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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Sobre o aborto...
Sim, sou contra o aborto mas nunca condenei nenhuma mulher que o fez e nem bato de frente querendo impor a minha opinião com quem é a favor.Cada um na sua! Mas hoje cheguei a conclusão que estamos dentro de uma sociedade com milhares de "abortos" vivos que cruzam o nosso caminho.
Filhos gerados a custa de bolsas.
Filhos que a rua toma conta.
Filhos violentados.
Filhos desprezados.
Como isso me fere!!!! Como estou sangrando!
Sempre desejei ser mãe e isso não é segredo para ninguém. Acredito que já expressei esse meu sentimento em algum post perdido no tempo.
Muitas vezes meu ventre gritou e eu precisei silenciá-lo pois não era o momento: falta de grana, sem profissão, sem um emprego que pudesse prover o sustento do meu filho, sem muitas perspectivas. Certo ou errado optei em lidar com essa questão racionalmente.
Lutei para chegar no degrau que sempre desejei. Para você pode não ser muita coisa mas morro de orgulho do meu diploma e da profissão que exerço.
Hoje aos 39 anos não sei se ainda terei ou não um filho, isso já entreguei nas mãos de Deus. Não vou sofrer por aquilo que não me pertence mais.
Minha profissão acalanta o meu desejo.
Não!
Não me sinto mãe dos meus alunos, sou apenas a professora que fica com eles 4 horas por dia, (quando tem Educação Física o tempo diminui para 3), mas isso não impede que um vínculo seja criado, que um amor seja gerado, que laços sejam construídos. Para mim é inadmissível o fazer mal a um ser indefeso que não pediu para nascer. Desculpem mas essa é a verdade, nem eu e nem você pedimos para vir a esse mundo caótico, mas já que aqui estamos vamos enfrentá-lo. E me dói , me rasga a alma ao conhecer algumas histórias das vidas que estão em minhas mãos.
Eu sei o que você está pensando: faça a sua parte, a sua obrigação, mas como????????
Como me dividir e principalmente dividir uma criança que em seu pouco tempo de vida passou por situações que eu batendo na porta dos 40 nunca imaginei viver????
Como fazer com que acredite em si própria se o que ela tem é apenas o desprezo de quem a gerou?
Como ????
Eu não sei, só sei que dói.
E muito!
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Parte de mim
É tão lindo e gratificante perceber o desenvolvimento das minhas crianças.
Esses dois anos estão sendo mágicos e fazem parte de uma experiência fantástica que no começo relutei um pouco em aceitar: ficar com a mesma turma por dois anos consecutivos.
Não existe uma fórmula e nem uma receita para seguirmos o passo a passo, mas posso afirmar sem medo de errar: minhas crianças não são apenas parte de mais uma sala de aula de uma escola qualquer nesse Brasil, elas são especiais na sua complexidade.
Como sabem, demorei a construir um vínculo com essa turma e isso fez com que eu quase desistisse de tudo, mas quando isso aconteceu proporcionou para nós momentos singulares. Ele se fez tão forte que recentemente recusei uma proposta para um cargo em que receberia muito mais. Que dinheiro poderia pagar o brilho diário que recebo dos meus pequenos???
Não, eu não posso abandoná-los, eu tenho uma meta a cumprir. Tenho um propósito e deixar algo que comecei no meio do caminho não me agrada nem um pouco ainda mais quando meus pequenos raios de sol estão em jogo.
Consigo envolvê-los nas minhas loucuras e no meu desejo de lhes mostrar um novo mundo. Esses diamantes se deixam lapidar por essas mãos que anseiam um futuro melhor para cada um, tudo isso faz com que a autoestima se eleve tornam-se mais críticos, mais humanos, mais felizes, mais senhores de si. São conscientes, carinhosos, são meus amigos e sabem até onde podem ir, nunca avançaram o sinal. Na hierarquia eu sou a professora (um pouco louca, sonhadora, apaixonada) e eles, meus alunos (inteligentes, espertos, vivazes, esplêndidos) mas dentro do meu mundo particular somos um, somos nós.
Se vou marcar ou como vou marcar a vida dessas crianças, sinceramente não sei, mas tenho certeza que o vazio e a dor serão imensos quando eu tiver que abrir as janelas e dizer: voem!!
Meu 5ºA, seria injusto dizer que vocês são as melhores crianças do mundo, pois eu negaria também a importância que as outras também tiveram na minha história, mas posso assegurar que vocês vieram para transformar a minha vida para melhor. Vocês me ajudaram muito mais do que eu à turma e me deram uma força imensurável nos momentos que mais necessitei.
Eu amo vocês!
Esses dois anos estão sendo mágicos e fazem parte de uma experiência fantástica que no começo relutei um pouco em aceitar: ficar com a mesma turma por dois anos consecutivos.
Não existe uma fórmula e nem uma receita para seguirmos o passo a passo, mas posso afirmar sem medo de errar: minhas crianças não são apenas parte de mais uma sala de aula de uma escola qualquer nesse Brasil, elas são especiais na sua complexidade.
Como sabem, demorei a construir um vínculo com essa turma e isso fez com que eu quase desistisse de tudo, mas quando isso aconteceu proporcionou para nós momentos singulares. Ele se fez tão forte que recentemente recusei uma proposta para um cargo em que receberia muito mais. Que dinheiro poderia pagar o brilho diário que recebo dos meus pequenos???
Não, eu não posso abandoná-los, eu tenho uma meta a cumprir. Tenho um propósito e deixar algo que comecei no meio do caminho não me agrada nem um pouco ainda mais quando meus pequenos raios de sol estão em jogo.
