terça-feira, 31 de agosto de 2010
MÚSICA NA SALA DE AULA...
Tenho alguns anjos na minha vida que sempre me iluminam. Num dia desses, conversando com a Marcia, ela me contou a respeito de um projeto de uma amiga que trabalhou a música popular brasileira de uma forma bem interessante.
Minha cabeça quando recebe novas informações fica a mil , e me empolguei demais. Ainda estou adaptando as informações para meus alunos. Estou em fase de experimentação.
Pensei muito como fazer com que eles conheçam um novo mundo musical , se a realidade deles é bem diferente da minha. Quero ampliar o conhecimento da galerinha, mas também não seria justo apenas ouvirem o que eu trago. Seria algo muito imposto e a ideia não me agradava.
Pois bem, por que então não trabalhar através da troca???
Antes de começar a aula, primeiro ouviríamos uma música selecionada por um aluno pré escolhido. Todos deveriam respeitar a audição, e após o término, eu colocaria a música da minha escolha que eles deveriam analisar junto comigo.
Pedi para que trouxessem um caderno pequeno para colar a letra, assim poderiam guardar, pois mais para frente teremos que ter todas as letras.
Não vou mentir para vocês, algumas coisas que eu faço no início me dá um certo receio, mas é preciso arriscar. Apenas deixei claro que não poderiam tocar nenhuma música que falasse palavrão.
Hoje foi o grande dia.
Mal cheguei e minha aluna:
- Tia, eu trouxe, é a faixa 3!
- Que bom!!!!
Liguei o aparelho, coloquei o cd e meu coração palpitou, gelei...O que será que vai tocar?????
Ufa, foi um singelo dance music, talvez Lady Gaga, sei lá. Não sou muito moderna para as questões musicais.
- Agora, continuem assim, que vou colocar a minha.
Resolvi trabalhar "Berimbau" de Baden Powell e Vinicius de Moraes. Dei a letra para que colassem no caderno.
Silêncio na sala, e o som do instrumento que dá o título da música começou a soar.
- É berimbauuuuu!!!!
- Capoeiraaaa!
Prestavam atenção, e eu fiquei surpresa!
Então logo após contei um pouquinho mais sobre os autores, dizendo da importância de cada um no mundo musical e comecei analisar a letra com eles.
- Alguém sabe o que é berimbau?
- É o instrumento da capoeira!
- E o que quer dizer o verso : "...Quem é homem de bem não trai..."?
E muitas respostas surgiram.
Umas coerentes, outras não. Porém se manifestaram.
A interpretação da letra, a análise em conjunto, e a participação da classe foi algo esplêndido.
Hoje o resultado foi positivo, vamos ver daqui pra frente!
Conhecimento nunca é demais!!!!!!
Veja o vídeo, clique aqui.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Exemplos
Antes de entrar para a educação, trabalhei num mercado a princípio como balconista e depois como caixa. Neste lugar eu aprendi muito, principalmente com a minha ex patroa , hoje é uma segunda mãe para mim. Nossa amizade com a minha saída apenas aumentou, pois muitas vezes não podia demonstrar todo o amor que tinha por ela por ser uma funcionária. Pois o termo puxa-saco seria usado, sem saber o que se passava dentro do meu coração.
Uma das coisas que eu aprendi, foi dar bons exemplos. Uma mulher de fibra, guerreira e sem medo das tempestades que aparecem, nunca desistiu ou abaixou a cabeça para a vida. É uma das pessoas que mais trabalha naquele estabelecimento.
Ontem, na sala de aula, segui seu exemplo.
Minha sala estava uma verdadeira baderna. Todos os dias eu prego o sermão da montanha em relação a ordem e a limpeza. Fico envergonhada de sair da sala e entregá-la daquele jeito, e sempre falo isso para meus alunos.
Ontem foi o estopim!
Pedi para a "minha líder" pegar uma vassoura e uma pá.
O mais rebelde já gritou:
- Não vou varrer essa sala nem a pau! Não sou faxineiro. Não tenho essa obrigação.
E eu apenas fiquei ouvindo as manifestações.
