sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Estou atrasada, sorry!

Pois é. gente.. estou atrasada com meu blogue, será que mereço perdão???
Acontece que todo o início do ano letivo eu entro em crise, e não foi diferente em 2014.
A saudade dos meus pequenos ainda corrói meu peito. Foram dois anos juntos, dois anos que crescemos e aprendemos de uma forma única. Se me perguntarem ainda sei a chamada do ano passado de cor e salteada.
Eles estão bem, com professores maravilhosos que eu confio plenamente. Dizem que o ensino da escola pública é fraco e coisa e tal. Eu discordo. Na unidade que eu leciono temos profissionais de primeira. Comprometidos e que trabalham com toda seriedade.
Pensei no final do ano passado me remover, sou caxias e quando as coisas não caminham da maneira que eu acredito, fico possessa. Quando eu trabalho, eu trabalho e dou trabalho também, (no contexto positivo) então quando as coisas não fluem como o esperado... O BICHO PEGA! Depois ponderei bem, não conseguiria viver longe dos meus eternos pequenos. Minha primeira turma vai se formar no 9º ano! Que emoção! Não estaria sendo legal virando as costas para o meu coração.
Então o primeiro dia de aula chegou! Que desespero!!!
Começar do zero, lutar do início, dar o meu melhor para que eles também possam concluir esse ano sendo melhores.
Esta professora que neste momento está atrás dessa telinha do computador escrevendo essas palavras já começou a se apaixonar por essas novas vidinhas que estarão comigo nessa viagem que será única.
Elas apresentam muitas dificuldades pedagógicas. Crianças com muitos problemas que já comecei a identificar de diversas ordens, em contrapartida iluminaram minhas aulas com seus olhares e expressões. Como são expressivas! Como me correspondem!
Ontem me surpreenderam na aula que eu dei sobre poesia. Um aluno me disse que gostaria de ter os livrinhos que eu emprestei para a turma para poder ler para a irmã de quatro anos.  Outro me disse que vai ler mais poesias do que gibi! Como me encantam!
Na aula de Educação Artística apresentei Bach para a turma, contei a história dele, mostrei fotos, e claro coloquei para a turma ouvir músicas desse grande nome da música universal!
Quando o cd acabou eles se lamentaram. Falaram que a música acalmava, que era boa de se ouvir. Perdoe-me  aquele que vai contra os meus pensamentos, perdoe-me o conteudista, mas essas crianças precisam de muito mais do que gramática e  tabuada! 
Eu ainda vou trabalhar na escola dos meus sonhos... Eu ainda vou sair de dentro desse sistema que tolhe sonhos e emoções. Um dia... quem sabe...
 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Revolta mode on

Juro que eu não sou bipolar, não!
Sou apenas uma professora que trabalha num país chamado Brasil. Sim, é isso mesmo!
Um dia minha felicidade está lá no Pico do Everest, outro no poço mais profundo escavado para se encontrar petróleo.
Hoje estou muito revoltada, extremamente. Não apenas pelas situações que meus colegas professores tem enfrentado no estado do Rio, mas pela minha que é tão pequena perto da deles mas que também me incomoda.
Nunca fechei as portas da minha sala para nenhum aluno. Dou aula até para 200 crianças se for preciso, porém a minha situação hoje é diferente.
Como todos já tem ciência, minha sala pegou fogo e estou dando aula no laboratório de informática. O espaço não comporta muitas crianças, as minhas já ficam apertadas ali, mas hoje resolveram socar lá dentro mais 9 por conta de uma professora que está de licença.
Ela não tem culpa, muito menos eu.
Quero uma substituta na UE. A escola já solicitou, mas nada de chamarem alguém para assumir essas aulas.
Economia??? 
Melhor não falar o que eu penso, infelizmente a ditadura nunca deixou de existir.
Eu me prejudico.
Minhas crianças se prejudicam.
As dela também.
Linda conjugação verbal, né?
Ainda vieram me sugerir para ocupar outra sala.
Pera lá.
Eu planejei as minhas aulas e necessitava dos recursos ali existentes, minhas crianças não vão deixar de aproveitar um momento diferente por conta de fatores externos. Se o aluno é da escola, então que não se faça atribuição de aulas. Que a baderna se instaure, uai.
Não vou ficar que nem macaco de galho em galho, sinto muito.
E nem enlouquecer, não mesmo.
Antes que isso aconteça, prefiro sair de cena.
Ao menos temporário.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Lecionar vale a pena....

