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domingo, 10 de março de 2013

Desenvolvimento

Por que amo tanto essas crianças????
Juro que gostaria de ser mais durona, não me apegar tanto...
Construímos uma sintonia muito forte, tanto que elas não gostam de ficar separadas quando eu preciso me ausentar. 
Os laços estão atados, e bem atados.
Muitas vezes não preciso de palavras, um olhar basta!
Elas me compreendem, confio plenamente em cada uma delas! São as minhas crianças. 
Minhas!!!
Fico extremamente enlouquecida quando um professor fala mal de aluno! Juro que não entendo. Se aluno é um ser tão indigesto, por que escolher a carreira da Educação?  Então que vá trabalhar com máquinas, cacilda!!!
Fico feliz ao ver como minha turma está se desenvolvendo, não só na parte pedagógica como na postura, nos gestos... Fico cheia de orgulho quando percebo que de alguma meus pequenos estão não só aprendendo, mas sim incorporando alguns conhecimentos para a vida.
Sim, eu sei, tenho inúmeros problemas para resolver dentro desse meu universo chamado sala de aula. Talvez eu não consiga, porém eu sei, e tenho a plena convicção disso, que ao partirem serão muito mais humanos, muito mais felizes!
Que Deus possa sempre florir o caminho de cada um desses pequenos e complexos seres que me fizeram sorrir todas as manhãs!
E um pequeno aviso aos navegantes: mexam comigo, mas não toque nos meus alunos e ex alunos, eu viro uma fera! =)


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Simplesmente amor...


Dia das crianças.
Data comercial.
Criança é criança, isso não muda!
Sábado precisei refazer a minha matrícula da pós, como todos sabem precisei parar tudo por um tempo. Agora é o momento de colocar em dia o que ficou para trás.
Aproveitando a minha permanência em São Paulo, comprei umas coisinhas na 25 de Março para fazer um kit lembrancinha para cada um dos meus alunos. Nada de especial, sinceramente: uma régua tipo espirografe, uma caixinha de giz de cera, um lápis com ponteira de borracha e uma jujuba.
Hoje entreguei para eles pois amanhã muitos disseram que não iriam à escola.
Pela primeira vez vi dentro dos olhos deles uma felicidade imensa, pareciam que estavam ganhando o último vídeo-game lançado no mercado! Realmente fiquei emocionada!
Resolvi passar um filme ,  fazer uma programação diferenciada, comemorar a melhor fase que temos na vida: a infância. Levei alguns dvds para que eles pudessem escolher, e para minha surpresa optaram em assistir o ET, amei a escolha da galera!
Adoraram o filme, nem piscavam. Quando chegou no final me virei para ver o rostinho deles, e para minha surpresa vejo o meu aluno mais terrível em prantos junto com outra aluna minha que também é muito sapeca! Se eu já estava emocionada ... nem preciso dizer o que aconteceu comigo! Quando os outros meninos perceberam que ele estava chorando e foram tirar sarro, ele perguntou: "e se fosse com o pai ou a mãe de vocês, vocês não chorariam? É a mesma coisa!" Percebi o quão sensível ele pode ser além de me fazer comprar estoque de maracujina para acalmar os nervos!
Depois fomos brincar um pouco, sair da sala, respirar ar... Adoro ver as crianças brincando livres... Adoro a liberdade! Juro que se pudesse a sala de aula seria o local onde menos ficaria com elas, há tantas coisas para descobrirmos juntos!
Amo demais aquelas pessoinhas... achei que nunca sentiria o que sinto por eles, pois foi e é uma turma muito difícil, muito mesmo!
Nada melhor do que um dia após o outro

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Devia ter amado mais...

Estava feliz e rindo na sala dos professores quando fui interrompida pela secretária da escola, dizendo que tinha uma mãe querendo falar comigo.
Ao lado da gentil senhora estava a minha doce aluna com um sorriso radiante  por eu estar conhecendo a sua mãe.
- Desculpe-me aparecer somente agora no final do ano, mas a minha vida é tão complicada. Vim apenas porque hoje era a troca de faixa das crianças e quis prestigiá-los.(ambos fazem taekndow)
Pedi para que a mãe se acomodasse no sofá da escola para conversarmos um pouco.
Falei da situação da filha dela, e aproveitei para falar do sobrinho também.
"A menina conseguiu se desenvolver de uma maneira melhor. Os conteúdos eram melhores assimilados, já o pequeno ..."
Foi então que ela se abriu comigo e com os olhos sinceros e cheios de lágrimas contou-me os problemas que o menino, com tão pouca idade, enfrentou e enfrenta.
Cada palavra era uma apunhalada no meu coração, e não consegui ser indiferente. Meus olhos quando fitavam os da mãe logo ficaram banhados.
Deixei que ela desabafasse, pois naquele momento senti que ela estava precisando.
Fui ficando pequena, impotente...
Tudo isso me deixou reflexiva. Minha função a princípio é transmitir conhecimentos, ensiná-los, fazer com que eles cresçam e amadureçam no seu cognitivo.
Preocupada com notas e índices, deixei a desejar na parte das relações humanas.
Por que eu não olhei com mais atenção para o meu aluno?
Por que eu não ouvi seus gritos tão silenciosos????
Por que não decifrei seu olhar que agora eu sei, era e é tão cheio de dor???
Dezembro chegou... e agora, Luciana????