Quando ela chegou com a pá e a vassoura, comecei a varrer a sala e a deixá-la mais apresentável.
Eles ficaram indignados. Onde já se viu a professora fazer um trabalho que não é dela?
Ledo engano! Meu trabalho também é dar noções de higiene, de cidadania, de humanidade e nada melhor que exemplos práticos.
Os comentários foram diversos:
- A gente precisa melhorar em relação a limpeza.
- Se a tia é assim aqui, a casa dela deve brilhar!
- Mas não é justo ela parar de explicar para varrer nossa sujeira!
Disse que não gostava de ambientes sujos e que aquilo me incomodava, além disso não queria mais passar vergonha com a equipe da limpeza.
Se surtiu algum efeito, ainda não sei.
Espero que eles tenham aprendido "as lições".
sábado, 21 de agosto de 2010
Novos rumos...
Esse final de semana comecei a fazer o levantamento das atividades e notas dos meus alunos.
E todas as informações que obtive tornou-se um filme.
Fechei os olhos, e revi o início do ano. Aqueles rostos que eu nunca tinha visto antes, com histórias desconhecidas. Trabalho árduo foi feito, sempre com muito amor e dedicação.
Então, me veio em mente uma aluna minha, com tantas dificuldades no início e que hoje já consegue se manter num padrão mínimo de satisfatório.
Mérito meu? Não. Mérito dela, que se esforçou, que me ouviu, que lutou contra as suas dificuldades. Dedicada ao extremo, nunca deixou de entregar uma atividade sequer. Outro dia, seus olhos ficaram cheios de lágrimas cristalinas quando chamei a sua atenção em alguns pontos, meu coração partiu, mas a conversa que eu precisava ter não poderia ficar numa gaveta. E hoje, quando provei o seu progresso, mais do que nunca, vi que aquelas palavras precisavam ser proferidas.
Depois, veio a minha aluna já com espírito de liderança, consciente das suas ações e do seu papel dentro da escola. Como eu amo aquela menina!!! E com um pouco de egoísmo, me entristeci ao perceber que ano que vem ela estará certamente no 6º ano, deixando para trás a professora que tanto a amou.
Egoísta também me senti, ao ser obrigada a dar 10,0 em todas as matérias para outra aluna minha. Não foi uma nota máxima a toa, só porque ela é um espírito de luz, foi por todo o seu mérito. Inteligente, estudiosa, impecável, aplicada, doce, humilde, fantástica. Sim, eu sou chorona, confesso, mas não tem como eu não me emocionar ao saber que não a terei mais perto de mim. Engraçado como essa menina me deu forças para continuar, afinal todos sabem que no início do ano tudo foi muito difícil. Seu beijo no final da aula, seu sorriso, seu pedido de perdão pela classe alienada e bagunceira, sua delicadeza fizeram com que a confiança e a certeza de que eu estava certa não me deixassem cair.
É, fechando as notas percebi que logo estarei encerrando mais um ciclo.
O tempo voa e o adeus será inevitável.
Ano que vem, eles estarão crescidos, uma nova etapa estará surgindo no caminho daqueles que eu ajudei a formar no primeiro ciclo da vida escolar. Muitos passarão por mim, e esquecerão do que passou e eu estarei nos bastidores acompanhando a nova estrada que estará por vir. Do mesmo modo, outros chegarão, com outras histórias e vivências.
Gostaria de ser mais racional, e ter em mente apenas que o que faço nada é mais que a minha obrigação. Mas, não tem como não sentir uma pontadinha no coração ao pensar nisso tudo.
Termino esse post com um poema que fala sobre o amor na visão do grande Shakespeare (sugestão da minha amiga Marcia, e como sempre, acertou em cheio!)
SONETO CXVI
"Ao casamento de almas verdadeiras
Não haja oposição. Não é amor
O que muda à mudança mais ligeira
Ou desertando, cede ao desertor.
Oh, não, que amor é marca muito firme
E nem a tempestade o desbarata;
É estrela para a [Nau], que o rumo afirme
Valor ignoto - mas na altura exata.
Não é do Tempo mera extravagância,
Amor, embora a foice roube o riso
À face e ao lábio rosa; na constância,
Resiste até o Dia do Juízo.
