Mostrando postagens com marcador desabafo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador desabafo. Mostrar todas as postagens

sábado, 7 de março de 2015

A caverna do 5ºD

Tenho alunos não diagnosticados e que visivelmente apresentam problemas. Não sou médica mas pelo amor de Deus, tenho olhos e eu vejo meu aluno como um todo. 
Conversando com uma aluna, que já tinha notado algo diferente, ela me disse que tem 14 anos.
Como assim????
Ela tem corpo e mentalidade de 9 / 10 anos e nunca ninguém reparou isso???
Ela dorme em sala de aula, se desliga totalmente, e apresenta muitas dificuldades de aprendizagem. Mais um caso para eu pensar e repensar. Posso com isso?????
Uma vida prejudicada por falta de "olhar"!
Tenho procurado maneiras mais lúdicas para ensinar, e principalmente juntando a arte como minha aliada pois assim consigo prender mais a atenção da galera. 
Segunda-feira vou atrás das cordas do meu violão para aprender algumas músicas para tocar com a molecada.
Vamos lá...
Expliquei sobre a arte no período da pré história. Mostrei slides, falei um pouco sobre a época para a molecada e também a respeito da pintura rupestre e seu significado.
Pedi para que cada um pensasse num desejo, num sonho a ser realizado e que o fizessem na sua "caverna" (lixa) da mesma forma que foi feito no passado quando os bisões e outros animais eram representados nas paredes das cavernas para obter sucesso na caça destes, ou seja, a realização de um "desejo".
Uma simples atividade que se tornou uma guerra mas o resultado foi bacana...

terça-feira, 3 de março de 2015

Dias intensos

Hoje fiquei extremamente triste, muito triste. Um aluno teve uma atitude violenta contra mim e eu fiquei muito magoada. Primeiro disse para me ferrar e depois veio para cima de mim como se fosse me bater, na hora a diretora entrou na sala. Gostaria de ter resolvido a situação sozinha mas foi importante a sua ajuda. Outro aluno vive me "tirando" e falando palavrão, fiquei sabendo que ele é usuário de maconha, detalhe ambos tem 10 anos!!!!
Nunca pensei em viver isso. Minha sala é atípica mode extreme. Hoje tive uma conversa franca com a diretora e disse que nunca havia trabalhado com uma sala assim  e no nível que ela se encontra. Procuro atividades que dão prazer a eles para poder depois seguir com o conteúdo. 
É um stress diário, ontem parei no PS para tomar injeção na veia por conta que meu estômago atacou. Ando sem vontade de ir trabalhar, mas em contrapartida agora é questão de honra!!!!!!!!!!!!!!
(Desculpem a sequência de exclamações, é apenas para dar ênfase). 
Espero futuramente escrever palavras lindas de desenvolvimento da minha turma. Não sou santa, não faço milagres mas lutarei até o fim.
Bem, vamos falar um pouco sobre os poucos momentos bons desta agitada terça!

As pessoas não observam mais, ficam alienadas com seus celulares o tempo todo. Outro dia presenciei um lindo arco-íris no céu enquanto todos estavam voltados para suas mini telas. 
Quem não observa não analisa, não interpreta, não critica...
Conversei a respeito da importância do observar com minhas crianças, que temos que fazer esse exercício diariamente, e hoje o dia estava bem convidativo. 
Minha escola é privilegiada, tem uma área deliciosa e levei as crianças para realizarem um exercício simples: observar o espaço e desenhar da maneira que cada um sentisse aquele lugar. O objeto a ser admirado era a goiabeira que tem no Ronaldo e para isso elas precisariam sentar-se a sua frente.
Mas qual o quê, meu camarada!!! Grande parte das crianças desejaram estar debaixo da sua musa. Tem como contrariar?
Não foi uma tarefa fácil no seu todo mas não foi impossível.
Alguns resultados me surpreenderam em TODOS OS ASPECTOS. 

