Qualquer escrita certamente irá tirar a beleza das imagens do vídeo.
Criança é sempre criança, se jogarmos o lúdico, a brincadeira e a pureza, o espírito infantil falará mais alto.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
BILHETES E BRONCAS
Eu juro que tento manter a minha fama de má!
Esses dias ficou um tal de passa bilhete para cá, passa bilhete para lá...
Quando peguei para ver os bilhetes que rolavam , fiquei brava com eles...
- Coisa bonita, nem sabem escrever direitinho um bilhete! Cadê a estrutura dele?????
- Tia, a senhora não vai brigar porque estamos passando bilhete na tua aula???
- Vou , mas por passarem errado!!! Vamos lá....
E foi assim que ensinei a eles como se escreve um bilhete de maneira correta e como lição de casa pedi que me mandassem um bilhete dizendo que atividade eles gostariam que eu fizesse com eles.
Transcrevo alguns trechos para vocês:
"Muitas vezes que estou triste quando chego na sala a senhora me faz rir e fico feliz... A senhora foi a melhor professora do mundo(...)"
" Luciana você é maravilhosa, te amo d+"
" A senhora é a melhor professora que eu já tive".
" Eu quero que tenha mais Educação Artística e pintura no corpo, e eu te amo muito!"
" Eu te amo do fundo do meu coração" (esse aluno é todo tímido)
" Te amo, apesar as vezes a senhorita ser azeda, você agora faz parte da minha vida!" (essa é a minha carioquinha)
Tá, pedi que me falassem sobre atividades que gostariam de ter, e eles vem querendo me derreter com todo esse amor e carinho???? Minha fama de bruxa má onde fica?
Depois que recolhi os meus bilhetes (claro que vou responder um por um), fomos a uma palestra muito legal sobre o meio ambiente.
Acontece que minhas crianças são do balacobaco, na hora que precisam se comportar me fazem passar carão. E enquanto a palestrante falava, eles falavam junto. Vocês não imaginam a raiva que eu fiquei!
Ela até terminou mais cedo.
Levei eles para a sala.
Falando bem baixinho, comi a alma de cada um... Então, a minha carioca viu a professora dela realmente azeda!
- Agora, eu vou chamar a palestrante, e o que vocês vão falar para ela???
- Desculpa!
Tá certo que não foi somente a minha classe, lá tinha uns terríveis, mas pelos meus, respondo eu.
Ela veio e eles olhando nos olhos dela pediram desculpas e ela na sua total doçura explicou para eles que aquilo era importante, mas que deixaria o material depois comigo para repassar para eles.
Eles precisam aprender a se comportar. Tiveram consciência da burrada feita pois os fiz pensarem.
Hoje uma mãe veio falar comigo, me elogiou tanto que não sabia onde enfiar minha cara. Ela disse que a filha é apaixonada por mim.
Então pergunto... o que eu faço???? Acho que a solução é...
Ah! Só uma coisinha antes de terminar. Mudando de alho para bugalho mas permanecendo com as quatro lentrinhas finais!
Quando um professor amigo meu postou um texto no seu blog fazendo uma crítica a respeito da classe dos professores (não os verdadeiros profissionais), alguns acharam ruim. Querem saber????
Hoje mais do que nunca (se já tinha a certeza antes) percebo o quanto ele estava certo. Quase perdi a compostura, ontem e hoje, com alguns desses seres de outro planeta!!!! Realmente, esse tipo de profissional merece o salário que ganha, dar um aumento para eles seria um insulto!
Perdoem-me o desabafo, posteriormente falarei a respeito com detalhes....
segunda-feira, 25 de abril de 2011
AMOR....
Ano passado eu acabei me dilarecendo por dentro depois que a tia de um aluno veio conversar comigo. Para quem quiser relembrar....
Bem, só sei que passei o meu anjinho para o sexto ano.
Se eu contar para vocês que ele está com um excelente rendimento, estarei sendo um grande mentirosa.
Eu sei que ele tem lá as suas dificuldades, e eu lutei muito com ele para que ele compreendesse o conteúdo do ano em que ele estava. Consegui que ele alcançasse a média.
Só que o sexto ano é bem diferente...
Vários professores lutando contra os famigerados 50 minutos de aula. Lá eles não tem a tia Lu, ou professora Lu, ou fessora muitas vezes chegando num psora.... Eu alertei, expliquei como era o sistema.
