que havia no meu pc.
Depois desse fato, eu coloquei a camisa da empresa  que tanto vestia bem guardada no meu armário.
Perdi o brilho e a vontade de trabalhar ali.
Tornei-me um robô das minhas atividades.
Um dia, o zé bonitinho deixou cair a sua máscara, só que já era tarde.... as portas da escola estavam sendo fechadas para sempre.
Guardo ainda essa advertência comigo, sei que preciso me livrar dela , as águas passaram mas ainda não sou capaz. Freud deve explicar, ou até mesmo a minha psicóloga...
Estranho não  conseguir me livrar daquilo que tanto causou sofrimento na minha alma.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Algodão doce


Se soubéssemos como a infância é boa, nunca desejaríamos crescer. É a melhor época da nossa vida e a mais importante , é onde nosso caráter é formado.
E de repente veio na minha mente alguns momentos desse período.
Doces lembranças!
Na rua onde morava (e moro), a tarde sempre passava um senhor vendendo algodão doce!
Esperávamos sempre na janela e quando ele chegava gritávamos para que ele nos esperasse! Vinha de bicicleta, usava uma boina, e ele  era como seu algodão.... um verdadeiro doce. Nunca me esquecerei dele e de sua engenhoca. Era movida a álcool e quando pedalava a sua máquina começava a fabricar aquilo que a gente desejava o dia todo! O algodão era servido num pedacinho de papel, e a gente se lambuzava inteirinho!
Voltávamos para casa todos felizes! Carregando nas mãos o nosso tesouro!
Hoje depois de anos, quando saio na mesma varanda, ainda consigo ouvir a sua buzina e o cheirinho de doce no ar! 
Saudades! Saudades do meu amigo e do seu sorriso carinhoso! 
Saudades de toda a pureza que envolvia o momento! 
Hoje sei que ele não está mais entre a gente, mas de onde ele estiver agora , estará sabendo que ainda o guardo na minha lembrança e no meu coração!