Preciso me policiar apenas para não analisar os desenhos psicopedagogicamente!!!!!
Ai, como é difícil! ;)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A dificuldade reina!

Desde que iniciei a lecionar nunca tive uma sala de aula tão difícil. Extremamente!!!! Sinto que ela foi montada especialmente para mim.
Pode ser impressão, mas é isso que eu penso. Por qual razão? Ainda não descobri.
Tenho 24 alunos, vocês me dirão: "Só e ainda reclama?"
Só, por enquanto, mas são alunos que valem por uns 100.  Não que eles sejam indisciplinados mas o fardo que estou carregando é grande !
Olho para a carinha deles e penso: por onde começar? O que fazer? Como fazer?
Estou com planos, projetos e ideias. Tenho diariamente enfrentado uma guerra dentro daquela sala. Estou na segunda semana e por incrível que pareça desgastada emocionalmente.
Meus casos são ultra complexos, preciso com urgência parcerias que teoricamente existem mas sabe-se lá quando essas crianças serão atendidas por esses profissionais?
Escola pública.
Saúde pública.
Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!
Socorro!!!
Já gritei para mim e briguei com meu interior para não me envolver e permanecer distante disso tudo. E eu consigo?
Chego em casa e os 24 acabam vindo comigo. Tento mandá-los embora, e eles não vão! Sacanagem, né?
Hoje, um menino que conheço sua história, meio que desabou. A razão pelo choro não foi a demonstrada: somente porque eu pedi para ele terminar de copiar as três últimas linhas da lição antes de ir à aula de Educação Física. Posso ser durona mas as lágrimas de uma criança ferem meu coração. Foi um meio que ele encontrou de colocar para fora o que tanto o incomoda internamente, mas tinha que ser comigo????
Eu fico sem chão.
Quero dar felicidade a ele mas ele precisa querer recebê-la.... Será?
São tantos os questionamentos, tantas angústias, tantas dores... e eu sou uma. Apenas uma!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sobre o aborto...


Sim, sou contra o aborto mas nunca condenei nenhuma mulher que o fez e  nem bato de frente querendo impor a minha opinião com quem é a favor.Cada um na sua! Mas hoje cheguei a conclusão que estamos dentro de uma sociedade com milhares de "abortos" vivos que cruzam o nosso caminho.
Filhos gerados a custa de bolsas.
Filhos que a rua toma conta.
Filhos violentados.
Filhos desprezados.
Como isso me fere!!!! Como estou sangrando!
Sempre desejei ser mãe e isso não é segredo para ninguém. Acredito que já expressei esse meu sentimento em algum post perdido no tempo.
Muitas vezes meu ventre gritou e eu precisei silenciá-lo pois não era o momento: falta de grana, sem profissão, sem um emprego que pudesse prover o sustento do meu filho, sem muitas perspectivas. Certo ou errado optei em lidar com essa questão racionalmente.
Lutei para chegar no degrau que sempre desejei. Para você pode não ser muita coisa mas morro de orgulho do meu diploma e da profissão que exerço.
Hoje aos 39 anos não sei se ainda terei ou não um filho, isso já entreguei nas mãos de Deus. Não vou sofrer por aquilo que não me pertence mais.
Minha profissão acalanta o meu desejo.
Não!
Não me sinto mãe dos meus alunos, sou apenas a professora que fica com eles 4 horas por dia, (quando tem Educação Física o tempo diminui para 3), mas isso não impede que um vínculo seja criado, que um amor seja gerado, que laços sejam construídos. Para mim é inadmissível o fazer mal a um ser indefeso que não pediu para nascer. Desculpem mas essa é a verdade, nem eu  e nem você pedimos para vir a esse mundo caótico, mas já que aqui estamos vamos enfrentá-lo. E me dói , me rasga a alma ao conhecer algumas histórias das vidas que estão em minhas mãos.
Eu sei o que você está pensando: faça a sua parte, a sua obrigação, mas como????????
Como me dividir e principalmente dividir uma criança que em seu pouco tempo de vida passou por situações que eu batendo na porta dos 40 nunca imaginei viver????
Como fazer com que acredite em si própria se o que ela tem é apenas o desprezo de quem a gerou?
Como ????
Eu não sei, só sei que dói.
E muito!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Vontade....