Quer dizer...eles não me tem dentro da sala de aula, pois quando chega o recreio, a galerinha sempre vem me procurar na sala dos professores. Por vezes acabo sendo alvo de olhares que me dão medo.
É mais frequente as meninas serem mais ligadas, quando os moleques crescem, se acham os reis do balacobaco. Passam pelas professoras e soltam um bom dia qualquer e seguem em frente, mas meus meninos são diferentes...
Hoje, meu aluno por quem tanto sofri, veio e se encaixou na minha cintura e de lá não saiu.Olhava para mim com um sorriso largo e eu tocava seu bracinho fazendo um carinho, pois do outro lado, fui aprisionada pelo seu xará. Aquele que fez a coreografia no final do ano junto com as meninas.
Como guarda-costas, estava a mercê de toda a energia, carinho e sinceridade daqueles dois anjinhos. As meninas não gostaram muito, mas não larguei meus protetores.
Quando o sinal bateu, ganhei mil beijos....
Se eles soubessem a importância que tem esses gestos tão simples e verdadeiros na minha vida....
Gostaria de pichar nos muros da cidade a intensidade do meu amor pelos meus alunos....
Nesse aspecto.... SOU ABENÇOADA!
domingo, 24 de abril de 2011
INSEGURANÇA....
Por vezes gostaria de ser mais sossegada, aceitar o tudo sem pensar, mas minha alma é inquieta e ao mesmo tempo tão insegura.
Por causa de um passado que às vezes vem a tona, sinto-me incapaz, mesmo sabendo que eu posso e uma guerra interna surge. Como sou complicadinha, meu Deus!
Como vocês podem me entender, se nem eu mesma consigo...
Acredito já ter falado a respeito da futura horta da escola, e como já sabem fui escalada para cuidar do projeto que lancei para a escola contra o desperdício.
Por muito tempo trabalhei numa escola que a gente precisava fazer milagres com o que tínhamos, apesar de ser considerada de elite, vivíamos lutando contra os cifrões...
Aprendi muito no meu departamento, pois eu tinha que fazer milagres com as provas dos professores da escola toda, com as circulares, com os comunicados e cartazes, isso sem perder a estética e a qualidade. Ufa! Por vezes, conseguia tirar leite de pedra, acreditam nisso?
Então percebi como isso fazia a diferença no final das contas. Logo, tomei conhecimento do projeto da nutricionista contra o desperdício. Claro que ela era a chefe e contava com a colaboração das suas auxiliares, então era mais fácil o seu desenvolvimento.
E eu metida, pensando e percebendo tudo que acontece na minha escola, adaptei toda a minha vivência passada para a minha realidade atual. Sei que pode dar certo, porém vai depender do auxílio de todos.
É muito mais fácil conscientizar uma criança que está no processo do desenvolvimento das ideias, de sua formação pessoal do que um adulto que já carrega seus vícios por muitos anos.
Resumindo, terei que expor tudo o que eu pensei e como será o andamento do projeto para todos os professores. Gente, isso para mim é mexer com todo meu emocional, meu equilíbrio. É a guerra acontecendo nas minhas emoções e no meu racional. Por mais capaz que eu possa ser, sempre me vem por dentro o pensamento de que o outro é melhor e maior do que eu.
Como uma recém formada pode dar pitaco dessa forma????
Se o diretor não tivesse abraçado a causa e se ele não tivesse tão empolgado, seria capaz de pular fora do barco, mas agora só tenho uma única opção: encarar!
E se os resultados não forem dos melhores, ao menos eu tentei!
Em tempo....
FELIZ PÁSCOA PARA TODOS.... E OBRIGADA MAIS UMA VEZ PELO APOIO E CARINHO QUE ME DÃO, SE SOUBESSEM O QUANTO ISSO É IMPORTANTE PARA MIM....
UM BEIJO GRANDE E UM ABRAÇO BEM APERTADO...
Com muito amor,
Lu
terça-feira, 19 de abril de 2011
Obrigada Professor Anderson Leitão!
Tenho certeza que esse ano Deus foi misericordioso comigo.
Cada dia que passa, eu me apaixono mais por eles, amo mais, não me canso de elogiá-los, de dizer como sou feliz ao lado deles. Se pudesse parar o tempo, os aprisionariam para sempre comigo...
