quarta-feira, 29 de setembro de 2010
CRIANÇAS SÃO CRUÉIS!
Hoje, me senti como se estivesse dentro de uma guerra. Cheguei em casa tão cansada, sem energia para nada. Como é difícil a minha profissão! Os pais largam por vezes seus filhos na escola por não aguentarem eles dentro de casa, imaginem 39 juntos sob minha responsabilidade além da intelectual, a responsabilidade da integridade física e emocional.
Um aluno meu esteve suspenso por uma semana por ter se envolvido numa briga dentro da escola. A decisão não foi minha e sim da direção. Com toda a minha sinceridade, sem a presença dele consegui trabalhar um pouco melhor, já que quando ele está dentro da sala, meus dias são dificílimos, como o de hoje!
Ele me enfrenta diariamente, me testa o tempo todo. Acontece que eu sei muito bem me impor perante as suas atitudes e a intenção que ele tem de me desmoralizar sempre acaba sendo voltada em sua própria direção.
Ontem, o seu parceiro de "comportamento exemplar", meio fora de si, falou em bom tom que viu duas alunas catando lixo, que elas eram lixeiras.
Eu fiquei iradíssima!
Uma das alunas em questão, tenho trabalhado arduamente para que ela mude a sua postura, para que sua auto-estima se eleve, para que seus complexos se abrandem. Todos os dias eu luto com essa menina, eu olho feio para ela quando faz algo de errado , ela me entende e imediatamente para.
Numa das nossas conversas, ela tinha me confessado que catava latinhas para ajudar a mãe, pois assim aumentaria a renda de casa. Conversei com ela a respeito do trabalho infantil, porém sua atitude era louvável, afinal ela estava ajudando a sua renda dentro de casa de uma forma honesta estava ajudando o meio ambiente, e que além disso, o rendimento dela na escola tinha melhorado bastante.
Quando ele disse isso, Deus me segurou e lembrei do juramento que fiz no dia da minha formatura.
Quem é ele para menosprezar a menina dessa forma?
Quem é ele para menosprezar um trabalho honesto?
Quem???????? Quemmmm?????
Enchi meu coração de calma, e dei minha opinião com firmeza e dei o assunto por encerrado.
Hoje, ele o ressuscita , contando para o outro o que viu e descobriu.
Esse menino usa de uma soberba irritante e começou a humilhar minha aluna. Apenas olhei para ela com as seguintes palavras no olhar:
- Não se manifeste, não perca a razão, deixa comigo!
Novamente, falei sobre o assunto e ele não estando contente começou dizendo que ela que precisava catar o lixo da sala de aula pois já estava acostumada. Que a sujeira que ele joga, quem tinha que pegar era ela.
Rodei a baiana com ele, fiz o registro no caderno de ocorrências e comuniquei a direção que farei um relatório dos alunos em questão e que vou querer que eles me ajudem tomando alguma providência.
Não é justo, realmente não. Ao menos para meus olhos! Se Piaget e Vygotsky acharem que eu estou errada, sinto muito!
Depois, ele guardou o seu material e disse:
- Bom, eu vou embora!
- Como é que é?
- Não estou fazendo nada mesmo, e vou embora!
Meus 1,74 de altura triplicaram-se!
- Você só vai embora quando o sinal tocar!
O menino sossegou por um tempo, convoquei a sua mãe (pela milésima vez) e logo estarei entregando um relatório para a diretora.
Fico boba de ver e presenciar a crueldade tão precoce nesses corações!
Espero que ele aprenda a ser mais humilde, e entender que a vida não é assim como ele quer sem tanta dor, pois se continuar indo por esse caminho, ela será inevitável.
Deus, ajude essas crianças!
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Ciúmes
Com alguns dilemas internos e pessoais, comecei a minha semana meio reflexiva.
Ando sem dormir direito, durante a noite minha cabeça começa a trabalhar e não me deixa descansar.
Quando coloco meus pés na escola, meu coração se enche de felicidade!!! Por mais que algumas situações desagradáveis aconteçam, por mais que eu precise lutar diariamente contra essa Educação caótica que nosso país está vivenciando, eu sou extremamente feliz , e isso posso dizer isso com toda a minha convicção até o dia de hoje!
Encontrei e reencontrei pessoas especiais que transformam meu cotidiano muito mais cheio de luz!
Além disso, tenho minhas crianças tão intensas junto com todo esse universo fantástico e alucinado que eu relato aqui nesse meu humilde cantinho. Cantinho este que também acabou me aproximando de pessoas tão carinhosas, humanas e sensacionais que não permitem que a minha peteca caia, a cada visita, a cada comentário!! Meu muito obrigada!
Dizem que os alunos são um pouco o reflexo do professor, olho para eles e penso: será? Porém hoje, uma situação, me fez perceber que talvez essa afirmativa tenha razão.
Confesso que dentro de mim o ciúmes faz moradia. Não permito que ele coloque suas asas pra fora, pois quando suas asas batem as relações se tornam difíceis. Já me peguei em várias situações que precisei respirar fundo e desviar meu pensamento para não fechar a cara e ficar emburrada!
Hoje, estava passando umas anotações para meus alunos copiarem, e minha blusa sem querer subiu.
Imediatamente ouço:
- Professora, trate de abaixar essa blusa agora! Imagine se alguém entra?
Gente, eu vou trabalhar quase como uma Madre Teresa de Calcutá, e ainda fui obrigada a ouvir isso!
- Tia, não gosto. Tenho ciúmes!
Para acabar com a crise da minha aluna abaixei logo!
Depois, quando o sinal tocou para a hora do recreio, vieram me inspecionar para ver se tudo estava no seu devido lugar.
Eles me fazem mil perguntas, se namoro, se tenho filhos, se sou casada, se estou apaixonada.... etc, etc.... e quando respondo as devidas perguntas, ficam aliviados! É muito engraçado!
- Tia, quando a senhora casar, a senhora vai convidar nóis?
- Nóis eu não convido, talvez "nós" , sim!
- Sério????
- Uai, porque não?
Mal sabem eles, que mal tenho namorado, muito mais casamento à vista!
Se bem que com essa turminha é melhor eu ficar solteira!
Eita povo ciumento!
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
DESPERTANDO....
Minhas crianças descobriram meu orkut pessoal e freneticamente começaram a me mandar convites para fazer parte da lista deles.
Acontece que antes de ser professora sou uma pessoa comum , e sendo assim, seria hipócrita dizendo que sou santa! Meu orkut particular não é local para as crianças frequentarem. Não por nada, mas tenho amigas que às vezes me mandam recados engraçados, outros proibidos para menores de 11 anos! Para solucionar esse problema criei um especial para eles, e fui bem clara:
- Fiz um especialmente para vocês!
Lá eu sou a Luciana somada com a Professora, e sem as minhas amizades doidinhas!
E foi bem interessante ter feito essa ferramenta. Pude me aproximar de algumas crianças. Quando têm dúvidas, me procuram através dos recados, e escrevem palavras carinhosas.