A pior violência que posso causar contra mim é quando o coração quer gritar e a boca tem que calar!  Exatamente dessa forma que me sinto hoje: violentada.
Para alguns pode parecer exagero, para outros, indiferença. O que importa para mim é o meu sentir.
Sou uma professorinha, como muitos dizem, porém me nego em ser mais uma.
Gosto de estudar, de me atualizar, de estar antenada com o que está acontecendo com a Educação no nosso país e  no mundo.
Procuro diversificar minhas aulas para tentar abranger todas as formas de aprendizado, afinal cada um aprende de uma maneira.
Estou sempre na luta e não me incomodo em sair de casa para ouvir palestrantes comprometidos com o saber explanando suas experiências. Porém enlouqueço quando quem está no púlpito não tem a menor capacidade! Ouvir certos dizeres é um estupro intelectual.
Todo ano o assunto gira em torno da tecnologia como se ela fosse a salvação desse caos que todos conhecem que é nosso sistema educacional.
É preciso investir no ser humano!
Mas isso é perigoso demais! Muito perigoso.
Como posso investir no inimigo? Como posso dar poderes a ele?? Como posso desvelar  se isso pode ser minha destruição???
Pois é....Então o melhor a ser feito é distribuir tablets, equipar as escolas com lousas digitais e tudo fica certo... O inglês vai ver e vai gostar, afinal tudo é feito só pra mostrar a ele .
Certo?
Errado!
Enquanto puder continuarei lutando a favor dos meus ideais!
O poder está  em mim, em você e em todos aqueles que desejam o desenvolvimento pleno das crianças do nosso país.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Pois é....

Nosso trabalho é exaustivo? Traz amarguras? Dúvidas? A angústia invade a nossa alma? O cansaço é grande? A resposta é sim para essas e outras questões.
Mas tudo isso vale muito a pena!!! E como vale!!!!!
Notar o desenvolvimento das minhas crianças faz o meu coração ficar pleno da mais genuína alegria, além de ver que ali dentro a integridade está caminhando ao lado de cada uma delas. A justiça, a sinceridade, o respeito, a confiança fazem parte dos nossos dias.
Meus amados serão cidadãos de bem e sei que eles terão boas memórias do tempo que passamos juntos, e em mim uma saudade imensa e profunda sempre estarão presentes.
Educamos por exemplo , certamente!
Pilantragem comigo não funciona, e nunca funcionará. Palavra é para ser honrada e quando não honram comigo... I´m sorry!
Dois anos atrás fiz a formatura da minha turma do 5º ano, vocês acompanharam o sufoco que foi para eu conseguir arrecadar fundos para que todos pudessem participar. Como tenho amigos maravilhosos consegui(mos) realizar aquela linda festa.
Encomendei um álbum da minha turma, não pedi nada na faixa, disse que pagaria.  Então, o responsável pela empresa disse que me presentearia, deixei claro que eu gostaria de adquirir, para não correr o risco de ficar sem .
E adivinhem só???
ATÉ HOJE ELE NÃO ME ENTREGOU !!!!
Esse ano, estou lecionando novamente para o quinto ano, e.... quem surge na minha porta cheio de graça?
Com muita frieza disse que não faria a minha formatura com ele e que eu não trato com quem não honra a palavra. Meus pequenos ficaram como animes japoneses com aqueles olhos arregalados, nunca me viram daquele modo. Depois contei o que aconteceu e um aluno muito indignado disse que eu deveria chamar a polícia para ele!
EU AMO ESSA TURMA!
Claro que meus pequenos terão uma formatura, mas não com aquele que vai contra os nossos princípios!!!!
Hoje, contei uma história vestida de bruxa para ilustrar o gênero que deveríamos trabalhar: conto de terror! Um aluninho meu ficou com medo! Posso com isso?
Eu amo lecionar, me divirto e por mais estranho possa parecer: a cada dia me torno mais apaixonada pela minha profissão.
Adoro renovar, encontrar novas estratégias, procurar despertar o potencial de cada um! Isso não quer dizer que eu consiga, mas posso afirmar: EU NÃO DESISTO!








quinta-feira, 4 de julho de 2013

Irada, raivosa, furibunda!