Vocês acreditam que os alunos que não completaram a lição deram o recado direitinho para os pais???? Estou cheia de orgulho, o meu corpo está se tornando pouco para meu orgulho (acho que por isso que eu tenho engordado), e vocês devem me achar uma tonta!
Bem, mas como nem tudo são flores...
Por eles terem avisado e os pais terem comparecido, atrasei-me alguns minutos para entrar na sala. Como quero trabalhar alguns valores, preparei uma aula sobre disciplina.
Quando chego, encontro a vice-diretora tendo um pequeno contratempo com o meu anjinho mais danado.
- Professora, eu sei que a senhora conversa com seus alunos, mas tem gente que não está levando muito a sério. Pedi para que se sentasse, e ele arrumou confusão por causa de lugar. Posso levá-lo?
- Claro!
Depois que eles saíram falei:
- Que lindo para minha cara! Não me canso de falar bem de vocês para o mundo todo, e quando chego... ouço reclamação. Vocês precisam ter o mesmo comportamento que tem comigo com todos aqueles que estão trabalhando na escola em prol de vocês. As pessoas devem me achar uma mentirosa, né? Custava alguém falar para o santo R... para sentar-se em outro lugar até eu chegar e resolver a questão? Eu sempre resolvo os nossos problemas. Puxa vida...
A turma nem respirava.
E assim comecei meu dia falando sobre DISCIPLINA. Dei vários exemplos para que eles pudessem melhor entender. Passei alguns exercícios.
Mais tarde, na aula de Artes, falei sobre a arte indígena. Vocês sabiam que eu tenho um professor virtual??? Guiada por Deus, eu encontrei o blog do Professor Anderson Leitão, e vi uma atividade ótima para ser trabalhada hoje, dia do índio. Pintura nos pulsos. Li em vários locais que não devemos fazer atividade com pintura no rosto, que isso não se deve fazer mais...
Eles estavam retraídos no começo, mas depois.... Incorporaram de tal jeito, que não deu para impedir os rostos pintados.
Ficou lindo o trabalho e mais uma vez, sai do meu mundo encantado feliz. Ultimamente sou feliz apenas na minha sala de aula.
Assistam o vídeo, e babem nos meus pequenos... mas só um pouquinho, tá? Sou ciumenta!!!
domingo, 17 de abril de 2011
Virada no siri
Eu avisei... eles não me levaram a sério.
Disse que estava virada no siri que era para eles colaborarem comigo.
Era um falatório lascado e nada de escreverem a lição.
Eu perguntava A, me respondiam Y!!!!
Eram gracejos, risadas, e a lousa cheia.
Esqueceram o que foi aprendido nos anos anteriores, dei uma bronca neles.
- Quer dizer que o que se aprende, a gente esquece quando passa de anooooo????
Coloquei uma revisão na lousa.
MASCULINO E FEMININO.
SINGULAR E PLURAL.
AUMENTATIVO E DIMINUTIVO.
Eu mereço!
Passei alguns exercícios e uma lista enorme de palavras, aquelas que até os adultos se confundem, para passar para o plural.
O blá blá blá não cessava.
- Melhor parar!!!
E nada.
Então , muito brava, fui ver o caderno deles.
O primeiro ser falante não estava nem na primeira parte da lousa.
- Ah!! Que coisa bonita!!!!
O menino olhou para mim com uma cara, e o outro que assistia a cena, não aguentou, caiu na gargalhada.
Quando me virei para dar broncar, quem não se aguentou fui eu, ele tentava parar de rir e não conseguia. Aquela boca escancarada, com os olhos preocupados e o riso correndo solto me contagiou. De repente a sala toda riu com a gente, quem passasse por ali não entenderia nada. Rimos até a barriga doer.
Ao me recompor, passei de mesa em mesa para ver os cadernos.
- Segunda-feira, eu quero todos vocês com o caderno completo, quem não o tiver, mandarei uma convocação para a família!!!
- Tia!!!! - falaram assustados.
- Eu avisei!!! Vocês estão conversando o tempo todo, brincando o tempo todo. Quem não copiou tudo, vai ter que se virar nesse final de semana, pedir pro amigo, ir atrás.... Vocês andam muito engraçadinhos!!!
Tudo bem, eu realmente estava virada no siri, mas eles estavam em dobro!!!
Como sempre falo: tudo tem o seu tempo. Rimos, conversamos, brincamos, mas...
Amanhã é o dia!
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Depois da tempestade...
Sabia que algo aconteceria...