Consigo envolvê-los nas minhas loucuras e no meu desejo de lhes mostrar um novo mundo. Esses diamantes se deixam lapidar por essas mãos que anseiam um futuro melhor para cada um, tudo isso faz com que a autoestima se eleve tornam-se mais críticos, mais humanos, mais felizes, mais senhores de si. São conscientes, carinhosos, são meus amigos e sabem até onde podem ir, nunca avançaram o sinal. Na hierarquia eu sou a professora (um pouco louca, sonhadora, apaixonada) e eles, meus alunos (inteligentes, espertos, vivazes, esplêndidos) mas dentro do meu mundo particular somos um, somos nós.
Se vou marcar ou como vou marcar a vida dessas crianças, sinceramente não sei, mas tenho certeza que o vazio e a dor serão imensos quando eu tiver que abrir as janelas e dizer: voem!!
Meu 5ºA, seria injusto dizer que vocês são as melhores crianças do mundo, pois eu negaria também a importância que as outras também tiveram na minha história, mas posso assegurar que vocês vieram para transformar a minha vida para melhor. Vocês me ajudaram muito mais do que eu à turma e me deram uma força imensurável nos momentos que mais necessitei.
Eu amo vocês!
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Sentimentos e desabafo
Sou abençoada e não nego.
Deus me ama incondicionalmente. Tenho apenas que aprender a aceitar os própositos que Ele tem para a minha vida.
Não adianta eu bater na mesma tecla se não for o Seu desejo.
Há algumas coisas que, infelizmente, não devemos comentar e muito menos publicar. O que posso dizer é que hoje a minha felicidade está com a luz um pouquinho apagada.
Agradeço por ter as minhas crianças ao meu lado, principalmente depois de ter conseguido criar laços fortes com essa turma. No início do ano passado sofri muito, pois achava que nunca conseguiria sentir o amor que sentia pelos meus formandos de 2011.
Foi muito duro e sofrido.
Hoje, elas são parte de mim.
Estou errada? Posso estar, mas são as minhas crianças, minhas....e nem quero pensar no final do ano! Não mesmo!
Cheguei perto do meu aluno de inclusão que tem "n" problemas. Encostei na cadeira de rodas dele e troquei duas palavras com a atendente que cuida dele.
Ela é uma pessoa que não tenho palavras para descrever. Um anjo na minha vida desses que Deus me presenteou para que eu pudesse crescer sem sentir tanta dor.
Afinal crescer dói.
Sinto de alguma forma amparada, protegida, querida por ela. O amor e a dedicação que tem com meu aluno é de se emocionar. Não é só o seu profissional, é seu espírito de luz que entra em contato com o dele, e tudo acontece. Um vínculo forte e saudável foi construído entre os dois e sempre fico feliz em ver como ele é afetuoso com ela.
Sempre vou me sentir falha em relação ao meu pequeno e a cumplicidade existente entre os dois me deixa com um peso a menos no coração, pois sei que ele está sendo amado e cuidado.
E lá estava eu, encostada, sem esperar nada quando algo aconteceu...
Ele pegou a minha mão e puxou para ele, e aquilo quebrou meu coração.
Mil coisas se passaram pela minha cabeça.... mil e uma na verdade...
Naquele exato momento algo mudou dentro de mim.
Um toque, um simples toque...
Deus me ama incondicionalmente. Tenho apenas que aprender a aceitar os própositos que Ele tem para a minha vida.
Não adianta eu bater na mesma tecla se não for o Seu desejo.
Há algumas coisas que, infelizmente, não devemos comentar e muito menos publicar. O que posso dizer é que hoje a minha felicidade está com a luz um pouquinho apagada.
Agradeço por ter as minhas crianças ao meu lado, principalmente depois de ter conseguido criar laços fortes com essa turma. No início do ano passado sofri muito, pois achava que nunca conseguiria sentir o amor que sentia pelos meus formandos de 2011.
Foi muito duro e sofrido.
Hoje, elas são parte de mim.
Estou errada? Posso estar, mas são as minhas crianças, minhas....e nem quero pensar no final do ano! Não mesmo!
Cheguei perto do meu aluno de inclusão que tem "n" problemas. Encostei na cadeira de rodas dele e troquei duas palavras com a atendente que cuida dele.
Ela é uma pessoa que não tenho palavras para descrever. Um anjo na minha vida desses que Deus me presenteou para que eu pudesse crescer sem sentir tanta dor.
Afinal crescer dói.
Sinto de alguma forma amparada, protegida, querida por ela. O amor e a dedicação que tem com meu aluno é de se emocionar. Não é só o seu profissional, é seu espírito de luz que entra em contato com o dele, e tudo acontece. Um vínculo forte e saudável foi construído entre os dois e sempre fico feliz em ver como ele é afetuoso com ela.
Sempre vou me sentir falha em relação ao meu pequeno e a cumplicidade existente entre os dois me deixa com um peso a menos no coração, pois sei que ele está sendo amado e cuidado.
E lá estava eu, encostada, sem esperar nada quando algo aconteceu...
Ele pegou a minha mão e puxou para ele, e aquilo quebrou meu coração.
Mil coisas se passaram pela minha cabeça.... mil e uma na verdade...
Naquele exato momento algo mudou dentro de mim.
Um toque, um simples toque...
domingo, 24 de abril de 2011
INSEGURANÇA....
Por vezes gostaria de ser mais sossegada, aceitar o tudo sem pensar, mas minha alma é inquieta e ao mesmo tempo tão insegura.
Por causa de um passado que às vezes vem a tona, sinto-me incapaz, mesmo sabendo que eu posso e uma guerra interna surge. Como sou complicadinha, meu Deus!