Sempre retribuo o que recebo, com toda a sinceridade e amor.
Estou falando isso para chegar na mensagem escrita por uma aluna minha.
Não tem nada mais gratificante quando você se dá conta que elas estão começando a despertar para um mundo que não é apenas lousa e giz, e sou defensora que as manifestações artísticas ajudam no desenvolvimento cognitivo, social, pessoal desses seres tão fantásticos que são as crianças.
Estou trabalhando a Arte em seus vários aspectos, e depois que eles se apresentaram na Festa do Folclore, algumas dessas mostraram um interesse grande por este mundo que tanto amo!
Na semana das crianças, nos dias 13 e 14, vai acontecer dois dias atípicos na escola.
Um dia terá oficinas diversas com pet e Festa a Fantasia, inclusive já estou preparando a minha!!! Graças a Deus encontrei professoras que também entram na minha loucura e eu na delas! E a outra será a Festa dos Anos 60, com outras atividades para eles poderem realizar de forma lúdica!
Então, ao logar o orkut, recebo a mensagem que estava escrita mais ou menos assim:
- Professora, não seria legal a gente apresentar uma dança todas vestidas com saias de bolinhas ??? O que a senhora acha?
Ler esse recado fez com que toda a minha angústia e todo o tormento do meu dia, que foi bem barra pesada, sumissem como num passe de mágica como no toque da varinha de uma fada madrinha!
A minha resposta não poderia ser outra:
"...Pode sim, o que vocês quiserem eu apóio e brigo para que aconteça.
Amo pessoas com iniciativa..."
Foi uma atitude que muitos podem julgar pequena, mas para mim foi tão grandiosa! Saber que algo foi despertado nela , que a vontade de fazer o novo reside dentro daquele coração , do anseio da renovação... Não poderia ficar em estado mais cheio de graça como o que estou hoje.
E podem ter certeza, se elas quiserem, vai acontecer.
TENHO TANTO ORGULHO DA MINHA TURMA, MESMO COM TODOS OS PROBLEMAS ENFRENTADOS!
SOU A PROFESSORA MAIS FELIZ DO MUNDO , DIGO ISSO SEMPRE COM A ALMA ABERTA....
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Sozinha na luta da decisão final!
Ultimamente ando num dilema interno que está me tirando o sono: final do ano está chegando, e com ele a decisão do futuro dos meus pequenos está nas minhas mãos.
Eu leio, penso e repenso muito sobre a reprovação. Não sou nenhuma grande educadora , as teorias que estão escritas contesto-as sempre, pois muitas são utópicas. Os grandes pensadores que me desculpem, mas essa é apenas a minha humilde opinião.
Eu tenho alunos que eu tive que ir para a guerra durante esse ano. Lutei com todas as minhas armas, mas não basta apenas uma parte querer, ambas precisam estar dedicadas e interessadas , pois o esforço acabará sendo em vão.
Hoje, um aluno faltou , e o vi na hora da saída. Perguntei a ele a razão pela qual ele tinha se ausentado da aula e a resposta foi a mais sincera possível: não quis ir para a escola. Ele é um dos quais eu luto diariamente. Conversei a sós com meu pequeno, chamei a família, convoquei-o para o reforço, mas nada adiantou. A família não me apóia, o aluno "cabulava" o reforço, nas aulas brincadeiras constantes aconteciam.
Escola é chata, eu sei. Procuro fazer dela o mais interessante possível, porém estou desolada, triste, angustiada.
Estou com um projeto que preciso de recursos. Escola sem dinheiro, o jeito é pedir ajuda para os amigos. O máximo que poderei retribuir a esses anjos, será com o agradecimento dos meus pequenos em forma de uma foto com uma dedicatória.
E esse meu tormento é constante.... as teorias começam a rodar dentro de mim , e fico sem saber o que fazer. Totalmente desnorteada, sei que irei errar em algumas decisões.
A culpa é minha? É do sistema???? É do aluno???? É da família????
Juro que eu não sei.
Aprendemos que só errando é que se acerta no futuro, mas essas decisões refletem num futuro que não é meu. Estou numa guerra solitária e como cega em meio a um tiroteio.
Converso tanto , tento dar a noção da importância da postura deles perante a vida. Falto apenas implorar!
Vocês não podem imaginar hoje o tamanho da minha dor.... Muitos poderão pensar que ainda tenho tempo, afinal estamos só em setembro, mas não é por aí... o tempo está passando na velocidade da luz. e eu gostaria de poder aprisionar toda a luz que passa por mim e presentear a cada um dos meus 39 alunos.
E agora, professora ???? O que fazer????
Sozinha apenas choro... é meu jeito de desabar!
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Assumir suas atitudes
Confesso aos meus leitores, que mais erro do que acerto. Sinto-me crua e tão inexperiente, mas apesar de todos os medos que sinto dentro do meu mundo particular, no profissional eu arrisco a fundo.
Não posso deixar passar em branco algumas falas dos meus alunos sem chamar-lhes a devida atenção.
Alguns, podem me criticar dizendo que são pequenos e que não entendem...
Como dizia a minha mãe, é de pequeno que se torce o pepino.
E o pepino se torce? Nunca entendi muito bem o que quer dizer, mas deixa para lá!
Hoje, houve um contratempo dentro da sala de aula , enquanto esperávamos a professora de Educação Física chamar a turma .
Acontece que ela precisou se ausentar por alguns minutos a serviço da escola.
Odeio injustiças, não só apenas com meus alunos, mas quando o mesmo acontece com uma companheira, eu a defendo com unhas e dentes, e foi isso que aconteceu hoje.
Ao ouvir a seguinte frase, fiquei uma arara:
- A professora não está querendo dar aula!
Na hora que essas palavras entraram dentro dos meus ouvidos, eu dei uma chamada neles!
Falei sobre julgar as pessoas de maneira errada, sem ter conhecimento verdadeiro dos fatos, falei sobre imprevistos, falei... falei... falei... e avisei que ele teria que repetir isso diante dela.
Sinto muito, essa situação não poderia ficar em brancas nuvens.
Então a professora chegou e com toda a boa vontade foi buscar meus pequenos.
- Por favor, repete para a professora o que você me disse! Virando-me para ela, disse: E a senhora, se depender de mim está dispensada.
Na frente dos alunos nos tratamos como senhora, professora, sempre usando palavras que demonstrem respeito.
O menino ficou branco, amarelo, roxo, azul... Não pensou que eu tomaria essa atitude.
Até que ele repetiu.
Então continuei meu discurso a respeito da importância de assumir o que se fala e as atitudes perante a sociedade. Que quando acreditamos em algo, ou se a pessoa têm razão, ela pode argumentar e defender o seu ponto de vista. Explanei sobre a importância da palavra proferida. E, que eu estava muito decepcionada com o restante da classe, pois ninguém levantou a voz a favor da professora, que a atitude de defender uma pessoa que está inocente, é muito valiosa e importante num convívio social, expondo com clareza o porquê dessa defesa, e que assim é com tudo na vida da gente.