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Carência


Como ando carente, meu Deus!!!
Estou como aqueles cachorrinhos chatos que não podem ver ninguém, que já dão a patinha em busca de um cafuné.
Hoje a escola estava com um cheiro terrível de tinta! As crianças foram avisadas e tendo o direito de voltar para a casa, pois no período anterior 30 passaram mal e para evitar esse tipo de problema, fomos ao portão comunicar o estado em que se encontrava a escola.
Acontece que tem crianças que frequentam o programa de  contraturno e não podem ser dispensadas. Então elas entraram e a direção entrou em contato com os pais.
Uma aluna minha estava nessa leva.
Ela quando me viu veio me abraçar, e ficou ali aconchegada. Ela segurou na minha cintura, e deixou o tempo passar.
No início do ano, eu travei uma guerra com ela.
Uma guerra que se fez necessária, pois sua postura era péssima, as palavras utilizadas em sala de aula do nível mais baixo que vocês possam imaginar, não realizava as atividades, estava totalmente desmotivada.
Chamei a mãe por várias vezes para conversar sobre a filha.
Conversei com a pequena, zilhões de vezes.
Ela me cansava emocionalmente, psicologicamente e fisicamente.
Quando saía para o recreio, o inferno continuava.
Corria para bater nos meninos, subia as escadas querendo visitar os alunos dos outros anos, gritava como louca  e eu sempre no seu  pé.
Com o passar do tempo, a mudança começou a bater na sua porta.
Aos poucos tornou-se mais feminina,  carinhosa, dedicada.
Suas avaliações tiveram uma melhora de quase 100%.
Tornou-se quase uma Lady Di!
Relembrando e escrevendo essas linhas, lágrimas bobas surgem dos meus olhos.
Comparando a forma como ela era arredia no início e sentindo ainda os seus braços envoltos no meu corpo tão cansado de um ano de trabalho, eu me emociono.
Todos os dias, ela vem com um caderninho, e pede para que eu escreva a data do dia, e se ela teve um bom comportamento ou não.
O final do ano está chegando  e eu terei que dar passagem  para que eles prossigam , cresçam, amadureçam, mas a saudade será imensa.
Posso não ser a melhor professora do mundo (ainda), mas o amor que eu tenho por eles certamente é maior do que qualquer falha que eu cometa.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ela não compareceu....

Esperei-a por todo meu dia.
Ficou o vazio.
Não pude entregar o que preparei. Dentro de um armário qualquer coloquei meus sentimentos e numa sacolinha de papelão  toda a minha doçura.
Não houve um último abraço, um beijo de despedida.
Ela apenas se foi deixando em mim um vazio grande.
Ciclos se fecharam , para num lugar distante iniciarem outros.
Ela se foi, e eu fiquei com um nó na garganta e uma lágrima no canto dos olhos...
Boa sorte, minha pequena!!! Seja feliz!

domingo, 7 de novembro de 2010

Despedida...


Um dia saberei lidar melhor com as minhas emoções. Saberei amar com um pouco mais de distância, criando em mim um escudo que  não me faça sofrer tanto.
Evitarei os erros cometidos esse ano e sei que falharei em outras ações.
Agora é tarde demais, eu tentei não me envolver tanto emocionalmente, procurei manter o máximo de distância possível, mas quando me dei conta, lá estava a professora Luciana amando mais do que deveria a sua turma.
Travei um guerra esse ano com uma aluna minha para que houvesse melhora não apenas na parte cognitiva mas sim na sua postura.
Conversei inúmeras vezes, mostrei que atitudes como a dela não a levariam a lugar algum, dei meu amor, procurei fazer com que ela visse a linda menina que era . Tudo estava melhorando até o dia que ela chega revoltada na sala de aula, e a amiga diz:
-É porque ela vai embora para a Bahia.
- Como???
- É, ela vai embora...
Como ela poderia ir embora assim de supetão no final do ano???? Como???? Isso parecia coisa inventada....
O comportamento da minha aluna que tinha tido uma melhora significativa foi regredindo.... regredindo...
Sua fala começou a mostrar uma certa revolta e se dirigia a mim como se eu tivesse a mesma idade dela.
Chamei por diversas vezes a sua atenção.
Sexta-feira me dirigi a secretaria e perguntei se era verdade que a minha aluna estava pedindo transferência e eu ouvi a resposta que tanto temia.
- Sim, segunda ela estará partindo para a Bahia.
Aquilo caiu em mim como um balde de água fria. Pedi apenas para que quando a mãe aparecesse para que me chamassem e eu pudesse falar com ela.
Cheguei na sala de aula, e depois de um tempo, a menina fala comigo com um tom nem um pouco agradável.
Por eu tê-la advertido diversas vezes, encaminhei-a à diretoria.
A sós ela me pediu desculpas e disse:
- Tia, me perdoe, eu acho que a senhora é minha amiga por isso que falo assim.
- Amor, antes de ser tua amiga, eu sou a tua professora, e você me deve respeito não só por isso, mas sim porque em qualquer relacionamento o respeito deve se fazer presente sempre. A forma que você estava falando comigo não se deve falar com ninguém. E eu já tinha te advertido a respeito disso.
Quando a diretora chegou, voltei para a sala.
Logo após ela entrou na sala caladinha.
Dói em mim tomar certas atitudes, mas se eu não me impor tudo começa a desandar.
A mãe veio, e pedi para que ela me trouxesse a pequena para eu poder me despedir dela e a orientei que pelo amor de Deus ela matriculasse logo a pequena em uma escola, independente se é ou não fim de ano.
As despedidas são tão doloridas quando o amor existe... E eu amo essa menina. Sentirei saudades do sorriso mais lindo da minha sala de aula e nas minhas orações o seu nome estará presente...
Estou preparando um vídeo com os melhores momentos do ano que passamos juntas e junto com ele um livro do Vinicius que meus amigos estão me ajudando a conseguir para a turma, farei um pacotinho e darei antes dela partir.
Preciso urgentemente me endurecer um pouco para evitar sofrer mais...

(Essa música ela sempre cantava para mim, hoje a homenageio postando esse vídeo.)