Como vocês podem me entender, se nem eu mesma consigo...
Acredito já ter falado a respeito da futura horta da escola, e como já sabem fui escalada para cuidar do projeto que lancei para a escola contra o desperdício.
Por muito tempo trabalhei numa escola que a gente precisava fazer milagres com o que tínhamos, apesar de ser considerada de elite, vivíamos lutando contra os cifrões...
Aprendi muito no meu departamento, pois eu tinha que fazer milagres com as provas dos professores da escola toda, com as circulares, com os comunicados e cartazes, isso sem perder a estética e a qualidade. Ufa! Por vezes, conseguia tirar leite de pedra, acreditam nisso?
Então percebi como isso fazia a diferença no final das contas. Logo, tomei conhecimento do projeto da nutricionista contra o desperdício. Claro que ela era a chefe e contava com a colaboração das suas auxiliares, então era mais fácil o seu desenvolvimento.
E eu metida, pensando e percebendo tudo que acontece na minha escola, adaptei toda a minha vivência passada para a minha realidade atual. Sei que pode dar certo, porém vai depender do auxílio de todos.
É muito mais fácil conscientizar uma criança que está no processo do desenvolvimento das ideias, de sua formação pessoal do que um adulto que já carrega seus vícios por muitos anos.
Resumindo, terei que expor tudo o que eu pensei e como será o andamento do projeto para todos os professores. Gente, isso para mim é mexer com todo meu emocional, meu equilíbrio. É a guerra acontecendo nas minhas emoções e no meu racional. Por mais capaz que eu possa ser, sempre me vem por dentro o pensamento de que o outro é melhor e maior do que eu.
Como uma recém formada pode dar pitaco dessa forma????
Se o diretor não tivesse abraçado a causa e se ele não tivesse tão empolgado, seria capaz de pular fora do barco, mas agora só tenho uma única opção: encarar!
E se os resultados não forem dos melhores, ao menos eu tentei!
Em tempo....
FELIZ PÁSCOA PARA TODOS.... E OBRIGADA MAIS UMA VEZ PELO APOIO E CARINHO QUE ME DÃO, SE SOUBESSEM O QUANTO ISSO É IMPORTANTE PARA MIM....
UM BEIJO GRANDE E UM ABRAÇO BEM APERTADO...
Com muito amor,
Lu
terça-feira, 12 de abril de 2011
Decepção
Eu to muito magoada com uma aluna minha.
Ser exigente não é ser carrasca, e eu sei muito bem que eu não sou o monstro do lago Ness.
Hoje para dar continuidade nas minhas atividades com os substantivos, levei aquela música Lindo Balão Azul.
- Credo, é música de criancinha!
- Falou, senhor adulto!!!
A classe caiu na risada. Acabei colocando quatro vezes a música de criancinha, até que o menino que disse isso soltou:
- Meu padrasto tem essa música também!
Pensei: "certamente ele teve uma boa infância!".
O cd que levei foi o original , o Pirlimpimpim, e a próxima música, adivinhem qual era?
Isso mesmo, a da Emília!
A música começa lentinha e depois se agita, então comecei a dançar no meio da sala de aula, a girar, a cantar.
Será que era algo do outro mundo??? Ninguém se movimentava...
Então chegou a hora da Educação Física, eu desci com eles.
A professora estava ensinando a jogar câmbio, e eu não sabia como jogar, ela me ensinou e entrei em um time que estava desfalcado.
Resumão : Claro, meu time ganhou!
O recreio foi em seguida, minha aluna sempre pegando no pé da outra professora. As duas agora travaram uma guerra. Eu me acabo!
Na volta apliquei a prova trimestral e me decepcionei quando vi minha aluna com o caderno aberto no conteúdo que deveria ser estudado.
Fiquei muito triste, me aproximei, fiquei observando.
- O que você está fazendo? - sussurrei.
Nunca vi a menina gaguejar tanto.
- Estou profundamente magoada com você. Feche seu caderno e continue a fazer a prova.
No final da aula, a vergonha era tanta que ela nem me deu o beijo habitual de despedida.
Amanhã conversarei com eles a respeito da honestidade.
Haja coração!
Ser exigente não é ser carrasca, e eu sei muito bem que eu não sou o monstro do lago Ness.
Hoje para dar continuidade nas minhas atividades com os substantivos, levei aquela música Lindo Balão Azul.
- Credo, é música de criancinha!
- Falou, senhor adulto!!!
A classe caiu na risada. Acabei colocando quatro vezes a música de criancinha, até que o menino que disse isso soltou:
- Meu padrasto tem essa música também!
Pensei: "certamente ele teve uma boa infância!".
O cd que levei foi o original , o Pirlimpimpim, e a próxima música, adivinhem qual era?
Isso mesmo, a da Emília!
A música começa lentinha e depois se agita, então comecei a dançar no meio da sala de aula, a girar, a cantar.
Será que era algo do outro mundo??? Ninguém se movimentava...
Então chegou a hora da Educação Física, eu desci com eles.
A professora estava ensinando a jogar câmbio, e eu não sabia como jogar, ela me ensinou e entrei em um time que estava desfalcado.
Resumão : Claro, meu time ganhou!
O recreio foi em seguida, minha aluna sempre pegando no pé da outra professora. As duas agora travaram uma guerra. Eu me acabo!
Na volta apliquei a prova trimestral e me decepcionei quando vi minha aluna com o caderno aberto no conteúdo que deveria ser estudado.
Fiquei muito triste, me aproximei, fiquei observando.
- O que você está fazendo? - sussurrei.
Nunca vi a menina gaguejar tanto.