Estava me preparando para pegar minha turma para subir para minha sala, quando ouço:
- Professora, posso falar com a senhora?
Era a mãe da minha aluna que ontem tinha me deixado triste, e ao seu lado a menina, que mal olhava para mim.
- Claro, mãe. Deixe eu colocar as minhas coisas apoiadas aqui na mesa.
Gente, quando me tornar vereadora vou fazer uma lei que além de grávidas, idosos, deficientes físicos e mulheres com crianças no colo, professoras cheias de tralhas também terão assento preferencial. Entrar num ônibus cheio , repleta de pastas, sacolas, e badulaques não é para qualquer criatura!
Então a mãe começou a falar que a sua filha ontem tinha chegado em casa aos prantos, que ela tinha perguntado o que tinha acontecido, e a menina não queria falar, até que ela tanto apertou que ela soltou o fato ocorrido.
-É mãe, sua filha chegou aos prantos em casa, e eu fui para a minha super triste, pois não esperava aquilo dela.
- Professora, estou aqui, pois minha filha terá que te pedir desculpas.
- Olha, é claro que eu desculpo, mas quero deixar bem claro que ser exigente não é ser a bruxa má da história. Eu quero o progresso deles, não só como estudantes mas também como seres humanos. Eu, mesmo depois de grande, não usei desses métodos na minha faculdade. Os erros e os acertos foram meus. Quero que meus alunos errem. acertem por si próprios. Não me serve uma nota 10 conseguida através de atitudes como essa. Prefiro aquele que tira zero, e depois vem falar comigo: "professora, eu não fiz porque não sabia", como ocorreu.
- A senhora tem toda razão.
- Obrigada por ter vindo e por ter se importado.
Fiquei feliz com a atitude da mãe, e mais ainda da minha aluna por ter tido consciência. Acredito que ela tenha aprendido.
Cheguei na sala de aula, e falei com a classe que a partir de hoje iria trabalhar alguns valores com eles. Não valores de matemática, mas aqueles que é necessário ter como nossos melhores amigos e o primeiro é a HONESTIDADE.
Encontrei nos picasas da vida, umas apostilas excelentes para trabalhar esses valores com a molecadinha. Tem histórias reais, exercícios bacanas, adorei!
Eles se envolveram, foi bem interessante. Surgiram casos escabrosos, mas faz parte.
O importante é que eles se respeitam e se sentem a vontade de falar sem medo que alguém os recriminem.
Meu dia terminou bem, com sensação de missão cumprida.
Cheguei em casa feliz e exausta.
Faz parte!
Estava me preparando para pegar minha turma para subir para minha sala, quando ouço:
- Professora, posso falar com a senhora?
Era a mãe da minha aluna que ontem tinha me deixado triste, e ao seu lado a menina, que mal olhava para mim.
- Claro, mãe. Deixe eu colocar as minhas coisas apoiadas aqui na mesa.
Gente, quando me tornar vereadora vou fazer uma lei que além de grávidas, idosos, deficientes físicos e mulheres com crianças no colo, professoras cheias de tralhas também terão assento preferencial. Entrar num ônibus cheio , repleta de pastas, sacolas, e badulaques não é para qualquer criatura!
Então a mãe começou a falar que a sua filha ontem tinha chegado em casa aos prantos, que ela tinha perguntado o que tinha acontecido, e a menina não queria falar, até que ela tanto apertou que ela soltou o fato ocorrido.
-É mãe, sua filha chegou aos prantos em casa, e eu fui para a minha super triste, pois não esperava aquilo dela.
- Professora, estou aqui, pois minha filha terá que te pedir desculpas.
- Olha, é claro que eu desculpo, mas quero deixar bem claro que ser exigente não é ser a bruxa má da história. Eu quero o progresso deles, não só como estudantes mas também como seres humanos. Eu, mesmo depois de grande, não usei desses métodos na minha faculdade. Os erros e os acertos foram meus. Quero que meus alunos errem. acertem por si próprios. Não me serve uma nota 10 conseguida através de atitudes como essa. Prefiro aquele que tira zero, e depois vem falar comigo: "professora, eu não fiz porque não sabia", como ocorreu.
- A senhora tem toda razão.
- Obrigada por ter vindo e por ter se importado.
Fiquei feliz com a atitude da mãe, e mais ainda da minha aluna por ter tido consciência. Acredito que ela tenha aprendido.
