terça-feira, 22 de abril de 2014

Confusões e felicidade.

Ando tão entusiasmada com meus projetos e minhas aulas que acabo me esquecendo de escrever no meu blogue que tanto adoro.
Bem, vamos as novidades. Algumas boas, outras nem tanto!
Tenho um aluno que desde o primeiro dia de aula, antes mesmo dele dizer: "presente", senti que algo não andava muito bem.
É uma criança muito bonita, porém quieta e distante.  Sua cabeça nunca está dentro da sala de aula, seu olhar está em outras direções. Está sempre sonolento, não se concentra... Chamei a mãe para conversar, ela não compareceu. Foram até a casa dela, mas apenas as crianças se manifestaram dizendo que não havia ninguém ali.
No momento da brincadeira, ele caiu e se machucou. Para localizar a mãe foi muito difícil, mas com a graça de Deus conseguimos. E foi a partir daí que conhecemos a história do meu pequeno.
Resumindo, ele com apenas 10 anos é o homenzinho da casa.
Chorei por três dias. Chorei por ele, por mim, pela indiferença e naturalidade que é tratada a dor alheia. Chorei porque percebi que o mundo cada dia que passa está mais frio. Não quero me esfriar nunca.
Todas as noites oro por ele. E espero que Deus o abençoe na sua infinita bondade.E o que eu puder fazer, farei.
Bem, na minha aula de Arte dei Beethoven para a molecada e com a ajuda de um amigo ensinei o início da 9ª Sinfonia no teclado que estava parado na escola.  Foi uma loucura! Uma aula deliciosa. Fora a surpresa que eu tive com uma aluna de inclusão, que toda concentrada e responsável, tocou direitinho, por ser a sua primeira vez diante de um instrumento musical.
Gente, é ou não é para ficar radiante??????
Minha profissão tem desses paradoxos: felicidade x tristeza, preocupação x satisfação, sentimentos diversos que caminham juntos, lado a lado, que nos desafiam e nos impulsionam sempre a procura de novas alternativas, novos horizontes.
Eu sou feliz, extremamente feliz.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Salvador Dalí

Essa é a turma que tem mais alunos na idade certa em relação ao seu ano escolar. Tenho poucos alunos que estão fora.
Estou adorando essa nova experiência!
São crianças puras com pouca maldade. São imaturas. Tem certos momentos que eu preciso pensar mil vezes no que vou falar e como vou falar para que haja o entendimento.
Minhas turmas anteriores eram diferentes, conseguia trabalhar com mais profundidade. Por outro lado aceitam com mais naturalidade o que lhe é oferecido.
São carinhosos, vivem me fazendo cafuné. Hoje  uma se sentou no meu colo na hora do recreio, e de repente quando me dei conta estava já rodeada.
É um novo desafio.
Cada ano é um ano.
Acho interessante por gostarem das minhas aulas e perceberem que eu procuro sempre dar algo diferente para eles. Quando a aula fica apenas no tradicional , reclamam e fazem um grande coro: "ahhhhhhhhhh"!
Brinco dizendo que  estão mal acostumados.
E como estão!
Hoje iniciei dizendo que eles se transformariam nos filhos de Salvador Dalí.
Claro que eles não conheciam o grande gênio.
Pedi para que fechassem os olhos e que não os abrissem  antes do tempo, senão perderia toda a graça!!!!
Todos obedeceram!!!!
Fui de carteira em carteira e fiz um bigodinho igual ao do mestre. Quando pedi para que abrissem os olhos a risada foi geral.
Dei a aula teórica, mostrei fotos dele e de sua obra. Depois  assistiram a um desenho feito pelos estúdios Disney em parceria com Dalí. (clique aqui para assistir) e finalmente, a produção.
Não queria uma reprodução, nem uma releitura. Hoje a criatividade, a loucura interna, os sonhos e os delírios de cada um deveriam vir a tona! E o resultado foi encantador.
Para terminar o dia , saímos para brincar.
Foi tudo perfeito!
Voltei pra casa feliz, realizada  e amando mais a minha profissão.








quinta-feira, 6 de março de 2014

Vontade....