Sabe o título do texto???
É bem mais suave do que o espírito que eu me encontro.
Quando um ser não está no seu território faz-se necessário muita cautela ao lidar com o próximo, ainda mais quando se trata de CRIANÇAS.
Meus amigos, eu não sou santa!
Sou uma pessoa exigente no meu dia-a-dia me tornando aos olhos do outro muito chata, confesso!
Pego no pé dos meus pequenos em todos os sentidos.
Brigo, esbravejo, solto fogo pelas ventas, mas nunca ofendi ou tratei de maneira desrespeitosa um aluno meu.
Antes de sermos professora e educando, somos seres humanos que necessitam saber conviver da melhor maneira possível para que nós possamos caminhar melhor, mais felizes.
Eu conheço CADA um dos meus alunos. Cada história de vida, cada sentimento destruído, cada dificuldade que passaram e passam. Conheço cada olhar, cada expressão. Já sequei lágrimas, já gargalhamos, já partilhamos de sentimentos e segredos.
Ganho meu dia quando eles olham pra mim e sorriem, quando noto um pequeno avanço, mas que de repente para eles é muito!
Então, NINGUÉM tem direito de ferir o sentimento de uma vida que já foi tão machucada e que está sendo reconstruída.
Confio nos meus pequenos, se eles me decepcionarem um dia, conversarei e explicarei a razão pela qual estarei magoada. Temos um elo forte.
Em alguns posts atrás (pode ser que esteja até no ano passado), cheguei a comentar que eu tenho um aluno disléxico. Em 2012 era uma criança isolada, com baixa auto estima, se achava burra pois a vida inteira ouviu isso. Foi um trabalho muito duro e difícil mostrar ao meu pequeno o quão inteligente ele é e como pode conquistar o mundo se quiser. No meio do ano, quando tirei a licença médica por conta da doença do meu pai , e visitei as crianças no período que eu estava afastada, ele olhou nos meus olhos e disse: "a senhora me abandonou"! Aquilo me feriu!
Hoje, é uma criança ativa, brincalhona, faladeira, com toda a sua postura mudada. Continua com dificuldade em ler e escrever, mas não desistirei dele jamais.
Minha sala está participando de um projeto realizado pela prefeitura que deveria tratar de valores humanos e quem dá essas "aulas maravilhosas" é uma criatura (me perdoem me expressar assim) que hoje por ter entendido mal o que meu aluno falou, se dirigiu a ele com uma postura totalmente inadequada , perguntando se era retardado e afirmando que ele não deveria estar frequentando a escola e que deveria dar o lugar para quem quisesse estudar.
Contei até 20, afinal estou de tpm e eu podia perder a minha razão, então fui diretamente conversar com a diretora. Ela disse que vai tomar as providências necessárias. Mas isso não me bastou, estou ainda com vontade de dilacerar pescoço alheio.
Depois conversei com meu aluno que disse que não iria nem para a festa de amanhã (festa junina), disse para ele não se importar com aquilo que havia sido dito porque ele era bem melhor e superior do que o tal fulaninho. Que eu acreditava nele pois ele não era mentiroso. De qualquer forma ele foi para casa menos tristinho.
Podem mexer comigo, me xingar, bater na minha cara, mas NUNCA toque um dedo em alguma criança minha. Não a ofenda, nem maltrate-a. Seja gentil, cortês e amável, certamente vocês conhecerão a turma mais linda, inteligente, educada e amável da minha escola.
Tirando 0 ou 10, não me importo, pois o amor pleno dentro da sua concepção é reforçado diariamente quando entro pela porta da minha sala.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sentimentos e desabafo