- Estou profundamente magoada com você. Feche seu caderno e continue a fazer a prova.
No final da aula, a vergonha era tanta que ela nem me deu o beijo habitual de despedida.
Amanhã conversarei com eles a respeito da honestidade.
Haja coração!
quinta-feira, 7 de abril de 2011
quinta-feira, 31 de março de 2011
Não vou te abandonar....
Bate o sinal.
Vou em direção ao meu recanto mágico.
- Professora! Professora!
Eram duas lindas alunas do ano passado que estavam a minha procura.
- Pra senhora!
Entregaram-me um pacotinho branco e dentro dele uma pulserinha cheia de pimentinhas.
- É contra o olho gordo, tia!
Beijei e abracei as duas, e uma pequena desse ano veio em minha direção, colocou o pequeno bracinho em torno da minha cintura (bem abundante) e disse:
- Venha , professora. Estamos te esperando!
Senti uma pontinha de ciúmes e possessividade.
Entro na sala, começo a me ajeitar.
Com um certo atraso, um aluno (que foi meu ano passado) entra na sala.
Depois de cinco minutos duas professoras me chamaram:
- Seu aluno X esteve envolvido em uma briga, e se não fosse o Y ele teria acabado com o outro que é bem menor do que ele!
Falei que o caso tinha que ser encaminhado para a direção.
Voltando ao tempo.
O X no ano de 2010 me causou "n" problemas.
Não fazia lição.
Não estudava.
Não se interessava.
Nunca me respeitou.
Desafiava-me.
O stress era nosso grande amigo.
Nunca dei as costas para ele. Nunca o abandonei.
Chamei sua família, (poucas vezes compareceu) para conversarmos sobre o aluno para que juntos pudéssemos auxiliá-lo.
Seu histórico familiar é um dos mais pesados da unidade escolar.
Seus irmãos mais velhos não estão seguindo a melhor estrada, e me preocupo demais com ele.
Acontece que esse ano, o X é outro menino.
Faz a lição.
Estuda.
Se interessa.
Me respeita.
Acata minhas decisões.
A paz é nossa grande amiga.
Nunca dei as costas para ele. Nunca o abandonarei.
Sentei ao seu lado, perguntei o que tinha acontecido.
Ele me olhou com um belo ar de interrogação.
Seus olhos , sua expressão, sua atitude eram verdadeiros.
- Não fiz nada, tia. Foi um outro aluno.
Então ele é chamado na direção.
Resultado: uma bela advertência.
Ele entra , amassa o papel com raiva lentamente, e volta para o seu lugar.
Peço para que a classe continue a realizar a tarefa dada.
Sento-me novamente ao seu lado, e pergunto o que aconteceu.
A mágoa estava estampada no seu rosto. Amassava o papel e o segurava com os punhos fechados.
- Eu não fiz nada!
Abaixou a cabeça e chorou.
Enquanto conversava, folheei o seu caderno.
Lições feitas (nem todas), mas o caderno tinha a sua letra, o seu esforço.
Não era um caderno em branco como do ano passado.
Chamei a inspetora.
- O que houve com meu aluno?
- Não sei, quer que eu fique aqui e você pergunta para a assistente?
Não precisei, ela veio no meu andar para entregar uma aluna em outra sala, aproveitei e conversei com ela.
Perguntei o que tinha acontecido.
Ela me contou os fatos que todas as crianças envolvidas falaram para ela.
Expliquei e falei sobre o meu aluno.
Contei o que ocorreu em 2010, e que parecia que ele era outro esse ano. Ela não estava na escola no ano passado.
Falei que estava estranhando muito a atitude dele, e que os olhos dele me diziam que estava inocente de alguma forma.
Conversamos muito e ela pediu para eu chamar novamente o X.
Fiquei com a classe, e depois de alguns minutos ele entra, e sou chamada novamente.
- Professora, eu retirei a advertência dele, mas fizemos um acordo de homens, caso ele se envolva em algum tipo de confusão, ao invés de uma, ele levará duas. Falei que a senhora disse que ele era outro menino esse ano, e que daria uma chance para ele.
- Perfeito!!!!! - agradeci e dei um abraço nela.
Não poderia deixar as coisas simplesmente acontecerem. Ele foi terrível, e pode ainda ser, mas não é um aluno violento, de má índole. Não seria eu , depois de tanta mágoa e dor expressa naqueles olhos, deixar as coisas como ficaram. Isso poderia afetar todo um ano letivo que está sendo caminhado de maneira tão tranquila.
Ele precisa vencer e crescer.
Amadurecer, ter experiências gratificantes na sua vida. Sua realidade já não é fácil... Não! Eu não vou abandoná-lo jamais!
Hoje, voltei para casa muito mais serena e feliz!
Vou em direção ao meu recanto mágico.
- Professora! Professora!
Eram duas lindas alunas do ano passado que estavam a minha procura.
- Pra senhora!
Entregaram-me um pacotinho branco e dentro dele uma pulserinha cheia de pimentinhas.
- É contra o olho gordo, tia!
Beijei e abracei as duas, e uma pequena desse ano veio em minha direção, colocou o pequeno bracinho em torno da minha cintura (bem abundante) e disse:
- Venha , professora. Estamos te esperando!
Senti uma pontinha de ciúmes e possessividade.
Entro na sala, começo a me ajeitar.
Com um certo atraso, um aluno (que foi meu ano passado) entra na sala.
Depois de cinco minutos duas professoras me chamaram:
- Seu aluno X esteve envolvido em uma briga, e se não fosse o Y ele teria acabado com o outro que é bem menor do que ele!