Um outro aluno disse que seria injusto todos ficarem sem a atividade por causa de um, e eu disse que eles ficariam sim, porque além de tudo , ele estava incitando um tumulto e que algumas crianças já estavam aderindo a ideia.
Eles não piscavam, e no recreio uma aluna me disse que se sentiu envergonhada em não ter ido em defesa da professora, e que aquilo serviu como lição para ela.
Que bom! Espero que eles despertem do berço esplêndido!
sábado, 18 de setembro de 2010
PURO ÊXTASE!
Eu fico fascinada com o potencial escondido dessas minhas crianças.
Como já relatei, eu dei uma aula sobre fotografia e disse que faria uma exposição fotográfica do trabalho dos alunos.
Pedi, então, para que me trouxessem uma máquina para podermos fotografar a escola.
Infelizmente, apenas 6 meninas trouxeram. Não posso ficar adiando o meu trabalho toda vez que a turma não leva o material solicitado. Se fosse um número maior, eu daria um jeito de fazer um rodízio, mas 6 alunas para 40, o trabalho não renderia. Já que eles teriam aula de Educação Física, pedi para a professora dispensar essas crianças para poderem clicar a escola!
Então lá fomos nós!
Expliquei e relembrei a aula teórica dada. A princípio ficaram me olhando certamente pensando que sou doida!
Aos poucos começaram a se soltar e a fotografar. Disse para usarem da ousadia, e uma me perguntou:
- Se na privada tiver cocô posso fotografar????
- Claro que pode, na fotografia artística você tem a liberdade total para criar, estamos fotografando a realidade da nossa escola, e se o cocô estiver lá é porque não deram descarga, certo? Então está no contexto do nosso trabalho, entendeu?
Todas acabaram indo para o banheiro a procura de algum cocô flutuante, eu não me arrisquei, preferi esperar a turminha voltar.
Adoro observar a criançada criando e trabalhando!
Cada foto legal que elas tiraram, e claro que um dos motivos que elas sempre queriam clicar era a professora!
Eu fiquei fascinada e emocionada com as imagens que me mostravam! Cada contraste de cores, ângulos... Cada olhar!!!
Quando olho para uma aluna, ela estava no chão numa posição totalmente inusitada, tentando fotografar algo que eu não consegui captar! Depois, quando eu receber os cds certamente descobrirei.
Não fiz questionamentos, apenas pedi para usarem da criatividade, da ousadia, dos flagras que poderiam capturar nas lentes!
- Tia, a senhora sabia que eu sempre quis ser fotógrafa?
- Então, vai fundo!
E ela sorriu!! E meu coração também!
Semana que vem, começarei a dar aula sobre História da Arte para eles!!!
Pena que um ano é tão pouco, para tanta coisa que eu quero fazer com essa turma!
sábado, 11 de setembro de 2010
MUITO BRAVA!!! MEXE COM QUEM AMO, MEXE!!!!! TORNO-ME FERA FERIDA!
O que vocês fariam se as pessoas que vocês tanto amam fossem humilhadas????
Hoje, na escola , aconteceu a festa do Folclore. Vocês devem estar surpresos com a data tardia.
Alguns fatores internos impediram de ser na época justa. O importante é que aconteceu.
É muito difícil o processo das mudanças, e as falhas ocorridas acabam desistimulando as pessoas.
Não vou ser hipócrita de dizer que não me abalo quando percebo o desinteresse de alguns. Fico com vontade de parar tudo, e continuar com a mesmice. Mas meu caráter não é assim. Acredito e quero as mudanças.
No evento de hoje, aconteceria algumas apresentações de dança e uma peça teatral, que certamente seria encenada pelos meus amados alunos, além das oficinas e brincadeiras.
Minha turma ensinaria outras crianças a fazer o ioiô com lastex , barbante e jornal. Estipulei quatro monitores e "professores" para serem responsáveis por tudo que aconteceria na sala.
O poder e a responsabilidade estavam nas mãos daquele quarteto, que não era fantástico mas acabou se tornando mais do que isso!
Quanto ao meu elenco, os ensaios aconteciam quase que diariamente.
Hoje, quando chegamos na escola as falas estavam todas na ponta da língua.
Disse que o figurino ficaria por conta deles. De uma certa forma estava me arriscando, e se eles não fizessem ou não levassem a sério? Acho que teria um siricutico.
Quando vi o trabalho que fizeram, percebi que ali estava um elenco profissional!
Não consegui ver defeitos em nada!
Infelizmente, a representação acabou acontecendo na quadra. A acústica péssima, ventava muito e o som acabou pifando.
Minhas crianças não tem voz com um potencial forte para isso, e encararam tudo na raça, no profissionalismo, na coragem, com dedicação extrema e felicidade. A plateia não parava de conversar para ajudar, e no final quando tudo terminou, as vaias foram ensurdecedoras.
Aquilo foi ferindo as minhas entranhas, me consumindo, vi o rosto de decepção da minha turma, e mesmo que eu perdesse naquele momento o meu emprego, não poderia deixar barato!
Quem me conhece, sabe que o meu tom de voz ao natural é muito "baixinho", imaginem quando ela está possuída pela raiva pelo o que tinha acabado de acontecer!
Sinceramente, acho que o outro lado do mundo me ouviu!
- Olha aqui!!!! Meus alunos foram maravilhosos, se dedicaram, ensaiaram, confeccionaram tudo sozinhos! A acústica não ajudou , muito menos a educação de vocês e, para finalizar, os únicos merecedores das vaias são vocês que não sabem se portar numa apresentação!
Peguei meus pequenos, e fomos para o canto da quadra. Depois de um bom tempo, conseguiram um microfone e pediram para eles reapresentarem a peça.
Por mim, eu teria ido embora com eles para classe , porém o pedido veio da chefia e com certa insistência.
Com toda razão, disseram que não voltariam lá.
Então, usei de todo meu amor e carinho, conversei bastante com eles. A minha aluna começou a chorar, dizendo que o que eles fizeram era muito feio e que eles não tinham nenhuma educação .
Como tirar a sua razão?
Depois de dialogar, abraçá-los, beijá-los, resolveram entrar em cena.
Mas, a minha querida estava com uma cara muito emburrada.
Juntei a turma e disse:
- Se vocês não melhorarem essa cara, eu vou ficar tão triste que vou soltar um peido fedido!
Todos caíram na gargalhada, e encenaram com um sorriso lindo e com todo o brilho que mereceram.
Eu, fiquei tão orgulhosa deles, que meu corpo tornou-se pequeno para comportar a felicidade que tomou conta de mim.
Depois, teve venda de doces e salgados. E vi que alguns alunos não tinham um centavo para gastar.
Como já disse, estou dura para dedéu! Fui catando tudo que era moeda de dentro da bolsa, e milagrosamente consegui dar um real para cada um daqueles que não tinha dinheiro. Disse que era para comprar um doce e um refrigerante! Me abraçaram , me beijaram, falaram que eu era a melhor professora do mundo!!!