Ontem fui almoçar na casa da Maria a sua tv estava sintonizada na Globo e passava o programa "Esquenta" , para a minha surpresa estava a Orquestra Sinfônica Brasileira falando sobre Beethoven. Na hora eu pensei: será que as minhas crianças estão assistindo? (pois trabalhei sobre o compositor)
Hoje, quando cheguei na sala de aula, a primeira coisa que eu ouvi de um aluno foi: "Tia, a senhora viu o Esquenta ontem? Falaram sobre Beethoven e na orquestra tinha um instrumento "da hora" que era grandão e fazia assim... (e imitou o som grave do violoncelo).
O trabalho é árduo, mas vale a pena, os olhinhos do meu pequeno brilharam quando me contou isso.
Nada mudará se a mesmice continuar permeando a vida das nossas crianças. Vamos deixar de preconceitos baratos e mostrar um novo mundo para elas.
Muito orgulho dos meus pequenos!
Lecionar vale a pena!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Fogo na alma...

Bem, vamos as novidades...
Dizem que sexta-feira 13 é problemática... sendo ela ou não, apenas sei que a sala de aula que lecionava pegou fogo. Pegou não, pegaram!
O mais triste é saber que foi por pura maldade. 
Vandalismo 100%.
Fiquei extremamente abalada, triste, magoada, raivosa, revoltada... Como disse, não foi o material que incendiou, foi muito mais. Muito mesmo.
Minha amiga professora de inglês, lembrou de um texto escrito por Cecília Meireles (leia aqui) e me enviou.
Lindo, ontem trabalhei ele com minha molecadinha e pudemos discutir alguns pontos relacionando com  a vida de cada um de nós.
Baseado nessa fatalidade, tenho trabalhado muito o ânimo deles, arrancar tudo de bom que cada um tem, e fazer com que eles entendam que quando queremos algo nada vai nos impedir. Disse que quem dá aula, dá em qualquer lugar e quem quer aprender, o mesmo acontece. Que eles eram vencedores e que juntos sairíamos mais fortes e unidos. 
Então procurei um compositor da Música Universal para trabalhar com eles que passasse essa mensagem de reconstrução, de vontade, de persistência.
Encontrei Haydn que quando pequeno cantava  e encantava depois quando sua voz mudou, perdeu tudo. Ficou na pobreza e teve que reconstruir a sua vida. Tornou-se um grande compositor e foi grande amigo de Mozart. Então, lembrei das minhas aulas com minha maravilhosa professora da pós graduação, e fiz uma atividade com eles que o resultado foi MUITO INTERESSANTE.... 
Pedi para que cada um pegasse a folha de sulfite e um lápis, que colocassem o  nome atrás e antes de qualquer coisa que cada um imaginasse o desenho que gostaria de fazer. 
Então comuniquei  que eles desenhariam ouvindo Haydn e que toda vez que eu pausasse a música, eles deveriam passar a folha adiante, e que eles dariam continuidade no desenho recebido até que o seu original voltasse em suas mãos.
TODOS, exceto uma aluna (e depois entendi a razão) tiveram reações demonstrando  raiva, frustração, mágoa ao pegaram de volta a sua folha cheia de interferências exteriores e com resultados totalmente contrários ao seu pensamento.Fiz uma analogia com a vida, e perguntei quem aceitaria aquele resultado e quem gostaria de modificar, lutar, colocar a mão na massa para resolver aquilo que pensou. Todos quiseram, e atrás do desenho cada um fez a sua ideia original. Uns quiseram colorir, outros preferiram deixar em preto e branco, mas todos realizaram o seu desejo.
Mas como tudo não é 100% flores... Uma aluna no final da aula de Educação Física, perdeu as estribeiras e se estressou com um amigo. Deixei a bichinha extravasar, ele sempre foi muito contida. Nós adultos nos estressamos, nos expressamos, por que as crianças não podem??? Depois conversei com ela.
No final tudo sempre acaba bem!
Entre fogo e lágrimas somos e seremos todos vencedores nesse mundo tão conturbadinho....