Falei que o caso tinha que ser encaminhado para a direção.
Voltando ao tempo.
O X no ano de 2010 me causou "n" problemas.
Não fazia lição.
Não estudava.
Não se interessava.
Nunca me respeitou.
Desafiava-me.
O stress era nosso grande amigo.
Nunca dei as costas para ele. Nunca o abandonei.
Chamei sua família, (poucas vezes compareceu) para conversarmos sobre o aluno para que juntos pudéssemos auxiliá-lo.
Seu histórico familiar é um dos mais pesados da unidade escolar.
Seus irmãos mais velhos não estão seguindo a melhor estrada, e me preocupo demais com ele.
Acontece que esse ano, o X é outro menino.
Faz a lição.
Estuda.
Se interessa.
Me respeita.
Acata minhas decisões.
A paz é nossa grande amiga.
Nunca dei as costas para ele. Nunca o abandonarei.
Sentei ao seu lado, perguntei o que tinha acontecido.
Ele me olhou com um belo ar de interrogação.
Seus olhos , sua expressão, sua atitude eram verdadeiros.
- Não fiz nada, tia. Foi um outro aluno.
Então ele é chamado na direção.
Resultado: uma bela advertência.
Ele entra , amassa o papel com raiva lentamente, e volta para o seu lugar.
Peço para que a classe continue a realizar a tarefa dada.
Sento-me novamente ao seu lado, e pergunto o que aconteceu.
A mágoa estava estampada no seu rosto. Amassava o papel e o segurava com os punhos fechados.
- Eu não fiz nada!
Abaixou a cabeça e chorou.
Enquanto conversava, folheei o seu caderno.
Lições feitas (nem todas), mas o caderno tinha a sua letra, o seu esforço.
Não era um caderno em branco como do ano passado.
Chamei a inspetora.
- O que houve com meu aluno?
- Não sei, quer que eu fique aqui e você pergunta para a assistente?
Não precisei, ela veio no meu andar para entregar uma aluna em outra sala, aproveitei e conversei com ela.
Perguntei o que tinha acontecido.
Ela me contou os fatos que todas as crianças envolvidas falaram para ela.
Expliquei e falei sobre o meu aluno.
Contei o que ocorreu em 2010, e que parecia que ele era outro esse ano. Ela não estava na escola no ano passado.
Falei que estava estranhando muito a atitude dele, e que os olhos dele me diziam que estava inocente de alguma forma.
Conversamos muito e ela pediu para eu chamar novamente o X.
Fiquei com a classe, e depois de alguns minutos ele entra, e sou chamada novamente.
- Professora, eu retirei a advertência dele, mas fizemos um acordo de homens, caso ele se envolva em algum tipo de confusão, ao invés de uma, ele levará duas. Falei que a senhora disse que ele era outro menino esse ano, e que daria uma chance para ele.
- Perfeito!!!!! - agradeci e dei um abraço nela.
Não poderia deixar as coisas simplesmente acontecerem. Ele foi terrível, e pode ainda ser, mas não é um aluno violento, de má índole. Não seria eu , depois de tanta mágoa e dor expressa naqueles olhos, deixar as coisas como ficaram. Isso poderia afetar todo um ano letivo que está sendo caminhado de maneira tão tranquila.
Ele precisa vencer e crescer.
Amadurecer, ter experiências gratificantes na sua vida. Sua realidade já não é fácil... Não! Eu não vou abandoná-lo jamais!
Hoje, voltei para casa muito mais serena e feliz!
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sexta-feira, 25 de março de 2011
SNOOPYMANIA E LEITURA
Às vezes penso que não sei o que eu estou fazendo.
Muitas ideias surgem durante o dia, e simplesmente as ponho em prática, e dá certo...
Um dia desses, estávamos conversando a respeito do adulto também ter o seu lado infantil, e que lamentava muito como a infância está cada vez mais curta.
Falei que a melhor época da nossa vida é quando somos crianças e que fazia questão de cultivar esse meu lado.
Um aluno observou:
- É tia, dá para perceber.
- Como?
- Uma coisa que a gente já notou é essa mania da senhora pelo Snoopy.
Eles sempre tocam nesse meu ponto. Por que será?
Então expliquei para eles que era uma paixão antiga, que nem me lembro como começou mas que não vejo a minha vida sem estar ligada a esse personagem.
Meu primeiro, ganhei quando tinha aproximadamente 7 pra 8 anos e ainda o conservo.
Contei também da vez que meu avô me levou para a loja de brinquedos pedindo para que eu escolhesse qualquer brinquedo, (já relatei o caso aqui anteriormente), e a decepção dele foi quando peguei nas mãos um mini Snoopy.
Perguntaram-me se eu ainda os tinha.
- Claro!!! Vocês acham que só porque eles estão velhinhos eu os abandono?? São meus companheiros!
- Traz para gente ver????
- Com certeza!!
E hoje eu levei os meus queridinhos.
Eles se encantaram, o sorriso deles não dá para descrever.
Deixei eles tomando conta da classe quando fui pegar o dicionário, e parece que eles entram na minha goiabice, pois se comportaram.
Então, chegou a hora de aplicar aquela prova!!!
Montei uma avaliação baseada no Tsunami do Japão. Português X Matemática.
No final da aula, para estimular a criatividade deles (isso veio na minha cabeça durante o decorrer o dia), pedi para fecharem os olhos e imaginar as situações que eu colocava. Uma técnica de relaxamento, ligada a produção de textos e artes, pois terão que aplicar a técnica que ensinarei para eles na segunda-feira. Uns dormiram, outros inquietos, falavam comigo quando eu fazia perguntas que eram para serem respondidas no silêncio.