Se há erro nisto e assim me for provado,
Nunca escrevi, ninguém terá amado. "
Para terminar vou postar esse vídeo que hoje me fez emocionar, mesmo que talvez fuja do tema... é assim que eu estou.. emocionada... com esse choro bandido dentro de mim!
E todas as informações que obtive tornou-se um filme.
Fechei os olhos, e revi o início do ano. Aqueles rostos que eu nunca tinha visto antes, com histórias desconhecidas. Trabalho árduo foi feito, sempre com muito amor e dedicação.
Então, me veio em mente uma aluna minha, com tantas dificuldades no início e que hoje já consegue se manter num padrão mínimo de satisfatório.
Mérito meu? Não. Mérito dela, que se esforçou, que me ouviu, que lutou contra as suas dificuldades. Dedicada ao extremo, nunca deixou de entregar uma atividade sequer. Outro dia, seus olhos ficaram cheios de lágrimas cristalinas quando chamei a sua atenção em alguns pontos, meu coração partiu, mas a conversa que eu precisava ter não poderia ficar numa gaveta. E hoje, quando provei o seu progresso, mais do que nunca, vi que aquelas palavras precisavam ser proferidas.
Depois, veio a minha aluna já com espírito de liderança, consciente das suas ações e do seu papel dentro da escola. Como eu amo aquela menina!!! E com um pouco de egoísmo, me entristeci ao perceber que ano que vem ela estará certamente no 6º ano, deixando para trás a professora que tanto a amou.
Egoísta também me senti, ao ser obrigada a dar 10,0 em todas as matérias para outra aluna minha. Não foi uma nota máxima a toa, só porque ela é um espírito de luz, foi por todo o seu mérito. Inteligente, estudiosa, impecável, aplicada, doce, humilde, fantástica. Sim, eu sou chorona, confesso, mas não tem como eu não me emocionar ao saber que não a terei mais perto de mim. Engraçado como essa menina me deu forças para continuar, afinal todos sabem que no início do ano tudo foi muito difícil. Seu beijo no final da aula, seu sorriso, seu pedido de perdão pela classe alienada e bagunceira, sua delicadeza fizeram com que a confiança e a certeza de que eu estava certa não me deixassem cair.
É, fechando as notas percebi que logo estarei encerrando mais um ciclo.
O tempo voa e o adeus será inevitável.
Ano que vem, eles estarão crescidos, uma nova etapa estará surgindo no caminho daqueles que eu ajudei a formar no primeiro ciclo da vida escolar. Muitos passarão por mim, e esquecerão do que passou e eu estarei nos bastidores acompanhando a nova estrada que estará por vir. Do mesmo modo, outros chegarão, com outras histórias e vivências.
Gostaria de ser mais racional, e ter em mente apenas que o que faço nada é mais que a minha obrigação. Mas, não tem como não sentir uma pontadinha no coração ao pensar nisso tudo.
Termino esse post com um poema que fala sobre o amor na visão do grande Shakespeare (sugestão da minha amiga Marcia, e como sempre, acertou em cheio!)
SONETO CXVI
"Ao casamento de almas verdadeiras
Não haja oposição. Não é amor
O que muda à mudança mais ligeira
Ou desertando, cede ao desertor.
Oh, não, que amor é marca muito firme
E nem a tempestade o desbarata;
É estrela para a [Nau], que o rumo afirme
Valor ignoto - mas na altura exata.
Não é do Tempo mera extravagância,
Amor, embora a foice roube o riso
À face e ao lábio rosa; na constância,
Resiste até o Dia do Juízo.
Se há erro nisto e assim me for provado,
Nunca escrevi, ninguém terá amado. "
Para terminar vou postar esse vídeo que hoje me fez emocionar, mesmo que talvez fuja do tema... é assim que eu estou.. emocionada... com esse choro bandido dentro de mim!
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Cadê a paixão? ( vou até o fim!)
Nessa minha caminhada, tenho dividido minhas angústias, minhas incertezas com vocês.