Não, eu não sou não. Sou falha demais, erro muito, mas ninguém pode me acusar de não amar.
Porque eu também amo demais!!!
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Lenços e gorros
Voltando a falar um pouco sobre exemplos, é impressionante como os alunos reparam nos seus professores!
Eu, como toda mulher, vivo brigando com a balança. Então faz algum tempinho que estou na dieta, e pasmem, ela está surtindo efeito!
Algumas calças tamanho ggggg passaram a ser gggg! E eu, assim como 99% da população brasileira, ando numa fase econômica meio crítica, até mesmo devido as despesas com o Congresso.
Nunca gostei muito de cintos, sei lá, eu não consigo me adaptar a eles. Cada calça tem uma largura e isso é frescurite demais para a mim. Só que com a dieta, minhas roupas começaram a ficar largas, e eu dura e sem um tostão para comprar novas calças! O que fazer?
Precisava dar aula, então me lembrei de um lenço, e coloquei no lugar do cinto.
Aquilo foi o bafafá do dia!
As meninas adoraram, falaram que eu era a professora mais linda da escola! Seria maldade eu mandá-las procurar um oftalmologista, mas deixei que elas enchessem minha bola. Quem não gosta de receber elogios tão puros como os de uma criança?
Pois bem, ontem uma aluna minha, veio com um lencinho amarrado da mesma forma que eu fiz, toda prosa! Achei o máximo!
Máximo também achei quando eu entrei na sala de aula com um gorrinho em forma de boné. Estava frio e ele combinava com meu casaco, e resolvi usar, mas depois que entrei na sala, tirei- o e guardei na minha mochila.
- Tia, fica com ele, fica! A senhora está tão linda!
- Não posso, eu estou dentro da sala de aula, e se eu peço para os meninos tirarem os bonés seria incoerente eu ficar com o meu.
- Mas a senhora é professora!
- Sim, e por isso mesmo, sou obrigada a tirar.
- Mas o fulano não tira!
- Só que eu tiro!
E me olharam como se eu tivesse feito algo de tão extraordinário!
O exemplo, como sempre digo, vem de cima!
Eu, como toda mulher, vivo brigando com a balança. Então faz algum tempinho que estou na dieta, e pasmem, ela está surtindo efeito!
Algumas calças tamanho ggggg passaram a ser gggg! E eu, assim como 99% da população brasileira, ando numa fase econômica meio crítica, até mesmo devido as despesas com o Congresso.
Nunca gostei muito de cintos, sei lá, eu não consigo me adaptar a eles. Cada calça tem uma largura e isso é frescurite demais para a mim. Só que com a dieta, minhas roupas começaram a ficar largas, e eu dura e sem um tostão para comprar novas calças! O que fazer?
Precisava dar aula, então me lembrei de um lenço, e coloquei no lugar do cinto.
Aquilo foi o bafafá do dia!
As meninas adoraram, falaram que eu era a professora mais linda da escola! Seria maldade eu mandá-las procurar um oftalmologista, mas deixei que elas enchessem minha bola. Quem não gosta de receber elogios tão puros como os de uma criança?
Pois bem, ontem uma aluna minha, veio com um lencinho amarrado da mesma forma que eu fiz, toda prosa! Achei o máximo!
Máximo também achei quando eu entrei na sala de aula com um gorrinho em forma de boné. Estava frio e ele combinava com meu casaco, e resolvi usar, mas depois que entrei na sala, tirei- o e guardei na minha mochila.
- Tia, fica com ele, fica! A senhora está tão linda!
- Não posso, eu estou dentro da sala de aula, e se eu peço para os meninos tirarem os bonés seria incoerente eu ficar com o meu.
- Mas a senhora é professora!
- Sim, e por isso mesmo, sou obrigada a tirar.
- Mas o fulano não tira!
- Só que eu tiro!
E me olharam como se eu tivesse feito algo de tão extraordinário!
O exemplo, como sempre digo, vem de cima!
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Delírios em conjunto
Esse blog nasceu a princípio para eu simplesmente poder escrever. Quando dei à luz a esse meu cantinho, eu estava completamente apaixonada, com meu coração e mente voltada apenas em direção à vítima do encantamento do meu coração.
O romance terminou, e com ele todos os sonhos a dois que criei para o casal que era (im)perfeito aos olhos do meu sentimento.
Então, o que fazer com esse espaço que antes era permeado de estrelas, flores, libélulas....?
Achei mais do que justo, eu continuar a falando de amor. Um amor mais sólido, mais vivo, aquele me impulsiona sempre para o futuro. Que me dá forças e vontade para ser mais e melhor.
Falar da minha profissão.
Sinto tanto orgulho em encher a boca e dizer que sou professora! Professora do Ensino Fundamental!
Estou engatinhando ainda, porém sei que logo estarei caminhando ereta e de cabeça erguida.
Às vezes, releio algumas passagens, e repenso minha prática.
Sei que lá pra frente, quando fizer o mesmo, apesar das falhas encontradas, concluirei que dei o meu melhor para minhas crianças.
Sempre que posso, procuro dar uma desviada no conteúdo para falarmos do nada e do tudo.
Gosto de analisar e perceber as diversas formas de pensamentos existentes dentro do meu mundo cotidiano. Daquelas crianças que são tão fascinantes e que nem se dão conta disso.
Estávamos na aula de português falando sobre valores sentimentais. Contei para eles dos tesouros que já recebi na minha vida: bilhetes de alunos, abraços inesperados, sorrisos francos... Expliquei que nem sempre aquilo que é comprado e que custa muito é valioso.
E o assunto prosseguiu até chegar no vencedor da mega sena dessa semana. O ganhador mora no bairro onde leciono, mas que nem sei quem é!
- Classe, já pensou se eu ganhasse toda aquela bufunfa? A primeira coisa que eu faria, era passar uma semana em um spa!
A alegria foi geral, me fingi de brava:
- É assim que vocês gostam de mim??? Querendo se ver livre??
- Não, tia!!! É porque a senhora iria descansar bastante!
- Ah! Bom! Isso eu ia mesmo, então voltaria toda relaxada mas com todo o gás, e aí vocês não iam conseguir nem respirar!!!
- Tia, a senhora iria pintar esse armário, né?
- Afff, larga a mão de ser burro! Com todo o dinheiro que a tia iria ganhar, ela ia comprar um armário novo!
Eles ficam indignados ao ver meu armário que a outra turma tentou arrombar e que ainda divido com a outra professora!!!
- É, a tia ia comprar um armário novo e ia mandar pintar a nossa sala!!!!
- Só a nossa sala não! Ia pintar a escola toda!!!
- Que mané a escola toda, só a nossa sala.
- Pensa comigo, tem que ser a escola toda, afinal ano que vem estaremos em outra sala, né?
E assim começaram a viajar com o dinheiro que eu nem ganhei!!!