Estão aprendendo a gostar de ler e escrever. Dou espaço para que isso aconteça. Estimulo. Tenho buscado atividades diversificadas.
Saio da sala de aula com uma sensação de missão cumprida, mas com medo que isso de repente não passe de sonho.
Pois a minha sala de aula é o melhor lugar do mundo para se viver e conviver. Pode parecer exagero, mas não é. Sinto que cada dia estamos mais unidos e felizes.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Loira burra, eu?
Hoje encontrei com uma aluna antes dela entrar para sala de aula. Veio feliz me beijar e me abraçar. Depois, radiante disse: " Meu pai vai comprar para mim o dicionário que a senhora sugeriu!".
Todos os dias, eu vou trabalhar animada! Hoje estávamos falando sobre o trabalho e disse que tem pessoas que trabalham empurradas, infelizes e outras não.
Essa mesma criança disse:
- Eu vi a senhora vindo trabalhar cantando! A senhora é feliz !
Então eu contei para eles como me tornei professora e como eu amo trabalhar.
- Tia, se a senhora pudesse, a senhora trabalharia de graça????
- Se fosse para dar aula, sim !
- É mesmo?????
Eles adoraram ouvir de como me apaixonei pela profissão, dessa passagem da minha vida até tornar-me PROFESSORA COM ORGULHO!
Falamos sobre o trabalho até chegarmos na escravidão.
Sabe que eu estou ficando surpresa comigo mesma?????
Percebo que nas aulas de história eles ficam parados, fascinados , ouvindo o que eu tenho pra dizer.
Quando querem falar algo, as mãozinhas apontam para o céu, e eu deixo meus anjinhos falarem...
E acredito que a maneira que eu tenho conduzido essas aulas, eles vem apreendendo melhor o conteúdo.
Na hora que me transformei no capitão do mato, eles ficaram meio que assustados, mas depois entraram na minha viagem.
Eu tenho adorado lecionar História, tenho pensado seriamente em fazer essa graduação, apenas para ampliar meu conhecimento.
E nos links que tenho feito, cheguei a falar do Collor e da roubalheira que ele cometeu com todo o povo brasileiro.
Então perguntei a eles:
- O que vocês acham que aconteceu com ele?
Muitos responderam:
- Foi preso, tia!
Então, me baixou uma revolta e disse:
- Nãooooooooooo! Infelizmente ele já voltou para a política e o pior, o povo votou nele!
E eles:
- Não pode ser!!!!!
Então alertei da importância dos estudos, de como é fundamental saber o passado para entender o presente, e que eles ao estudarem não cometerão certos erros , pois serão adultos inteligentes, que saberão discernir o certo e o errado. A consciência e a responsabilidade vão ser as melhores companheiras deles!
Os olhinhos brilhavam.
- Tia, eu quero ser médica quando eu crescer.
- Você será a melhor médica e meus filhos passarão pelas tuas mãos!
A aluna com dificuldade em matemática , tagarela na hora errada, sorriu. Os olhos de jabuticaba brilharam.
- É tia, eu vou ser!
De repente, eis que entra um aluno que não era meu na minha sala.
Disse a ele que se usa com licença ao entrar em um recinto qualquer.
Então ouvi da sua boca:
- Fica quieta, sua loira burra.
A professora dele estava a sua procura e quando ouviu ficou perplexa, não sabia o que fazer.
Tem horas que as situações nos deixam sem rumo. Ela me disse: "o que faço?"
- Por mim, nada.
Quem tem ou tinha que tomar providência era a professora dele, eu estava dando a minha aula.
Minha sala me olhou perplexa, como quem diz: "Hey, professora! Vai lá!".
Então eu disse para eles:
- Meus anjos, eu sou burra? Não! Eu sou loira? Sou! Reconheço meu potencial? Sim! Sou inteligente? Sim! Para que vou discutir com ele???? Pra criar mais confusão? Perder a minha razão? Estou dando aula para vocês e isso para mim é o que importa. Por isso que eu falo, não liguem o que os outros falem de vocês. Sejam sempre superiores.
Ficaram admirados!
Continuei dando a minha aula feliz!
Sou loira e inteligente , sim ... Graças a Deus!
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Uma sala chamada amor!
Ontem, acompanhada da minha solidão, sofri demais. Meu coração ainda está em pedaços.
São por várias razões, as mais diversas possíveis. Uma delas é pela separação natural que ocorre no final do ano, sentirei muitas saudades dos meus alunos.
Sexta é a bendita apresentação , estou trabalhando para caramba esses dias.
Preciso ensaiar meus pequenos, são ajustes que preciso fazer para que tudo fique de acordo.
O bom disso tudo é que eles estão interessados, felizes e curtindo muito. Fico orgulhosa quando os vejo dançando e pedindo para ouvir as músicas que nós trabalhamos esse trimestre. Coloquei Upa, Neguinho umas três vezes consecutivas, eles amam o ritmo! Querem se levantar e dançar, mas agora é reta final, e preciso que eles colaborem para os ensaios.
Eles estão fazendo tudo lindamente! Estão interessados, perguntando se podem fazer isso ou aquilo.
Então lá estava eu dançando Vatapá com as minhas meninas, quando vejo uma aluna chorar e a classe em alvoroço.
- Tia, tia, ela tá chorando!
Fiquei preocupada pois é a minha melhor aluna, não me dá trabalho algum e pensei que alguém tivesse aprontado algo.
- O que foi meu anjo?
Ela levanta o rosto todo molhado, mal conseguindo olhar nos meus olhos e fala:
- Tia, eu não quero passar para o sexto ano!!!! Esse foi meu melhor ano da minha vida, onde eu aprendi e ri muito!!!