Recebo alguns comentários que me dão uma verdadeira injeção de ânimo, outros me enchem o coração de amor, e tem alguns, que ficam lá... martelando, martelando, martelando a pobre cabeça dessa professora.
No dia 13 de agosto, recebi um email da minha grande amiga que fez o TCC comigo. Nos três anos de faculdade aprendi tanto com ela, e venho nesse processo de aprendizagem até hoje. Ela é uma pessoa ímpar! E nessa mensagem ela me escreveu algumas coisas que ali ficaram me azucrinando o juízo. Tomo a liberdade para transcrever algumas das suas palavras:
"...sai para fotografar com eles...
faz coisa gostosa...
cozinha... desenha... ouve música...faz teatro... leva seu lap top...
vc tem tanta criatividade meu... poxa
lembre-se que os grandes fazedores da história enfrentaram
grandes opositores que nunca fizeram nada... só sabiam encher a
paciência de todo mundo...
não desista!
te amo
vc é uma professora apaixonada poxa...
cadê a paixão? tá morrendo? viva o que vc prega, meu amor! "
E a pergunta final me desestruturou de alguma forma.
A paixão não morreu, não. Está aqui sempre dentro de mim. Ela se mistura com o amor, a alegria, a realização, os anseios...
Mas toda caminhada tem seus altos e baixos, e quando percebo que meus alunos não me correspondem da maneira que eu esperava, me bate uma tristeza sem igual.
Ontem, pedi para que eles levassem hoje um jornal e quando planejei a aula pensei numa atividade diferente. Cheguei animada, esperando que eles estivessem com o material pedido, mas qual o que? Apenas três estavam com os exemplares!
Juro, fiquei com vontade de bater em cada um deles!!! Respirei fundo e propus que fizessemos a atividade em grupo.
Que louca!!!! Cada turminha teria mais de 10 alunos, mas não tive escolha. Não dá para ficar adiando sempre minhas aulas por falta de responsabilidade por parte deles.
Meus olhos passearam pela sala, aquilo iria virar uma tremenda baderna!
Olhei pela janela, um dia lindo, um céu azul e nós presos numa sala acinzentada , feia e fria.
- Seguinte!!! Quem gostaria de fazer a atividade lá fora , no gramado da escola?
Não preciso dizer que todos levantaram animadamente as mãos.
- Então vamos combinar algumas coisas...
E assim direcionei a turma, pedi para que terminassem de escrever as questões no papel e que fizessem fila para irmos até lá!
Vou confessar, fiquei com medo! Todos os meus terríveis estavam presentes!
- Agora , podem se organizar!
Quando olho para um canto, todos aqueles que me davam insegurança total pelo péssimo comportamento se juntaram. Pensei na hora: " vão colocar fogo na escola, e eu estou ferrada!".
Expliquei para cada grupo o que deveria ser feito, e para a minha grande surpresa, os meus "anjinhos" foram aqueles que melhor trabalharam em equipe, se organizaram, delegaram tarefas uns para os outros de forma tranquila, terminando a atividade em primeiro lugar.
Foi um sucesso, eles curtiram, eu curti, e tive que me segurar para não chorar na frente deles.
Quando cheguei na sala, elogiei demais a turma, enfatizando o excelente comportamento do grupo dos meninos.
Como gostaria que todos os dias fossem dessa maneira: simples, natural e positivo.
É amiga, obrigada! Obrigada por ser uma das pessoas que acreditam em mim e você pode ter certeza, o dia que a minha paixão morrer, eu saio definitivamente da sala de aula.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Prática inexperiente
Ainda surto, disso não tenho dúvida, ou será que já sou totalmente surtada e ainda não me dei conta?
Mais do que professora, sou aprendiz. A faculdade não me formou, apenas me deu um diploma e disse: a prática será a tua mestre. Fato!
Relutei demais em assumir uma sala de aula, que fosse minha. Meus planos não eram esses.
Quis trabalhar inicialmente como auxiliar, porém não consegui nenhuma oportunidade. As portas estavam fechadas para a recém-formada.
Foi então, que surgiu a oportunidade de trabalhar no Programa da Prefeitura, meio alternativo e tão importante quanto ao dia-a-dia "comum" do ensino formal. Ano passado eu cresci muito, ampliei meu conhecimento e as experiências que vivi ao lado dos meus pequenos estarão guardadas dentro de mim para sempre.