Cheguei na sala de aula, e falei com a classe que a partir de hoje iria trabalhar alguns valores com eles. Não valores de matemática, mas aqueles que é necessário ter como nossos melhores amigos e o primeiro é a HONESTIDADE.
Encontrei nos picasas da vida, umas apostilas excelentes para trabalhar esses valores com a molecadinha. Tem histórias reais, exercícios bacanas, adorei!
Eles se envolveram, foi bem interessante. Surgiram casos escabrosos, mas faz parte.
O importante é que eles se respeitam e se sentem a vontade de falar sem medo que alguém os recriminem.
Meu dia terminou bem, com sensação de missão cumprida.
Cheguei em casa feliz e exausta.
Faz parte!
terça-feira, 12 de abril de 2011
Decepção
Eu to muito magoada com uma aluna minha.
Ser exigente não é ser carrasca, e eu sei muito bem que eu não sou o monstro do lago Ness.
Hoje para dar continuidade nas minhas atividades com os substantivos, levei aquela música Lindo Balão Azul.
- Credo, é música de criancinha!
- Falou, senhor adulto!!!
A classe caiu na risada. Acabei colocando quatro vezes a música de criancinha, até que o menino que disse isso soltou:
- Meu padrasto tem essa música também!
Pensei: "certamente ele teve uma boa infância!".
O cd que levei foi o original , o Pirlimpimpim, e a próxima música, adivinhem qual era?
Isso mesmo, a da Emília!
A música começa lentinha e depois se agita, então comecei a dançar no meio da sala de aula, a girar, a cantar.
Será que era algo do outro mundo??? Ninguém se movimentava...
Então chegou a hora da Educação Física, eu desci com eles.
A professora estava ensinando a jogar câmbio, e eu não sabia como jogar, ela me ensinou e entrei em um time que estava desfalcado.
Resumão : Claro, meu time ganhou!
O recreio foi em seguida, minha aluna sempre pegando no pé da outra professora. As duas agora travaram uma guerra. Eu me acabo!
Na volta apliquei a prova trimestral e me decepcionei quando vi minha aluna com o caderno aberto no conteúdo que deveria ser estudado.
Fiquei muito triste, me aproximei, fiquei observando.
- O que você está fazendo? - sussurrei.
Nunca vi a menina gaguejar tanto.
- Estou profundamente magoada com você. Feche seu caderno e continue a fazer a prova.
No final da aula, a vergonha era tanta que ela nem me deu o beijo habitual de despedida.
Amanhã conversarei com eles a respeito da honestidade.
Haja coração!
Ser exigente não é ser carrasca, e eu sei muito bem que eu não sou o monstro do lago Ness.
Hoje para dar continuidade nas minhas atividades com os substantivos, levei aquela música Lindo Balão Azul.
- Credo, é música de criancinha!
- Falou, senhor adulto!!!
A classe caiu na risada. Acabei colocando quatro vezes a música de criancinha, até que o menino que disse isso soltou:
- Meu padrasto tem essa música também!
Pensei: "certamente ele teve uma boa infância!".
O cd que levei foi o original , o Pirlimpimpim, e a próxima música, adivinhem qual era?
Isso mesmo, a da Emília!
A música começa lentinha e depois se agita, então comecei a dançar no meio da sala de aula, a girar, a cantar.
Será que era algo do outro mundo??? Ninguém se movimentava...
Então chegou a hora da Educação Física, eu desci com eles.
A professora estava ensinando a jogar câmbio, e eu não sabia como jogar, ela me ensinou e entrei em um time que estava desfalcado.
Resumão : Claro, meu time ganhou!
O recreio foi em seguida, minha aluna sempre pegando no pé da outra professora. As duas agora travaram uma guerra. Eu me acabo!
Na volta apliquei a prova trimestral e me decepcionei quando vi minha aluna com o caderno aberto no conteúdo que deveria ser estudado.
Fiquei muito triste, me aproximei, fiquei observando.
- O que você está fazendo? - sussurrei.
Nunca vi a menina gaguejar tanto.
- Estou profundamente magoada com você. Feche seu caderno e continue a fazer a prova.
No final da aula, a vergonha era tanta que ela nem me deu o beijo habitual de despedida.
Amanhã conversarei com eles a respeito da honestidade.
Haja coração!
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Números Romanos e amor
Toda vez que penso naquela tragédia, as minhas crianças vem imediatamente na minha mente.