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Fogo na sala....

Não é um espaço, é a vida que se faz presente.
Não é uma lousa, é o amor expresso em palavras.
Não são carteiras, são locais que abrigam os meus amores.
Não é  a perda, é a dor que queima mais que as chamas vândalas que destroem o presente.
Não é o material, é a história sendo apagada.
Não é uma sala de aula, é o meu paraíso, meu sonho encantado, minhas emoções, recordações...
Hoje, tudo se esvaiu... aos poucos.
O fogo queimou, fogo posto por mãos desconhecidas que nunca poderiam imaginar que ali não era apenas um local que abrigava estudantes no processo de aprendizado.
As imagens não saem da minha cabeça....
A sala negra, coberta por fuligem... vidros quebrados....
Lágrimas.
Dói...só posso dizer que dói....
O fogo destrói o material mas nunca queimará os meus sonhos....

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Um sonho coletivo...


Fico entristecida quando ouço professores falando com amargura sobre a sua profissão.
Ninguém está tapando o sol com a peneira! Sabemos de todos os percalços que passamos. O sistema é forte e infelizmente nos tornamos cada vez mais fracos, e acabamos nos submetendo ao seu desejo. É uma pena. Escrevo no plural porque faço parte da classe, mas ainda sonho, acredito e tenho fé que posso trabalhar com afinco para que algo aconteça, e sei que pode acontecer.
A união principal da nossa categoria tão aclamada não é aquela que se faz com os outros, mas  sim a do nosso eu com a nossa essência. Resgatar os desejos iniciais e trilhar com amor. E aí sim, quando todos falarem a mesma linguagem algo novo poderá surgir.
Não sou sonhadora, não sou utópica e nem vivo no mundo da lua, apenas honro o meu juramento no dia que fui laureada com meu diploma de Pedagogia o qual tenho muito orgulho.
Sonhar é o caminho para a realização....
Quem quer sonhar comigo?

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Patriotismo é sinal de profissionalismo?????

Não desejo picos altos e nem chegar ao topo se eu tiver que me anular como ser humano possuidor da sua individualidade, caráter, personalidade.... Minha essência precisa ser preservada enquanto mulher e profissional.
Não me imponha, não corte minhas asas, não prolifere palavras técnicas, justas, agradáveis aos ouvidos do sistema. Elas não me dizem nada!!!
Sou e sempre serei inquieta e questionadora, filha do seu Francesco e da dona Ana, críticos e revolucionários por natureza que me presentearam com a sua genética "cerebral".
Quero me permitir, ser, lutar por aquilo que  acredito e amo...
Assim sou eu: dona de opiniões (nem sempre todas serão justas), criando e recriando pensamentos e sonhos, subindo degraus, descendo alguns mas nunca desistindo do destino desejado.
Tenho deveres, sim.., mas tenho muitos direitos os quais me são assegurados pela lei.
Direitos que não vou mais permitir que me podem, me censurem...
Minha liberdade de expressão não será mais abalada.
1964 NUNCA MAIS!!!!!!
Posso não ser patriota, posso sim! Posso dizer aos quatro cantos o que penso sobre isso, posso e devo.
Isso não me diminui como profissional e muito menos como cidadã. Minha luta na educação é exatamente para que um dia eu possa bater no peito com orgulho e dizer: sou brasileira! Hoje não o tenho. Impossível ter! Brigo por mudanças!
Revolta-me o ostracismo que o brasileiro sempre se encontrou e que nunca saiu, meia dúzia de passeatas para mim não querem dizer nada. Tudo parou! Tudo se findou! O Gigante continua como o Belo Adormecido. Até quando?
Quero viver na verdade e na singularidade do meu pensar. Não usarei máscaras para agradar o mundo e ferir o  meu eu. Ou as pessoas me aceitam como sou, ou terão que seguir outros passos sem os meus! Não quero a plena compreensão, apenas quero que me respeitem, sem o verde e o amarelo no coração.
Só isso!