O tempo passou, e eis que vejo meu nome selecionado para me apresentar no concurso que prestei no ano retrasado.
Medo, alegria, insegurança nortearam minhas ações, afinal nada sabia (nada sei) sobre ser professora no ensino formal.
Pensei em desistir sem ao menos ter tentado. Sofri demais, Fiquei apavorada de saber que nas minhas costas teria mais de trinta alunos sob a minha responsabilidade.
Mas, enfrentei... Meti as caras. E graças a Deus, fui guiada para escolher a escola que trabalho hoje.
A realidade que ela está inserida é cruel, porém lá dentro, como já disse anteriormente, eu encontrei anjos. Pessoas que me acrescentaram e me acrescentam diariamente. Trabalhar em equipe tornou-se tão prazeroso, que é impossível eu chegar triste e não dar um sonoro bom dia.
Uma turma dificílima. Defasados no ensino, comportamento rebelde, e alienados ao extremo.
E eu, meu Deus, sem saber nada, nada.... Como fazer, por quê fazer, para quê? Medo de ser responsável pelo fracasso deles, e me culpar como sempre fiz durante a minha vida.
Porém percebi, que infelizmente, aquelas professoras da faculdade tinham razão: a gente se torna educador só através da prática.
Hoje, percebo alguma pequena evolução nos meus alunos. Pequena, mas significante para mim.
Por exemplo :
Chamei a atenção de uma aluna, e ao questioná-la, ela respondeu com sinceridade e verdade as perguntas feitas.
- Você acha que merece uma segunda chance?
- Não tia, porque eu baguncei o tempo todo.
Claro que eu dei a segunda chance, e darei a terceira se preciso for. Ponto positivo para ela pela honestidade.
Ser professor é acreditar sempre, senão não há razões para continuar.
E hoje, ao corrigir algumas provas, sentimentos tão antagônicos tomaram conta de mim.
Fiquei morrendo de raiva, pois muitos não conseguiram ver o óbvio, e fiquei super feliz em notar o progresso de alguns alunos. Aqueles que mal sabiam fazer uma soma, hoje fazem com mais facilidade.
Sinto, às vezes, que estou no mesmo patamar que eles.
Tendo que aprender diariamente a lidar com a diversidade da sala de aula e eles tendo que lidar com uma professora exigente, que cobra demais, que por vezes tropeça na sua prática (falta) pedagógica, mas que ama acima de tudo a sua profissão e luta diariamente para se tornar melhor.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Eleições
Depois da Copa, do recesso escolar e da esticadinha dos meus alunos nas férias, voltamos com tudo!!
Eu, para falar a verdade!!
Para dar continuidade ao trabalho interrompido do semestre anterior, comecei a aula de história falando um pouco sobre as eleições, os cargos disputados e as importâncias de cada um deles. Exemplifiquei da melhor maneira para que compreendessem um pouco mais , afinal isso é bem chatinho, os adultos ainda fazem confusão com os cargos eleitorais, imaginem os meus pequenos! ( Pequenos! Tenho um aluno, que se eu não for com a minha plataforma, é do meu tamanho, por isso que não desço do salto, dá para olhar de cima!!)
Então olhei para os rostinhos deles, e na hora me veio a ideia de fazer uma eleição dentro da sala de aula para por em prática um pouco dos conceitos estudados.
Antes, pedi para que se candidatassem, apenas aqueles que gostariam de ser o representante da sala de aula. Animadinhos, levantaram as mãos.
Então, chamei candidato por candidato e fiz algumas perguntas para que respondessem e através da resposta mostrasse por que mereciam receber o voto da galerinha.
Quando chegaram na frente da classe, ficaram sem reação.
Disse que era necessário uma postura correta e uma boa entonação de voz.
Perguntei:
_ Se você pudesse fazer algo para a sala o que você faria?
Disseram que pintariam a sala de aula, pois estava muito feia, que trocariam o uniforme, que ampliariam a escola, daria material para quem não tivesse.