Sou abençoada e não nego.
Deus me ama incondicionalmente. Tenho apenas que aprender a aceitar os própositos que Ele tem para a minha vida. 
Não adianta eu bater na mesma tecla se não for o Seu desejo.
Há algumas coisas que, infelizmente, não devemos comentar e  muito menos publicar. O que posso dizer é que hoje a minha felicidade está com a luz um pouquinho apagada.
Agradeço por ter as minhas crianças ao meu lado, principalmente depois de ter conseguido criar laços fortes com essa turma. No início do ano passado sofri muito, pois achava que nunca conseguiria sentir o amor que sentia pelos meus formandos de 2011.
Foi muito duro e sofrido.
Hoje, elas são parte de mim.
Estou errada? Posso estar, mas são as minhas crianças, minhas....e nem quero pensar no final do ano! Não mesmo!
Cheguei perto do meu aluno de inclusão que tem "n" problemas. Encostei na cadeira de rodas dele e troquei duas palavras com a atendente que cuida dele.
Ela é uma pessoa que não tenho palavras para descrever. Um anjo na minha vida desses que Deus me presenteou para que eu pudesse crescer sem sentir tanta dor.
Afinal crescer dói.
Sinto de alguma forma amparada, protegida, querida por ela. O amor e a dedicação que tem com meu aluno é de se emocionar. Não é só o seu  profissional, é seu espírito de luz que entra em contato com o dele, e tudo acontece. Um vínculo forte e saudável foi construído entre os dois e sempre fico feliz em ver como ele é afetuoso com ela.
Sempre vou me sentir falha em relação ao meu pequeno e a cumplicidade existente entre os dois me deixa com um peso a menos no coração, pois sei que ele está sendo amado e cuidado.
E lá estava eu, encostada, sem esperar nada quando algo aconteceu...
Ele pegou a minha mão e puxou para ele, e aquilo quebrou meu coração.
Mil coisas se passaram pela minha cabeça.... mil e uma na verdade...
Naquele exato momento algo mudou dentro de mim.
Um toque, um simples toque...

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Quando o amor se manifesta....

Preciso começar a escrever sobre as relações professor-aluno para a minha monografia e essa semana está sendo muito intensa e cheia de emoções para que eu possa me concentrar apenas na parte teórica. As emoções estão afloradas, por minha parte e também dos meus pequenos.
Final de ano chegando e com ele, querendo ou não, decisões precisam ser tomadas e com elas retrospectivas de um ano inteiro vai surgindo aos poucos.
Em algum texto anterior, acho que escrevi sobre a dificuldade que eu tive de me afeiçoar a essa turma. Meus alunos do ano passado foram muito especiais. Nossa relação foi muito verdadeira e de confiança, inclusive com a família de cada um deles. Até hoje encontro com pais que me abraçam e se preocupam comigo, que me falam palavras de forças e de carinho.
Quando assumi essa classe, percebi que eu teria que enfrentar vários leões por dia, complexa demais, por vezes pensei em desistir e procurar outra coisa para fazer. Ainda bem que não o fiz.
Hoje não me vejo sem eles.
Construo meu caminho de uma maneira muito mais significativa por conta dessas vidas.
Pequenas vidas que me ensinam diariamente o que é lutar, vencer, sonhar, amar.... Uma construção que precisou ser interrompida pela doença do meu pai mas que quando a retomei, consegui direcionar os meus pequenos mestres-de-obra para juntos terminarmos uma grande parte do nosso castelo encantado.
Quando estou longe, fica a saudade. Muitas vezes o peito dói.
Dias atrás, uma aluna me abraçou chorando pois ano que vem sairá da escola. Ficou um bom tempo grudada comigo enquanto os demais se esbaldavam na aula de Educação Física.
Hoje, uma mãe veio conversar comigo junto com seu filho. Disse que a família mudará de residência, e por ser longe, terá que mudar o filho da escola. Contou que ele chorou muito quando ficou sabendo e que não queria ter outra professora pois nunca havia gostado tanto de uma como ele gosta de mim. Ele sentado no sofá, abaixou a cabeça e desabou. Chamei ele para perto, abracei o pequeno, ele não parava. A mãe chorava, e a professora? Dura como sempre acabou dando um banho no seu aluno!
Com ele aprendi tanto e tenho que perdir perdão, o que farei em uma cartinha que escreverei quando eu der o presentinho de final de ano antes dele partir. Muitas vezes a minha paciência era  curta, e mesmo assim  ele me ama... Poucos adultos tem essa capacidade que as crianças possuem, amar aceitando o outro com seus defeitos e qualidades.
Como temos o poder de abalar essas vidas, o quão séria é a nossa profissão!
Agora me pergunto, como teorizar a respeito de tamanha complexidade? Não sei... Realmente eu não sei.
Ano que vem continuarei com grande parte da turma e sinto que surtarei quando eu tiver que deixá-los partir para o sexto ano. A não ser que eu reprove todos!
Boa ideia!!!!!!!!
Amanhã faremos nosso último passeio juntos, visitaremos o bondinho e a Bolsa Oficial do Café.
Ansiosa ao máximo....