Como vocês já sabem eu sou muito dura, e abracei minha aluna já com berreiro aberto, pedindo para ela não chorar! Não sabia o que fazer, e meus alunos perguntaram-me porque eu estava chorando e disse que já sentia saudades deles.
Daqui a pouco começa um tal de: me reprova, tia... me reprova, tia!
Dentro da minha sala eu encontro tudo o que desejo : amor, sinceridade, verdade...Professor ganha pouco no sentido financeiro, mas em contrapartida.... sou milionária de afeto!
Ah! Como meu coração é bobo!!!!
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terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Conselho de classe.
Como exteriorizar aquilo que está tão confuso dentro de mim ?????
Sinto-me fracassada, triste, sozinha.
Minhas pernas estão fracas de tanto caminhar e lutar em vão, talvez...
Razão e emoção mais uma vez guerrearam dentro de mim. Desta vez, a razão se rendeu as fortes sensações que meu coração desordenadamente impos.
Decidir o futuro de uma criança é a parte mais terrível da minha profissão, e ter que usar de todos os critérios para justificar tais decisões é cansativo para meu emocional. Não fui obrigada a fazer para meus superiores, mas sim para por ordem nos meus sentimentos. Foi uma violência que cometi contra mim mesma.
O conselho começa e meus alunos tornam-se números, o que é inadimissível para mim. Eles têm nome e sobrenome. Recuso-me a pensar que são apenas mais ou menos um.
Não tive escolhas, precisei reprovar meia dúzia. Reprovei, não há mais volta.
Ao findar com as decisões, cometi uma gafe em relação a um documento, a sala dos professores soou uma risada só. Abaixei a cabeça e deixei vir o que estava me matando: as lágrimas do meu coração.
Molhei o famoso diário de classe. Não consegui ser equilibrada e profissional naquele momento.Ao preencher os documentos, os rostinhos deles vinham na minha cabeça e junto mini filmes de um ano todo compartilhado.
A diretora não acreditou que a professora que sempre estava de bom humor, risonha e que brincava com todos estava ali como uma criança chorosa.
Falaram-me que eu irei me acostumar com tudo isso, que no começo é assim mesmo. Será???
Ainda dói meu coração, minha alma, meu corpo... Agora nada mais resta... apenas a vontade de ser melhor o ano que vem e mesmo sabendo que eles não vão ler o que está escrito nessas linhas, peço perdão pelas falhas que eu cometi esse ano. Eu juro que tentei!
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
A cura de um abraço
Minha vida por vezes torna-se um caos por minha culpa. Sei e reconheço. Tenho minhas fraquezas, meus medos, minhas inúmeras inseguranças.
Por mais que a solidão me acompanhe, sempre criei alguns escudos para que ninguém tocasse meu coração novamente. Nem sempre os escudos funcionam e a baderna é certa!
Hoje, devido a problemas internos meus, estava meio baixo astral. Sou uma pessoa que sempre está brincando, sorrindo, conversando, e precisei ficar em silêncio e o mundo percebeu!
O mundo e os meus pequenos, e mais do que nunca me senti tão amada!
Ficaram preocupados em ver a professora deles com um olhar um pouco apagado , calada, certamente com a expressão que refletia seu coração!
Perguntaram-me a razão, desconversei.
E logo um veio me abraçar, depois outro, e mais outro! Quando dei por mim estava com inúmeras crianças ao meu redor, todos dizendo: " não fique triste, tia".
Uma aluna, que já me deu inúmeras dores de cabeça, ao me ver cabisbaixa se enroscou em mim , e ficou um tempão enlaçada, colada, e eu carente que sou, adorei!
Crianças são especiais, donas de uma sensibilidade sem igual.
Meu dia então se tornou mais ameno!
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
"Embaiacuzada" !!
Ontem recebi elogios da professora de Educação Física, pois ela pediu para que escrevessem uma redação avaliativa do ano letivo e o que eles esperavam para o ano que vem.
O elogio não foi quanto à boa escrita mas sim quanto à sensibilidade deles. Eu nesses momentos pareço um baiacú quando se incha, fico tão orgulhosa que ninguém consegue fazer ideia!
Veio uma ordem da direção para que eles escrevessem uma cartinha para o Papai Noel, e fui corrigi-las para que eles pudessem digitar no site da Prefeitura.
Uma pediu "dois ingressos" para ir ao Mc Donalds e poder levar a professora para as duas encherem a pança! Outra queria fazer dois pedidos, um skate e um livro de poesias da Florbela Espanca.
Não é para ficar toda "embaiacuzada"?
Derreto-me perante os sentimentos deles, sinto-me protegida por alguns, amada por outros. Sei que tenho alunos que se pudessem me enforcaria.! Tudo isso faz parte das relações humanas, não conseguimos agradar a todos, não seremos sempre anjos aos olhos de todos, isso que tornam os dias mágicos.
Mais um dia se inicia com novas emoções e situações...
Como dizia a letra da música : É preciso saber viver!
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Ela não compareceu....
Esperei-a por todo meu dia.
Ficou o vazio.
Não pude entregar o que preparei. Dentro de um armário qualquer coloquei meus sentimentos e numa sacolinha de papelão toda a minha doçura.
Não houve um último abraço, um beijo de despedida.
Ela apenas se foi deixando em mim um vazio grande.
Ciclos se fecharam , para num lugar distante iniciarem outros.
Ela se foi, e eu fiquei com um nó na garganta e uma lágrima no canto dos olhos...
Boa sorte, minha pequena!!! Seja feliz!