Eu não sei se um dia serei mãe. Algumas coisas estão ficando claras. Acho que Deus me preparou para amar muitas e não apenas algumas crianças. O ventre vazio já não está me incomodando tanto. Deixo bem claro: TANTO.
Hoje na aula de reforço, uma professora começou a me provocar na brincadeira, da mesma forma que as crianças fazem umas com as outras. Minha aluna só observando, analisando.
Chegou um momento que ela encarou a outra professora e disse:
- Não fale assim com a minha professora. Eu não gosto!!!!!!
Brava e séria, como que se estivesse chamando pra briga.
A professora ficou olhando de um jeito espantada.
São essas pequenas ações que tornam meu dia especial.
Sinto-me amada e protegida, como se nada e nem ninguém pudesse me fazer mal.
Chegando na aula, precisei dar um sermão da montanha naqueles pequenos.
Ensinei os números romanos, e eles emburrados fecharam o tempo e diziam: não sei, não sei .
Pedi para que escrevessem de 1 a 100, para que entendessem e interiorizassem o conteúdo.
Bicos imensos se formaram.
Assuntos de Faustão e Ana Hickman surgiram.
- Podem parar!!!! É fácil desistir quando surge algum obstáculo no caminho de vocês. Fácil dizer que não sabe e desviar o assunto. Fácil cruzar os braços e fazer biquinho. Difícil é ir a luta. Eu não quero que vocês saibam tudo, muito menos que finjam que aprenderam. Eu quero tentativas, tombos. Quero que vocês lutem, que briguem contra as suas dificuldades, porque isso é apenas uma sala de aula, mas a vida é assim pra pior. Enquanto vocês estiverem sentados na pirraça, milhares estarão lutando para vencer. É isso que vocês querem pra vida de vocês???????? Não estou me negando a ensinar, nunca faria isso, apenas pedindo para que tentem. Por favor!
Olharam-me com umas caras de pamonha seca!
Ah!!!! Eles que não venham abusar da minha bondade!!
Eu quero vê-los vencedores de si mesmos.
Amar é puxar as orelhas quando necessário! E eu os amo demais!
Eu não sei se um dia serei mãe. Algumas coisas estão ficando claras. Acho que Deus me preparou para amar muitas e não apenas algumas crianças. O ventre vazio já não está me incomodando tanto. Deixo bem claro: TANTO.
Hoje na aula de reforço, uma professora começou a me provocar na brincadeira, da mesma forma que as crianças fazem umas com as outras. Minha aluna só observando, analisando.
Chegou um momento que ela encarou a outra professora e disse:
- Não fale assim com a minha professora. Eu não gosto!!!!!!
Brava e séria, como que se estivesse chamando pra briga.
A professora ficou olhando de um jeito espantada.
São essas pequenas ações que tornam meu dia especial.
Sinto-me amada e protegida, como se nada e nem ninguém pudesse me fazer mal.
Chegando na aula, precisei dar um sermão da montanha naqueles pequenos.
Ensinei os números romanos, e eles emburrados fecharam o tempo e diziam: não sei, não sei .
Pedi para que escrevessem de 1 a 100, para que entendessem e interiorizassem o conteúdo.
Bicos imensos se formaram.
Assuntos de Faustão e Ana Hickman surgiram.
- Podem parar!!!! É fácil desistir quando surge algum obstáculo no caminho de vocês. Fácil dizer que não sabe e desviar o assunto. Fácil cruzar os braços e fazer biquinho. Difícil é ir a luta. Eu não quero que vocês saibam tudo, muito menos que finjam que aprenderam. Eu quero tentativas, tombos. Quero que vocês lutem, que briguem contra as suas dificuldades, porque isso é apenas uma sala de aula, mas a vida é assim pra pior. Enquanto vocês estiverem sentados na pirraça, milhares estarão lutando para vencer. É isso que vocês querem pra vida de vocês???????? Não estou me negando a ensinar, nunca faria isso, apenas pedindo para que tentem. Por favor!
Olharam-me com umas caras de pamonha seca!
Ah!!!! Eles que não venham abusar da minha bondade!!
Eu quero vê-los vencedores de si mesmos.
Amar é puxar as orelhas quando necessário! E eu os amo demais!
sábado, 9 de abril de 2011
Sexta-feira punk
Sexta-feira meu dia foi punk!