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Amo...

Vamos combinar uma coisa?
Não tente me tirar da sala de aula, me transformaria em um passarinho engaiolado que morreria de tristeza!
Não quero, não desejo e muito menos almejo outro cargo que não seja o de PROFESSORA.
Que lugar eu ouviria respostas criativas e conversas engraçadas, tão cheias de ingenuidades e alegria?
Onde mais eu poderia levar o antigo como se fosse o novo, e fascinar crianças a ponto de pedirem mais? Foi assim quando apresentei o Luiz Gonzaga para elas, e de livre espontânea vontade quiseram ouvir mais canções do Rei do Baião! Fiquei  extremamente encantada!!!
Qual  local eu poderia participar de eleições para prefeito, representando a candidata borboleta e envolvendo a turma toda com o processo da campanha eleitoral?
Onde eu poderia pular corda, voltar a minha infância e pagar mico me igualando a minha molecada?
Onde mais eu poderia rebolar, dançando, criando músicas com minhas crianças e me divertindo como elas????
Em que outro local eu trocaria tantas ideias e experiências, aprendendo, ensinando, sonhando, vivenciando tantas e tão profundas emoções?
Só posso ter esse mundo encantado sendo professora, cheirando o giz da lousa e ficando louca quando preciso.
Não troco nada pelos olhares, abraços, sorrisos, as gracinhas dos meus alunos. Nada mais me faria feliz!
Admiro os coordenadores, diretores e sua equipe. Sem eles o nosso trabalho certamente ficaria estacionado em algumas etapas!!! Mas isso realmente isso não é para mim!!!
Isso é trabalho para gente grande, e eu ainda não cresci o suficiente ( e acho que nunca crescerei).
http://youtu.be/AMNCoRPJRvw

sexta-feira, 23 de março de 2012

Quero colo!

Esse ano estou me sentindo tão enfraquecida....
Sinceramente, não quero mais classe de inclusão. Não tenho emocional para isso. Não é falta de amor, e sim falta de estrutura psicológica.
Não tenho feito meu papel direito.
Tô me sentindo sozinha, sem amparos...
Quero gritar, fugir... não posso...
Tenho pensado em largar a Educação, por amar demais .... amar e não ter o poder de fazer nada... nada!
Nas minhas mãos tem vidas.... com tantas dores e dissabores.
Não sei se aguentarei.
Por conta de adultos inconsequentes, sem amor próprio e ao próximo, fazem filhos e jogam-os ao mundo sem se importar o que serão deles....
Escrevo essas linhas molhando meu teclado pensando na minha aluna que achei que tivesse caído morta por conta de uma convulsão....
Pensando na minha outra pequena, tão "desamada" pela vida que se viu obrigada a se armar da pior maneira que existe, criando um mundo de mentiras e envolvendo outras crianças inocentes.
Nos meus dois meninos que já com idade avançada não são alfabetizados e que nem sei se tenho competência para ajudá-los. Amor não alfabetiza.
Na minha sapequinha, sem a presença materna, que tem como referência essa professora tão machucada e cansada... e que essa professora precisa muitas vezes fazê-la ferir para que ela possa entender alguns detalhes da vida.
E tantos outros... tantos.. tantos....
O que eu posso fazer em um ano só?
Só tenho que pedir a misericórdia de Deus... para mim e para eles...
Acho que escolhi a profissão errada, é... bem por aí!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