Comecei a viajar com eles, e disse que a escola ia se tornar bem colorida, os armários seriam coloridos, e que a nossa escola seria maravilhosa!!!
- Tia, a senhora ia comprar material novo para gente?
- Claro e muito mais!!!!
É fascinante perceber o brilho nos olhos das crianças quando elas pegam carona nos nossos delírios, e quando naquele momento não existe professor e nem aluno, e sim seres humanos compartilhando sentimentos e sonhos.
E mais uma vez, o coração apertou.
Mais uma vez, me veio o ano de 2012 na mente.
E mais uma vez, uma lágrima silenciosa brotou da minha alma.
Acredito, que eles nunca saberão o quanto eu os amo, que se eu pudesse eu transformaria o mundo de dores, tristezas e incertezas que eles vivem num futuro muito mais colorido que a escola que juntos sonhamos.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Quero ser sempre dependente desse universo mágico: a sala de aula! ...
O dia até que foi produtivo. Porém, mais uma vez precisei interromper a aula para explanar sobre a violência.
Quanta dificuldade o educador tem ao tentar fazer com que eles interiorizarem que ela não leva a lugar algum.
Para tentar ser explícita , disse que se ela resolvesse os problemas do mundo e da vida, todo santo dia eles levariam da professora querida uma surra , e assim todo o conteúdo que eu luto tanto para que eles absorvam, num passe de mágica ou num passe de porrada, eles guardariam eternamente.
E eles acabaram rindo...
E eles acabaram rindo...
O que me fascina é a atenção e o brilho que existe nos olhos dos meus alunos. Eles gostam quando eu falo bobeira, quando tenho meus "ataques de pelanca".
Como por exemplo...
Hoje , eu acho que eles comeram repolho com ovo antes de entrarem na escola.
Era bufa atrás de bufa. E cascavam o bico quando eu reclamava do "peido". Saía da sala, e fechava a porta brincando com eles, dizendo que ficariam com o cheirinho só para eles....
Depois de minutos, novo riso, nova bufa...
E assim foi na aula de matemática, português ...
Bem, eu tinha pedido um trabalho básico sobre a Independência do Brasil. Na verdade, eu acho um porre, mas depois que eu perguntei o que seria comemorado no dia 7 de setembro e a resposta que obtive foi: o dia da bandinha, me vi obrigada a trabalhar o conteúdo.
Como previ, poucos foram os alunos que entregaram, e já tinha uma carta na manga.
Primeiro, passei o nome inteiro do D. Pedro I. Ficaram fascinados ao ver quantos nomes faziam parte do seu nome.
Depois fiz um brevíssimo panorama desde o Descobrimento até a data em questão.
Davam risada quando eu fazia o sotaque do D. João, perguntavam porque eu estava falando daquele jeito. Respondi que eu, D. João era português e que português falava assim, ó pá!
Quiseram saber mais a respeito do D. Pedro, e num determinado momento saiu o assunto sobre a infidelidade do Imperador.
Com tato e cuidado, disse que ele era casado, mas que gostava de ter também algumas outras namoradas.
- Ô tia, fala sério, era amante mesmo!!!!
Bem, a tia ficou com cara de pastel, tanto cuidado para nada!!!!
A risada foi geral, e para finalizar meu aluno funkeiro terminou:
"Traição é traição
Romance é romance
Amor é amor
E um lance é um lance"
E assim foi na aula de matemática, português ...
Bem, eu tinha pedido um trabalho básico sobre a Independência do Brasil. Na verdade, eu acho um porre, mas depois que eu perguntei o que seria comemorado no dia 7 de setembro e a resposta que obtive foi: o dia da bandinha, me vi obrigada a trabalhar o conteúdo.
Como previ, poucos foram os alunos que entregaram, e já tinha uma carta na manga.
Primeiro, passei o nome inteiro do D. Pedro I. Ficaram fascinados ao ver quantos nomes faziam parte do seu nome.
Depois fiz um brevíssimo panorama desde o Descobrimento até a data em questão.
Davam risada quando eu fazia o sotaque do D. João, perguntavam porque eu estava falando daquele jeito. Respondi que eu, D. João era português e que português falava assim, ó pá!
Quiseram saber mais a respeito do D. Pedro, e num determinado momento saiu o assunto sobre a infidelidade do Imperador.
Com tato e cuidado, disse que ele era casado, mas que gostava de ter também algumas outras namoradas.
- Ô tia, fala sério, era amante mesmo!!!!
Bem, a tia ficou com cara de pastel, tanto cuidado para nada!!!!
A risada foi geral, e para finalizar meu aluno funkeiro terminou:
"Traição é traição
Romance é romance
Amor é amor
E um lance é um lance"
Com essa turma, ninguém pode! Nem eu e nem Dom Pedro I:
INDEPENDÊNCIA OU MORTE!!!!!
Prefiro a dependência desse universo louco e mágico chamado sala de aula!
terça-feira, 7 de setembro de 2010
7º Congresso Rio de Educação
7º Congresso Rio de Educação
Nos dias 27 e 28 de agosto, foi realizado o 7º Congresso Rio de Educação, reunindo grandes nomes da área.
Apesar da minha indignação com a minha classe profissional, eu tive dois dias de puro êxtase.
Pela primeira vez senti meu cérebro caminhar lado a lado com a minha emoção.
Depois da abertura, o primeiro palestrante foi o ex Secretário da Educação e Juventude, Esporte e Lazer do Governo do Estado de São Paulo, Gabriel Chalita.
O título da sua palestra era: Saberes em Movimento, onde ele faz uma reflexão do ofício do educador.
"Será que realmente eu nasci para isso?", e cita como exemplo Clarice Lispector :
“Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...].”
E é com base no amor e no olhar mais humano que o ofício do professor está interligado na transformação dos seus alunos e na reflexão pessoal.
Explanou bastante sobre a relação professor X aluno, tanto afetiva como profissional.
E terminou dizendo que o ofício de educar é movimentado com amor.
Depois, tivemos o prazer de ouvir a psicóloga especialista em educação Rosely Sayão falando sobre Família e Limites.
Fez um panorama histórico da família brasileira. Dividiu em dois tempos: antes de 1970 e após 1970. Fazendo uma comparação bastante interessante, dizendo que as crianças não estão mal educadas como dizem os pais, os professores e a sociedade. Elas estão sim, muito bem educadas para o mundo que vivemos hoje: consumista e imediatista.
Até então, eu tinha curtido muito as palestras, e como os palestrantes expuseram os temas de maneira clara e concisa.
Então teve um breve intervalo para que pudéssemos assistir a última palestra.
Sabia da competência do palestrante, mas estava no fundo receosa. Pois fiquei com medo que fosse mais um daqueles intelectuais que falam, falam, e que todo mundo fica com cara de ponto de interrogação no meio da testa.
Então, para minha plena felicidade, me enganei.
Demétrio Magnoli é fascinante. Convivência nas diferenças era o tema da sua fala, e qualquer coisa que eu escreva aqui é absolutamente insignificante perto do que eu ouvi.