Não tem outra expressão no dicionário que possa definir melhor o meu dia de ontem.
A violência parece que está fechando o cerco cada vez mais.
Cheguei para trabalhar como sempre: feliz, satisfeita, com minha aula preparada e muito amor no coração. Estou lendo um livro que ganhei de um amigo (conheci ele através do blog) que está me fazendo pensar, repensar em algumas atitudes minhas. O livro é fascinante, chama-se "quando eu voltar a ser criança" de Janusz Korczack. Por coincidência li uma parte em que as crianças se empolgam sobre um assunto discutido em sala de aula, mas a professora acaba meio que interrompendo a discussão das crianças.
No dia seguinte, não sei por qual cargas d´água, as minhas crianças começaram a falar sobre formigas. Várias questões e histórias foram levantadas.
Dentro de mim martelava a fala da criança no livro, e por outro lado o maldito planejamento.
Deixei a discussão rolar... Só que as perguntas começaram a surgir, e eu não sabia responder. Eu não sou especialista em formiga!!!!! Então, eu disse que pesquisaria e levaria para eles mais informações sobre o assunto.
No dia seguinte, encontrava-me na sala dos professores, quando soltaram a notícia que um dos chefes do tráfico tinha sido morto.
As crianças chegaram já cheias de novidades. O tal do defunto tinha parentesco com a metade da minha sala. Que horror!
E assim, na sexta-feira, começamos nosso dia.
Então, tiro da manga o conteúdo das formigas deixando o defunto descansar, talvez com alguns desses simpáticos insetos dentro de sua boca.
Simplesmente eles adoraram saber mais sobre as danadinhas, estavam fascinados.
Então ouvia-se o barulho dos helicópteros, eles queriam ir para a janela, e eu controlando-os para que continuassem em seus lugares.
Os policiais estavam com o corpo para fora do helicóptero apontando seus trabucos em nossa direção.
Morrendo de medo, precisei tranquilizar a minha turma.
Nunca dei tanta atividade na minha vida, não podia deixá-los com medo...
Até adaptei um exercício que aprendi na arteterapia para realizar. Inventamos nossa canção indígena. Batemos os pés, cantamos, eles adoraram, se soltaram .
E os trabucos no ar.
O sinal não bate.
Descobri que não se bate sinal nessas ocasiões para não causar alarde, e evitar invasões indesejadas.
Os pais estavam já esperando seus filhos.
E a professora pobrezinha, que teria que caminhar bons metros até chegar o terminal no meio de um bang-bang (ouvia-se os tiros)???? Corajosa, ficou na escola, até alguém que fosse embora de carro, pudesse dar uma carona para ela.
Nunca fiquei tão feliz em chegar em casa!
CANSADA E VIVA!
quinta-feira, 7 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Helps
Ontem passei uma lição de casa para ser entregue, para que eu pudesse corrigir e dar uma melhor devolutiva, mas.... poucos fizeram, e eu fiquei muito triste e decepcionada.
Antes de entrar na escola, passei no mercado e comprei duas caixinhas de bis para distribuir entre meus alunos. Mostrei para eles e disse:
- Comprei para vocês, e agora??? Poxa, vocês me deixam triste, sabiam?
- Eu não tive tempo! - respondeu descaradamente um aluno.
Calmamente, enumerei todas as minhas atividades realizadas ontem* e disse que não aceito esse tipo de desculpa. e nem o famoso "se esqueci!"
Expliquei porque eu não aceito o esquecimento ,( mais uma vez) pois nosso combinado é que eles diariamente abram o caderno e estudem em casa. Logo, se o caderno é aberto e a lição está lá, então não há motivos para o "se esqueci".
Uma atividade que eu realizaria na sala de aula, dei para casa como uma segunda chance para eles.
Chega a hora que eles mais gostam, a Educação Física. Fiquei na sala para corrigir os cadernos.
- Tia, dá logo o caderno de ocorrências, um aluno teu se machucou feio! - uma aluna entra com a língua para fora com os olhos esbugalhados. Meu coração acelerou.
Tranco a porta e saio correndo. Deixei o caderno com a professora e fui atrás do meu pequeno.
Estava todo choroso, pois caiu em cima do bracinho que tem problema. Caiu porque fez gracinhas na hora da atividade. Se ele não fizesse, não seria ele!
Fiquei do lado dele, até a sua mãe chegar. Falei que isso acontecia pois era coisa de atleta . Contei alguns casos pessoais, e ele conseguiu rir.