_ Que pedido você faria para a diretora em prol da sala?
Mais eventos, mais brincadeiras.
Agora, quando perguntei qual o pedido que fariam para a professora...
Menos lição de casa, mais diversão, nota azul para todo mundo, que ninguém repetisse de ano.
Para brincar com eles, toda hora que alguém fazia um pedido desse, eu mandava sentar e falava que iam ficar de castigo na aula de Ed. Física fazendo mil vezes a tabuada. Eles riam.
Então, depois de se exporem, pedi para que eles começassem a votar. Para isso iriam se dirigir à uma mesa que eu tinha separado e levar um pedacinho de papel e caneta para escrever o nome do candidato.
Toda vez que um eleitor ia até o local indicado, ouvia os candidatos mirins se manifestando:
- Vote em mim, vote em mim!
- Não!! Em mim.
Foi aí que um soltou:
- Pow, se você votar em mim te dou R$10,00.
Para a minha surpresa, ouço uma voz dizendo.
-Opa, o coronelismo chegou ao fim, isso não é voto de cabresto!
Nesse momento eu vibrei por dentro, pelo raciocínio rápido e a comparação feita. Não quis tirar a ilusão dele, dizendo que infelizmente essa prática ainda permanece nos dias de hoje, só que na surdina.
Então foi feita a apuração e a vencedora foi uma menina que eu sou fã. Ela é leve, espivetada, animada, descontraída e além de tudo, inteligentíssima!!! Tenho vontade de morder!!!
Hoje, ela falou para mim:
_ Tia, preciso falar com a senhora.
_ Pois não!
_ Lembra da minha promessa???
_ Qual ???
_ A que eu prometi se eu ganhasse!
Apenas me lembrava da pintura da sala de aula.
_ Ah! Sei...
_ Então, tia, eu comprei o material.
_ Você pirou , foi? Pelo amor de Deus!!!!
Ela me olhou com uma carinha de ponto de interrogação!
_ Por quê?
_ Não podemos pintar a sala!
Ela caiu na gargalhada:
_ Não, tia! O material, eu comprei alguns lápis, borrachas e apontadores e gostaria de dar.
Então disse que ela poderia passar nas mesas e ver quem precisava e aí ela poderia presentear o amigo, mas que tudo fosse de forma discreta.
Discrição! A minha aluna puxou a professora!! Não sabe o que é isso! No final foi um alvoroço!
Ah! Se todos os políticos fossem como o anjo da minha aluna, que com toda a sua pureza e singeleza cumpriu as suas palavras, e com seu trocadinho comprou um pouquinho de material para dividir com aqueles que não tinham. Não é para ficar orgulhosa????
Essas flores são para você, minha doce menina espivetada, obrigada por ser essa aluna que eu amo tanto!
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Sim, vale a pena!
_ Professora , bom dia!!!
_ Bom dia!
- Xiii, a senhora não está bem!!
Realmente eu não estava e a galera da secretaria percebeu quando bati meu ponto. Meu "bom dia" sempre é aquele "bom dia", tenho comigo que devemos separar o profissional do pessoal, mas às vezes isso é muito difícil. Somos seres humanos inteiros, não podemos deixar a metade em casa e levar apenas a metade profissional dedicada para o trabalho. Não fui mal educada, nem grossa, apenas um pouco tristonha, assim como o dia chuvoso da minha segunda-feira.
Fui para a sala dos professores, conversei um pouco com as minhas amigas.
Eis que entra o auxiliar de secretaria:
- Oi Lu, tenho uma excelente notícia para te dar. Sabe quem vai voltar?
- Mentira!!!Você está mentindo para mim. Isso não pode ser!!!
Bem, para vocês entenderem, eu tive um aluno vindo de Minas completamente analfabeto. Comecei a fazer um trabalho paralelo com ele de alfabetização, acontece que não sei por qual cargas d´água, ele foi embora.
No final do segundo trimestre me dão essa notícia. Ele está voltando!!!!
Estou com tantos casos de defasagem em sala de aula para resolver, que isso é mais uma preocupação. O trabalho que estava fazendo foi interrompido e agora quando começamos na reta final eis que a notícia estoura!