Ficou o vazio.
Não pude entregar o que preparei. Dentro de um armário qualquer coloquei meus sentimentos e numa sacolinha de papelão toda a minha doçura.
Não houve um último abraço, um beijo de despedida.
Ela apenas se foi deixando em mim um vazio grande.
Ciclos se fecharam , para num lugar distante iniciarem outros.
Ela se foi, e eu fiquei com um nó na garganta e uma lágrima no canto dos olhos...
Boa sorte, minha pequena!!! Seja feliz!
domingo, 7 de novembro de 2010
Despedida...
Um dia saberei lidar melhor com as minhas emoções. Saberei amar com um pouco mais de distância, criando em mim um escudo que não me faça sofrer tanto.
Evitarei os erros cometidos esse ano e sei que falharei em outras ações.
Agora é tarde demais, eu tentei não me envolver tanto emocionalmente, procurei manter o máximo de distância possível, mas quando me dei conta, lá estava a professora Luciana amando mais do que deveria a sua turma.
Travei um guerra esse ano com uma aluna minha para que houvesse melhora não apenas na parte cognitiva mas sim na sua postura.
Conversei inúmeras vezes, mostrei que atitudes como a dela não a levariam a lugar algum, dei meu amor, procurei fazer com que ela visse a linda menina que era . Tudo estava melhorando até o dia que ela chega revoltada na sala de aula, e a amiga diz:
-É porque ela vai embora para a Bahia.
- Como???
- É, ela vai embora...
Como ela poderia ir embora assim de supetão no final do ano???? Como???? Isso parecia coisa inventada....
O comportamento da minha aluna que tinha tido uma melhora significativa foi regredindo.... regredindo...
Sua fala começou a mostrar uma certa revolta e se dirigia a mim como se eu tivesse a mesma idade dela.
Chamei por diversas vezes a sua atenção.
Sexta-feira me dirigi a secretaria e perguntei se era verdade que a minha aluna estava pedindo transferência e eu ouvi a resposta que tanto temia.
- Sim, segunda ela estará partindo para a Bahia.
Aquilo caiu em mim como um balde de água fria. Pedi apenas para que quando a mãe aparecesse para que me chamassem e eu pudesse falar com ela.
Cheguei na sala de aula, e depois de um tempo, a menina fala comigo com um tom nem um pouco agradável.
Por eu tê-la advertido diversas vezes, encaminhei-a à diretoria.
A sós ela me pediu desculpas e disse:
- Tia, me perdoe, eu acho que a senhora é minha amiga por isso que falo assim.
- Amor, antes de ser tua amiga, eu sou a tua professora, e você me deve respeito não só por isso, mas sim porque em qualquer relacionamento o respeito deve se fazer presente sempre. A forma que você estava falando comigo não se deve falar com ninguém. E eu já tinha te advertido a respeito disso.
Quando a diretora chegou, voltei para a sala.
Logo após ela entrou na sala caladinha.
Dói em mim tomar certas atitudes, mas se eu não me impor tudo começa a desandar.
A mãe veio, e pedi para que ela me trouxesse a pequena para eu poder me despedir dela e a orientei que pelo amor de Deus ela matriculasse logo a pequena em uma escola, independente se é ou não fim de ano.
As despedidas são tão doloridas quando o amor existe... E eu amo essa menina. Sentirei saudades do sorriso mais lindo da minha sala de aula e nas minhas orações o seu nome estará presente...
Estou preparando um vídeo com os melhores momentos do ano que passamos juntas e junto com ele um livro do Vinicius que meus amigos estão me ajudando a conseguir para a turma, farei um pacotinho e darei antes dela partir.
Preciso urgentemente me endurecer um pouco para evitar sofrer mais...
(Essa música ela sempre cantava para mim, hoje a homenageio postando esse vídeo.)
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Fuscas, fotos, livros e muito amor....
Sinto-me, às vezes, extremamente coruja. É! Acho que o nome do meu blog deveria mudar. Uma professora coruja! Fora que esse simpático animalzinho é o símbolo da sabedoria!
Hoje, uma aluna me trouxe as fotos no pen drive que tirou naquele trabalho de fotografia que já relatei.
Fiquei totalmente fascinada com o olhar da pequena.
Meu Deus! Como eles são donos de um potencial imenso e que simplesmente fica guardado num cantinho, esperando um momento qualquer para ser despertado!
Fiquei emocionada e cheia de orgulho!!!
Vale a pena todo estresse e sacrifício!!!
Além de toda essa babação, hoje apliquei uma prova e uma das questões era uma produção textual. Precisavam escrever uma redação, relatando o que eles fariam caso ganhassem na mega sena. O tema estava de acordo com a notícia inserida na prova, sobre um morador da cidade que ganhou o prêmio e não foi retirá-lo.
A partir dos relatos é possível conhecer um pouco de cada criança. Tinha tudo que vocês possam imaginar. Sonhos infantis, outros bem de acordo com a dura realidade em que vivem. O que mais gostei foi de saber que eu não seria esquecida por alguns alunos.
Um disse que se ganhasse na mega sena e se sobrasse ele daria um livro de poesias do Vinicius de Moraes para a professora (mal sabem o que vem por aí!).Outra me chamou a atenção pelo fato da boa memória, escreveu que daria para a professora um fusca cor de rosa! Uma vez contei para eles que eu ainda tinha dois grandes sonhos para realizar: ter um fusca cor de rosa e ser mãe. E não é que eles lembraram disso?
Agora me respondam, é ou não é para babar e se encher de orgulho?
Que todos os educadores me perdoem, mas a minha turma é para lá de especial!