Sabe, me doeu o coração de ver aquele meu pequenininho todo amuado, logo ele que não me deixa em paz na sala de aula. Não sossega na cadeira, parece que nela tem o bicho carpinteiro! Só que quando ele falta, ele faz falta! O pequeno é um danado cativante.
No corre-corre os demais ficaram meio que sozinhos até a professora voltar. Depois perguntei o comportamento deles e ela os elogiou.
Quando voltaram para a sala, durante a realização de uma atividade de reescrita, passei e deixei um bis para cada.
Num determinado momento, ouço uma muvuca horrorosa na sala ao lado.
Era na sala que uma professora novata de tudo está substituindo as aulas da titular que ficou com pneumonia. Pedi para minha classe: " fiquem quietos que eu já venho."
- Com licença, professora! Está acontecendo algum problema por aqui?????
Acho que meu tamanho assusta um pouco, na hora todos se silenciaram.
- Coisa bonita!!! A professora dedicada, tentando dar aula, com amor, preocupada para que vocês não fiquem prejudicados, pois a professora de vocês está doente e em troca vocês fazem isso???? Eu não acredito!!! Infelizmente, terei que chamar o diretor!
SILÊNCIO
Não podia deixar a professora em maus lençóis. Já fui novata, já precisei de ajuda , não quis deixá-la solitária.
O coordenador veio e terminou o sermão que eu comecei.
Corro pra minha classe. Silêncio total.
Todos sentados, quietos.
Se eu pudesse naquele momento levaria todos para minha casa. Não sei se meu pai ia gostar muito.
- Só posso agradecer vocês. Eu sei que vocês são danadinhos, mas obrigada por colaborar comigo quando preciso da ajuda de vocês. Que todos continuem assim, assim pra melhor!
Bate o sinal.
A professora veio agradecer, mas eu estava conversando com uma mãe, não deu para eu dar a atenção necessária.
Não podemos dar as costas para alguém que precisa e criança sabe de quem pode abusar!
* Ontem o diretor pediu para que eu dobrasse pois a escola tava precisando de um help. Fiquei com os menores, e amei . Cantei musiquinha e fiz coreografia. Eles adoraram! Cheguei em casa 21h30.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Ideias soltas...
Ultimamente tenho pensado e repensado sobre o papel do professor, as teorias educacionais, o mundo que os nossos alunos estão inseridos, na tecnologia, na infância perdida, na vida...
São pensamentos que invadem minha cabeça a qualquer momento do dia, e que ficam ali martelando...
Eu ando de saco cheio de tantas teorias, de tantos planos "infalíveis" (talvez inspirados nos do Cebolinha e do Cascão) para chegarmos a uma educação de qualidade, tantas ações "titânicas" ( que acabam sempre indo por água abaixo) e devagarzinho as respostas vem sendo desveladas, ao menos para mim.
Ainda não tenho uma ideia totalmente formada. Ela ainda é sem coerência e sem coesão. São flashs frutos furtados dos meus pensamentos, que gostariam que me dessem uma trégua.
Percebo nitidamente que a criança a cada dia que passa vem perdendo a sua identidade. Querem ter atitudes adultas, mas sem a responsabilidade que essas exigem. Culpa de quem???? Mas, quando se é dada a oportunidade do lúdico, do brincar, do faz-de-conta, até aquelas que se acham as melhores, se revelam as mais doces das crianças.
O dia que levei meu Snoopy eles se encantaram.
Quando choveu, e a quadra ficou impossibilitada de ser usada, a professora de Educação Física levou joguinhos de montar, aqueles te castelinho da época do Onça...e as meninas que se acham as mocinhas, sentaram-se e viajaram nas pecinhas.
São dúvidas, muitas, que um dia eu sei que encontrarei as respostas.
Hoje, apenas observo, e deixo eles serem um pouco mais felizes!
O dia que levei meu Snoopy eles se encantaram.
Quando choveu, e a quadra ficou impossibilitada de ser usada, a professora de Educação Física levou joguinhos de montar, aqueles te castelinho da época do Onça...e as meninas que se acham as mocinhas, sentaram-se e viajaram nas pecinhas.
São dúvidas, muitas, que um dia eu sei que encontrarei as respostas.
Hoje, apenas observo, e deixo eles serem um pouco mais felizes!