Depois de tantas emoções....começa meu dia letivo.
Explicações, exercícios, conversas, eis que surge na minha porta um rapazinho do 6º ano chamando um aluno meu de burro por ser repetente e estar no 5º ano.
Pera lá!!!
Olha só quem veio ofender meu aluno!!! Um adolescente , com seus 17 anos, mais do que repetente e defasado.
Ah, não!!!! Não consegui me conter e disse:
- Falou aquele que está no ano escolar adequado a sua idade. Meu aluno que é burro?????
Dane-se o politicamente correto e as teorias pedagógicas todas. Que ninguém ouse mexer com minha turma!
Eles perceberam que eu fiquei realmente brava e continuaram a fazer a lição com aquele arzinho de vitória estampado nos rostos.
O aluno que eu defendi é muito difícil. Indisciplinado ao extremo, gosta de tirar barato da cara de todos da classe, se acha o maioral. Já bati de frente com ele muitas e muitas vezes, mas não é por isso que vou permitir que os de fora mexam com ele.
No final da aula, algumas crianças sempre vem me dar um beijo de despedida e para a minha surpresa o meu terrível enfrentou a galera e veio me beijar também.
Eu, conhecendo bem a fera, entendi o recado.
Quando as minhas dúvidas surgem e me pergunto se vale a pena por tudo que a gente passa , a resposta que encontro é só uma: COMO VALE!
_ Bom dia!
- Xiii, a senhora não está bem!!
Realmente eu não estava e a galera da secretaria percebeu quando bati meu ponto. Meu "bom dia" sempre é aquele "bom dia", tenho comigo que devemos separar o profissional do pessoal, mas às vezes isso é muito difícil. Somos seres humanos inteiros, não podemos deixar a metade em casa e levar apenas a metade profissional dedicada para o trabalho. Não fui mal educada, nem grossa, apenas um pouco tristonha, assim como o dia chuvoso da minha segunda-feira.
Fui para a sala dos professores, conversei um pouco com as minhas amigas.
Eis que entra o auxiliar de secretaria:
- Oi Lu, tenho uma excelente notícia para te dar. Sabe quem vai voltar?
- Mentira!!!Você está mentindo para mim. Isso não pode ser!!!
Bem, para vocês entenderem, eu tive um aluno vindo de Minas completamente analfabeto. Comecei a fazer um trabalho paralelo com ele de alfabetização, acontece que não sei por qual cargas d´água, ele foi embora.
No final do segundo trimestre me dão essa notícia. Ele está voltando!!!!
Estou com tantos casos de defasagem em sala de aula para resolver, que isso é mais uma preocupação. O trabalho que estava fazendo foi interrompido e agora quando começamos na reta final eis que a notícia estoura!
Depois de tantas emoções....começa meu dia letivo.
Explicações, exercícios, conversas, eis que surge na minha porta um rapazinho do 6º ano chamando um aluno meu de burro por ser repetente e estar no 5º ano.
Pera lá!!!
Olha só quem veio ofender meu aluno!!! Um adolescente , com seus 17 anos, mais do que repetente e defasado.
Ah, não!!!! Não consegui me conter e disse:
- Falou aquele que está no ano escolar adequado a sua idade. Meu aluno que é burro?????
Dane-se o politicamente correto e as teorias pedagógicas todas. Que ninguém ouse mexer com minha turma!
Eles perceberam que eu fiquei realmente brava e continuaram a fazer a lição com aquele arzinho de vitória estampado nos rostos.
O aluno que eu defendi é muito difícil. Indisciplinado ao extremo, gosta de tirar barato da cara de todos da classe, se acha o maioral. Já bati de frente com ele muitas e muitas vezes, mas não é por isso que vou permitir que os de fora mexam com ele.
No final da aula, algumas crianças sempre vem me dar um beijo de despedida e para a minha surpresa o meu terrível enfrentou a galera e veio me beijar também.
Eu, conhecendo bem a fera, entendi o recado.
Quando as minhas dúvidas surgem e me pergunto se vale a pena por tudo que a gente passa , a resposta que encontro é só uma: COMO VALE!