Assim que minhas finanças voltarem ao normal, comprarei o seu último livro: Uma gota de sangue.
O segundo dia foi tão bom quanto o primeiro.
Artur Motta com o tema Biodiversidade e escola: a natureza do humano é a cultura, nos fez perceber quão grande e rico é o universo escolar, com todas as suas diferenças existentes e o quanto isso pode ser positivo no processo ensino-aprendizado.
Sempre tive interesse em entender e conhecer melhor as crianças com Síndrome de Down, por isso optei em ouvir o palestrante Moacyr Daemon, que além de fonoaudiólogo, trabalhou como consultor da Rede Globo na novela Páginas da Vida que mostrava as dificuldades, preconceitos de uma personagem com a síndrome.
Foi muito interessante e produtivo ver de perto o trabalho sério realizado por esse nomeado profissional, e de como acontece todo o desenvolvimento dessas crianças.
Fazendo uma ponte com a fala do Chalita, o principal fator motivador que essas crianças precisam é amor.
Depois foi a vez de Rita Ribes , entre outros, coordenadora do Grupo de Pesquisa: Infância, Mídia e Educação, falar a respeito desses problemas que acontecem dentro do âmbito escolar, não apenas em escolas particulares mas como públicas, pois é evidente como as crianças independente da classe social se deixam levar pelo consumismo excessivo.
Para finalizar o segundo dia, fechando com chave de ouro, ouvi uma palestra que está abrindo muito a minha mente em relação como trabalhar a Leitura em sala de aula.
Suzana Vargas, trabalha na Casa da Leitura/Proler, é a criadora e coordenadora há 14 anos da Estação das Letras. Conta com 15 livros publicados.
Uma indagação minha que ficou foi: como fazer com que a leitura torne-se mais interessante e fascintante que o mundo tecnológico em que estamos vivendo? Um mundo em que as crianças tem prazeres imediatos em que não precisam se esforçar muito para aprender e entender o que está em jogo. Como????
Tenho trabalhado de maneiras diversas com meus pequenos, espero que um dia o efeito desejado aconteça.
Fé, perseverança, estudo, amor e muito trabalho, sei que caminham comigo.. e quem caminha, um dia chega ao local desejado!
Material do Sinepe Rio falando sobre o Congresso
Clique aqui
Apesar da minha indignação com a minha classe profissional, eu tive dois dias de puro êxtase.
Pela primeira vez senti meu cérebro caminhar lado a lado com a minha emoção.
Depois da abertura, o primeiro palestrante foi o ex Secretário da Educação e Juventude, Esporte e Lazer do Governo do Estado de São Paulo, Gabriel Chalita.
O título da sua palestra era: Saberes em Movimento, onde ele faz uma reflexão do ofício do educador.
"Será que realmente eu nasci para isso?", e cita como exemplo Clarice Lispector :
“Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...].”
E é com base no amor e no olhar mais humano que o ofício do professor está interligado na transformação dos seus alunos e na reflexão pessoal.
Explanou bastante sobre a relação professor X aluno, tanto afetiva como profissional.
E terminou dizendo que o ofício de educar é movimentado com amor.
Depois, tivemos o prazer de ouvir a psicóloga especialista em educação Rosely Sayão falando sobre Família e Limites.
Fez um panorama histórico da família brasileira. Dividiu em dois tempos: antes de 1970 e após 1970. Fazendo uma comparação bastante interessante, dizendo que as crianças não estão mal educadas como dizem os pais, os professores e a sociedade. Elas estão sim, muito bem educadas para o mundo que vivemos hoje: consumista e imediatista.
Até então, eu tinha curtido muito as palestras, e como os palestrantes expuseram os temas de maneira clara e concisa.
Então teve um breve intervalo para que pudéssemos assistir a última palestra.
Sabia da competência do palestrante, mas estava no fundo receosa. Pois fiquei com medo que fosse mais um daqueles intelectuais que falam, falam, e que todo mundo fica com cara de ponto de interrogação no meio da testa.
Então, para minha plena felicidade, me enganei.
Demétrio Magnoli é fascinante. Convivência nas diferenças era o tema da sua fala, e qualquer coisa que eu escreva aqui é absolutamente insignificante perto do que eu ouvi.
Assim que minhas finanças voltarem ao normal, comprarei o seu último livro: Uma gota de sangue.
O segundo dia foi tão bom quanto o primeiro.
Artur Motta com o tema Biodiversidade e escola: a natureza do humano é a cultura, nos fez perceber quão grande e rico é o universo escolar, com todas as suas diferenças existentes e o quanto isso pode ser positivo no processo ensino-aprendizado.
Sempre tive interesse em entender e conhecer melhor as crianças com Síndrome de Down, por isso optei em ouvir o palestrante Moacyr Daemon, que além de fonoaudiólogo, trabalhou como consultor da Rede Globo na novela Páginas da Vida que mostrava as dificuldades, preconceitos de uma personagem com a síndrome.
Foi muito interessante e produtivo ver de perto o trabalho sério realizado por esse nomeado profissional, e de como acontece todo o desenvolvimento dessas crianças.
Fazendo uma ponte com a fala do Chalita, o principal fator motivador que essas crianças precisam é amor.
Depois foi a vez de Rita Ribes , entre outros, coordenadora do Grupo de Pesquisa: Infância, Mídia e Educação, falar a respeito desses problemas que acontecem dentro do âmbito escolar, não apenas em escolas particulares mas como públicas, pois é evidente como as crianças independente da classe social se deixam levar pelo consumismo excessivo.
Para finalizar o segundo dia, fechando com chave de ouro, ouvi uma palestra que está abrindo muito a minha mente em relação como trabalhar a Leitura em sala de aula.
Suzana Vargas, trabalha na Casa da Leitura/Proler, é a criadora e coordenadora há 14 anos da Estação das Letras. Conta com 15 livros publicados.
Uma indagação minha que ficou foi: como fazer com que a leitura torne-se mais interessante e fascintante que o mundo tecnológico em que estamos vivendo? Um mundo em que as crianças tem prazeres imediatos em que não precisam se esforçar muito para aprender e entender o que está em jogo. Como????
Tenho trabalhado de maneiras diversas com meus pequenos, espero que um dia o efeito desejado aconteça.
Fé, perseverança, estudo, amor e muito trabalho, sei que caminham comigo.. e quem caminha, um dia chega ao local desejado!
Material do Sinepe Rio falando sobre o Congresso
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Pequeno desabafo
Passei um final de semana espetacular!
Sabe aquele ditado que diz: Matei dois coelhos com uma cajada só? Foi exatamente isso que aconteceu.
Estive na minha amada Cidade Maravilhosa num Congresso de Educação. Acredito que todo investimento quando é para seu crescimento vale a pena! É fantástico você ouvir pessoas inteligentes falarem , fico extremamente apaixonada pois minha mente começa a trabalhar simultaneamente, a pensar e repensar conceitos já formados, e a viagem é delirante!