IDEB, IDEB, IDEB E ONDE FICAM AS NOSSAS CRIANÇAS?


To de saco cheio, é isso mesmo.
Credo, uma professora falando assim!
E dái???
Antes de ser uma pessoa inserida dentro de um meio profissional, sou um ser humano com sentimentos.
Essa porcaria de IDEB está me pressionando. Sonho com metas, índices, porcentagens e blá blá blá.
Tenho deixado de curtir os momentos que estou com meus pequenos e cobrando diariamente mais e mais deles. Estamos nos exaurindo.
Que droga! Quem acredita que esses números são verdadeiros??? Desde quando avaliação realmente avalia alguma coisa?
Ando nervosa, preocupada, com palpitações.
Maldito signo de Capricórnio!!!!! Invejo por vezes àqueles que não estão nem aí com a Hora do Brasil, mas não sei ser assim (e melhorei 55% com a terapia)!
Nosso país tem que parar em querer se igualar com as grandes potências. Sabemos que não é de interesse do governo ter uma população pensante e questionadora. Dá-lhe cabresto!
Que ódio!!!!!!
ODEIO SARESP, PROVA BRASIL, E OUTRAS AVALIAÇÕES QUE SURGEM SEMPRE NO MEIO DO CAMINHO.
Meus alunos são apenas crianças e não máquinas de aumentar índices pra inglês ver!
E eu sou uma professora que amo o que faço e estou STRESSADA com esse sistema de...., mais do que nunca!!

sábado, 21 de maio de 2011

Cansaço


Encontro-me muito cansada em todos os âmbitos da minha vida.
Queria poder fugir por alguns dias para um lugar que ninguém me conhecesse, de preferência no meio do mato em uma casinha simples, como aquela do Sítio do Pica Pau Amarelo que permeou toda a minha infância. Posso fechar os olhos e visualizá-la com perfeição.
Na minha varanda eu colocaria uma rede, para olhar o pomar e ouvir o canto dos pássaros. Analisar os caminhos que as formigas percorrem e encantar-me com as multicores das borboletas. Esperar a noite chegar e me deslumbrar com os pontinhos brilhantes no céu acompanhados por uma bola redonda e brilhante que chamamos de Lua..
Gostaria de saborear a solidão, estar livre de problemas e pensamentos.Renovar as energias perdidas nesses dias cheios de tribulações e reencontrar-me nos furacões do meu ser.
Acho que eu e minhas crianças precisamos de férias, sinto-as também agitadas.
Sexta-feira precisei chamar-lhes a atenção com seriedade, falar sobre apelidos e chacotas, valores, responsabilidades, desejos, sonhos, lutas, derrotas, vitórias ... Falar sobre o ciclo da vida e a importância das nossa ações presentes.
Tive vontade de chorar, largar tudo...
Sumir...
Penso:  será que estou agindo certo?
Será que estou cobrando demais deles e de mim?
Será que sou uma boa profissional?
Sinto-me fracassando com alguns, principalmente com um aluno que precisei reter ano passado.
A história de vida dele é a mais complicada que conheço.
Pedi socorro para a direção, não posso falhar...
Lágrimas escorrem nesse momento, me sinto só!
O grito está contido....