segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Carência


Como ando carente, meu Deus!!!
Estou como aqueles cachorrinhos chatos que não podem ver ninguém, que já dão a patinha em busca de um cafuné.
Hoje a escola estava com um cheiro terrível de tinta! As crianças foram avisadas e tendo o direito de voltar para a casa, pois no período anterior 30 passaram mal e para evitar esse tipo de problema, fomos ao portão comunicar o estado em que se encontrava a escola.
Acontece que tem crianças que frequentam o programa de  contraturno e não podem ser dispensadas. Então elas entraram e a direção entrou em contato com os pais.
Uma aluna minha estava nessa leva.
Ela quando me viu veio me abraçar, e ficou ali aconchegada. Ela segurou na minha cintura, e deixou o tempo passar.
No início do ano, eu travei uma guerra com ela.
Uma guerra que se fez necessária, pois sua postura era péssima, as palavras utilizadas em sala de aula do nível mais baixo que vocês possam imaginar, não realizava as atividades, estava totalmente desmotivada.
Chamei a mãe por várias vezes para conversar sobre a filha.
Conversei com a pequena, zilhões de vezes.
Ela me cansava emocionalmente, psicologicamente e fisicamente.
Quando saía para o recreio, o inferno continuava.
Corria para bater nos meninos, subia as escadas querendo visitar os alunos dos outros anos, gritava como louca  e eu sempre no seu  pé.
Com o passar do tempo, a mudança começou a bater na sua porta.
Aos poucos tornou-se mais feminina,  carinhosa, dedicada.
Suas avaliações tiveram uma melhora de quase 100%.
Tornou-se quase uma Lady Di!
Relembrando e escrevendo essas linhas, lágrimas bobas surgem dos meus olhos.
Comparando a forma como ela era arredia no início e sentindo ainda os seus braços envoltos no meu corpo tão cansado de um ano de trabalho, eu me emociono.
Todos os dias, ela vem com um caderninho, e pede para que eu escreva a data do dia, e se ela teve um bom comportamento ou não.
O final do ano está chegando  e eu terei que dar passagem  para que eles prossigam , cresçam, amadureçam, mas a saudade será imensa.
Posso não ser a melhor professora do mundo (ainda), mas o amor que eu tenho por eles certamente é maior do que qualquer falha que eu cometa.

Um comentário:

Regina disse...

olá!! também estou te seguindo!!!
muitas vezes, temos que ter escolhas antes que outros tenham por nós!!
abraços

www.psicologaregina.blogspot.com