Além disso, pude abraçar meus amigos cariocas que amo tanto, e para completar tive um domingo esplêndido! Caminhei por Copacabana, ouvi sax na praia de Ipanema e respirei a paz. Sim, o Rio também é sinônimo de paz, podem acreditar!
Mas voltando ao Congresso, infelizmente, os momentos vivenciados não foram apenas de êxtase intelectual, sempre fico indignada quando vejo a falta de educação que permeia a classe dos professores. Não digo apenas por essa experiência, mas sim por todas as vezes que os profissionais de Educação se reúnem, parece que esquecem dos bons princípios.
Fiquei enfurecida quando os educadores falavam ao mesmo tempo com o palestrante.
Que horror! Minha vontade era descer do salto e dá uns sopapos nas bocas inquietas e tagarelas.
Outro momento que eu fiquei chocada, foi quando a Orquestra de Violões estava tocando para nos entreter enquanto o primeiro palestrante não chegava, e todos riam, conversavam ao mesmo tempo. Que falta de respeito com os músicos!!!! Como podem esses profissionais exigir algo dos seus alunos?
Não estou generalizando, não me interpretem mal.
Havia pessoas interessadas em absorver o máximo de conhecimento que aquelas pessoas tão inteligentes e sensíveis tinham para nos passar. Eu, por exemplo, voltei renovada e com muito mais gás para trabalhar e estudar.
Que outros congressos surjam para que minha mente possa se expandir mais e mais... porque é assim que eu quero.
sábado, 4 de setembro de 2010
Vamos nos dedicar um pouco mais!
Há pessoas que almejam sair da sala de aula, e trabalhar na direção. Sinceramente, não consigo me ver longe da sala de aula.
Se eu quisesse trabalhar com a parte burocrática, teria escolhido uma outra área em que certamente seria mais valorizada financeiramente.
Dinheiro é bom??? É! Porém a realização plena de um bom profissional só se dá através do verdadeiro amor pela sua profissão.
Tenho buscado estudar mais, me dedicar mais, entender melhor o universo infantil. E a cada dia que passa encontro-me mais fascinada.
Fico triste quando vejo os professores reclamando dos seus salários e com isso permitindo que a sua prática torne-se menos produtiva. Deixe-me explicar para não ser mal interpretada.
É evidente que a nossa profissão merecia muito mais do que se ganha, mas ninguém ingressou na Educação enganado. Eu, quando resolvi seguir meu coração, sabia de todas as dificuldades que eu encontraria pela frente. Não só no âmbito financeiro, mas em todos os demais. Se eu estou aqui é simplesmente porque EU QUERO. Ninguém é obrigado a permanecer infeliz.
A cada dia que passa me fascino mais, e por mais que eu ainda me auto-critique como sendo uma professora iniciante e falha dentro do processo do amadurecimento profissional, só tenho a certeza que o principal eu tenho. Não é a toa que meu blog tem esse nome.
Tenho uma pequena dentro da sala de aula, que eu estou tendo que trabalhar muito com ela. Um trabalho mais humano do que didático.
Ela é uma negra linda, porém com uma auto estima baixíssima. No início cheguei a pensar que era analfabeta devido as respostas das interpretações de texto aplicadas e por se negar a ler. Simplesmente, ela copiava qualquer trecho do texto e pronto, o exercício estava feito.
É muito difícil trabalhar numa sala de aula com quase 40 alunos, e dar a atenção necessária para cada um deles muitas vezes torna-se uma tarefa impossível.
Então chamei-a para conversarmos em particular. Disse o que estava pensando e queria que ela expusesse o que pensava e sentia.
Ela não foi muito clara na sua fala, mas disse que daria um voto de confiança à ela, e que antes de mais nada acreditava no potencial que estava escondido dentro daquele pequeno ser.
Seu comportamento péssimo continuou o mesmo. Agindo como bem quisesse, tendo atitudes que no fundo me machucava, pois é duro ver uma criança agir de maneira tão displicente. Porém não desisti.
Mandei uma carta para ela. Disse que seria um segredo nosso, e que eu tinha escrito exclusivamente para ela, que quando chegasse em casa era para ler.
E o que eu ouvia sempre, era:
- A senhora não gosta de mim.
- Eu sou burra.
- Eu não sei ler.
- Eu não sei fazer.
- A senhora só gosta de fulana.
- Eu sou feia.
E com toda a paciência fui mostrando para ela o quanto era importante pra mim e o quanto eu a achava bela ( e isso não é da boca para fora, ela tem os lábios que sempre quis para mim).
Com muito trabalho, suas notas melhoraram, quase 100%, e isso me deixou imensamente feliz.
Disse com todas as letras para uma coordenadora que foi visitar a escola, oferecendo bolsas de estudo em uma escola de período integral, que o que ela mais quer é repetir de ano, para que eu possa ser a sua professora novamente. Disse que não quer me deixar.
Só que agora, minha pequena deu para ter crises imensas de ciúmes, chegando a chorar.
Ontem mesmo, precisei dar uma dura nela, mas com todo o cuidado.
Não vou deixar de expressar meu carinho e amor pelas outras crianças, e ter toda essa deliciosa energia em troca, porque ela simplesmente tem chilique.
Com toda doçura, delicadeza, fui falando com ela e com os outros que ali estavam, de forma que ela entendesse o que eu estava dizendo para aquele coração tão sofrido.
Ela tinha fechado o caderno e guardado o material, e conforme eu ia falando, foi tirando da mochila o que tinha guardado, e no final já estava disposta a realizar a atividade.
Eu a amo demais, e estou feliz por toda a melhora que eu presenciei, agora só falta eu lapidar um pouco o seu comportamento, o que é difícil, pois isso faz parte de todo o seu histórico de vida.
O QUE EU GANHO POR PARTE DOS MEUS PEQUENOS, NÃO HÁ PISO SALARIAL QUE ME PAGUE!!!!!
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Antes de ser professora , eu sou humana!
Tem dias que o bicho pega!
Antes de ser professora, sou humana.
Tenho meus sentimentos, e não escondo isso dos meus alunos. Hoje eu disse para eles:
-Tem dias que saio tão feliz e amando todos intensamente, mas tem dias que tenho vontade de socar vocês e fico com raiva de todo mundo!
Hoje foi um dia que estava assim, com minha alma acinzentada, fruto do "excelente" comportamento daqueles seres que são essenciais para a minha existência.
Segunda-feira, tinha avisado que na terça eu aplicaria uma provinha sobre área e perímetro.
Repassei o conteúdo, dei o livro para estudarem. E preparei a prova, certa de que todos se sairiam bem.
Ah!!!! Como eu sonho!!!!
Cheguei toda feliz na terça, apliquei a atividade com a música (do post anterior) e depois entreguei a prova toda confiante.
Todos me olhavam como se eu tivesse dado para eles algo em hebraico ou latim!
- Gente, qual o problema de vocês???
Eles me olhavam com os olhos mais arregalados que um sapo assustado.
- Parem tudo!!! Sabe o que essa prova na verdade está me provando? Primeiro que vocês não estudaram, segundo que vocês não prestam atenção quando eu explico, terceiro que vocês não levam a sério as minhas orientações, quarto que a responsabilidade de vocês ainda precisa evoluir e muito... Já que vocês estão assim, todos com um ponto de interrogação na cabeça, e quero ouvir de vocês o porquê dessas carinhas!
Fui chamando um por um, perguntando qual era a dificuldade e porque não estavam resolvendo os exercícios. 90% da classe me respondeu:
- Esqueci de estudar!
- Vou então esquecer de dar boas notas para vocês também!
- Não ! Não!
- Então vamos lá. Proponho um combinado. Eu vou resolver esses exercícios com vocês, quem tiver dúvidas me pergunta, e amanhã aplico uma prova similar. Tá bom assim?
A galera concordou, mas as conversas paralelas continuaram, os aviõezinhos também, as risadas, a falta de atenção. Tive que interromper mil vezes as explicações.
Stress total! Para completar o dia, no final da aula, minhas alunas ciumentas quiseram pegar uma menina de uma outra classe para bater, por puro ciúmes.
Não sei o que acontece, eles me vêem como propriedade deles, eu sou a professora do 5º B, e ai do pobre aluno ( de outra classe) que chegar perto de mim. Fui clara com eles, que antes de mais nada, sou professora da escola, e que quanto mais a gente ama, mais amor a gente tem para dar. Que sempre amaria eles, mas isso não quer dizer que amarei apenas eles. Não gostaram muito, mas pelo menos ninguém saiu ferido.
Essa menina que seria vítima das minhas ferinhas, se encantou comigo.Quando, como, por que, eu não sei, não convivo com ela diretamente.
Nunca sentei para conversar com ela, pois não é minha aluna e fica mais difícil um contato mais direto. Apenas sei e sinto que ela gosta de mim.
Escreve recados dizendo que eu sou linda, que sou legal e etc...
Ontem, pediu para que uma outra menina me entregasse uma cartelinha de adesivos do Snoopy. Tímida, não teve coragem de se chegar, então pedi que a chamassem. Ela veio, dei um beijo e um abraço nela e agradeci. As feras quase enfartaram!
Chegando em casa, mandei um recadinho pelo orkut, dizendo que ela era uma menina muito linda e doce, e que tinha me feito muito feliz com o presente dela.
Realmente, eu fiquei surpresa e feliz, o presente não era apenas uma cartelinha de adesivos, e sim um tesouro que não tem preço!
Hoje, chegando em casa, fui ver meus recados, e o que eu li me comoveu, dizendo que nenhuma professora tinha dito aquelas palavras para ela, e que eu estarei guardada para sempre em seu coração.
Eu, forte como sou, nem preciso dizer o que aconteceu!
Ahhhhh! Só para matar a curiosidade, hoje, ao aplicar a prova percebi que a responsabilidade da minha turma não evoluiu em nada. Não dá vontade de matar???????
Antes de ser professora, sou humana.
Tenho meus sentimentos, e não escondo isso dos meus alunos. Hoje eu disse para eles:
-Tem dias que saio tão feliz e amando todos intensamente, mas tem dias que tenho vontade de socar vocês e fico com raiva de todo mundo!
Hoje foi um dia que estava assim, com minha alma acinzentada, fruto do "excelente" comportamento daqueles seres que são essenciais para a minha existência.
Segunda-feira, tinha avisado que na terça eu aplicaria uma provinha sobre área e perímetro.
Repassei o conteúdo, dei o livro para estudarem. E preparei a prova, certa de que todos se sairiam bem.
Ah!!!! Como eu sonho!!!!
Cheguei toda feliz na terça, apliquei a atividade com a música (do post anterior) e depois entreguei a prova toda confiante.
Todos me olhavam como se eu tivesse dado para eles algo em hebraico ou latim!
- Gente, qual o problema de vocês???
Eles me olhavam com os olhos mais arregalados que um sapo assustado.
- Parem tudo!!! Sabe o que essa prova na verdade está me provando? Primeiro que vocês não estudaram, segundo que vocês não prestam atenção quando eu explico, terceiro que vocês não levam a sério as minhas orientações, quarto que a responsabilidade de vocês ainda precisa evoluir e muito... Já que vocês estão assim, todos com um ponto de interrogação na cabeça, e quero ouvir de vocês o porquê dessas carinhas!
Fui chamando um por um, perguntando qual era a dificuldade e porque não estavam resolvendo os exercícios. 90% da classe me respondeu:
- Esqueci de estudar!
- Vou então esquecer de dar boas notas para vocês também!
- Não ! Não!
- Então vamos lá. Proponho um combinado. Eu vou resolver esses exercícios com vocês, quem tiver dúvidas me pergunta, e amanhã aplico uma prova similar. Tá bom assim?
A galera concordou, mas as conversas paralelas continuaram, os aviõezinhos também, as risadas, a falta de atenção. Tive que interromper mil vezes as explicações.
Stress total! Para completar o dia, no final da aula, minhas alunas ciumentas quiseram pegar uma menina de uma outra classe para bater, por puro ciúmes.
Não sei o que acontece, eles me vêem como propriedade deles, eu sou a professora do 5º B, e ai do pobre aluno ( de outra classe) que chegar perto de mim. Fui clara com eles, que antes de mais nada, sou professora da escola, e que quanto mais a gente ama, mais amor a gente tem para dar. Que sempre amaria eles, mas isso não quer dizer que amarei apenas eles. Não gostaram muito, mas pelo menos ninguém saiu ferido.
Essa menina que seria vítima das minhas ferinhas, se encantou comigo.Quando, como, por que, eu não sei, não convivo com ela diretamente.
Nunca sentei para conversar com ela, pois não é minha aluna e fica mais difícil um contato mais direto. Apenas sei e sinto que ela gosta de mim.
Escreve recados dizendo que eu sou linda, que sou legal e etc...
Ontem, pediu para que uma outra menina me entregasse uma cartelinha de adesivos do Snoopy. Tímida, não teve coragem de se chegar, então pedi que a chamassem. Ela veio, dei um beijo e um abraço nela e agradeci. As feras quase enfartaram!
Chegando em casa, mandei um recadinho pelo orkut, dizendo que ela era uma menina muito linda e doce, e que tinha me feito muito feliz com o presente dela.
Realmente, eu fiquei surpresa e feliz, o presente não era apenas uma cartelinha de adesivos, e sim um tesouro que não tem preço!
Hoje, chegando em casa, fui ver meus recados, e o que eu li me comoveu, dizendo que nenhuma professora tinha dito aquelas palavras para ela, e que eu estarei guardada para sempre em seu coração.
Eu, forte como sou, nem preciso dizer o que aconteceu!
Ahhhhh! Só para matar a curiosidade, hoje, ao aplicar a prova percebi que a responsabilidade da minha turma não evoluiu em nada. Não dá vontade de matar???????