A pior violência que posso causar contra mim é quando o coração quer gritar e a boca tem que calar!  Exatamente dessa forma que me sinto hoje: violentada.
Para alguns pode parecer exagero, para outros, indiferença. O que importa para mim é o meu sentir.
Sou uma professorinha, como muitos dizem, porém me nego em ser mais uma.
Gosto de estudar, de me atualizar, de estar antenada com o que está acontecendo com a Educação no nosso país e  no mundo.
Procuro diversificar minhas aulas para tentar abranger todas as formas de aprendizado, afinal cada um aprende de uma maneira.
Estou sempre na luta e não me incomodo em sair de casa para ouvir palestrantes comprometidos com o saber explanando suas experiências. Porém enlouqueço quando quem está no púlpito não tem a menor capacidade! Ouvir certos dizeres é um estupro intelectual.
Todo ano o assunto gira em torno da tecnologia como se ela fosse a salvação desse caos que todos conhecem que é nosso sistema educacional.
É preciso investir no ser humano!
Mas isso é perigoso demais! Muito perigoso.
Como posso investir no inimigo? Como posso dar poderes a ele?? Como posso desvelar  se isso pode ser minha destruição???
Pois é....Então o melhor a ser feito é distribuir tablets, equipar as escolas com lousas digitais e tudo fica certo... O inglês vai ver e vai gostar, afinal tudo é feito só pra mostrar a ele .
Certo?
Errado!
Enquanto puder continuarei lutando a favor dos meus ideais!
O poder está  em mim, em você e em todos aqueles que desejam o desenvolvimento pleno das crianças do nosso país.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

BAILE DE CARNAVAL

"Quando não temos constantemente o exercício da liberdade , quando a possuímos não sabemos como conduzi-la. Agimos de maneira desnorteada e improdutiva.
Que a liberdade seja nossa companheira de viagem para que possamos encontrar no final da nossa caminhada o sucesso."
Escrevi essas linhas acima por conta do baile que aconteceu na escola no dia de hoje.
Criança é criança, dentro ou fora da escola. Sua essência é a mesma independente da classe social. Nos dias de hoje é necessário alimentar a infância para que esses futuros adultos sejam sadios e felizes.  Muitas delas não têm a oportunidade  de vivenciar isso em seus lares, por isso faço questão delas terem o dia do brinquedo, da brincadeira, da liberdade!!!! Brincar somente pelo fato de brincar.
Serem livres na sua alegria infantil!!
Quando as crianças não possuem esse hábito, quando elas o tem não sabem o quê fazer, como fazer , onde fazer... As  que não estão acostumadas a sair da sala de aula, quando saem ficam desnorteadas, querem correr a todo custo, querem fazer tudo aquilo que desejam, mas nem sempre é o lugar e a hora apropriada, como aconteceu no evento de hoje.
O que era para ser um bailinho se tornou uma corrida de pista. Precisei mostrar a elas que naquele momento o correr não era apropriado, então fui dançar no meio delas, fiz trenzinho, brinquei com as minhas e com as das outras, cantei, pulei...
E no final tudo deu certo.
Professoras e professores, saiam com seus alunos da sala de aula, deixe-os brincarem, façam com que eles tenham prazer em frequentar a escola. Aprender deve ser divertido e no brincar eles aprendem muito mais do que se imagina!

Talentos que não são despertados.

Quando fiz o meu TCC de conclusão de curso com a minha amiga Mia, dissertamos a respeito da importância da arte permeando o caminho da Educação. Levantamos diversos pontos na teoria. Teoria esta que  aos poucos estou  colocando em prática.
Preocupo-me intensamente com cada criança que passa por mim. Com cada vida que vem de encontro a minha. Não vejo meus alunos como números ou índices. E só Deus sabe como penso em cada um deles.
Todo ano tenho um, dois, três...que acabam tendo o meu olhar de uma maneira mais especial e procuro meios para chegar perto dessas crianças e aquele que me dá uma resposta mais rápida é a Arte. Baseado nas minhas observações e nos meus estudos, posso realmente afirmar que é uma ferramenta importante que temos em nossas mãos e que muitos professores acabam deixando passar desapercebida por ignorância. Ignorar no sentido de desconhecer.
Além disso tudo, eu gosto de passar um pouco de cultura para meus pupilos.
Gente, eles adoram! Ficam fascinados! Os olhos brilham e sinto a alma deles sorrir para mim!
Estou com um projeto para este ano e pretendo chegar até o fim com ele. No mês de fevereiro trabalhei Ivan Cruz (pintor brasileiro que retrata brinquedos e brincadeiras antigas) e o grande mestre do Renascimento Michelangelo.
Quando viram as esculturas feitas pelas mãos desse gênio,  ficaram espantados com a riqueza de detalhes. E ouvia sonoros "ohs" quando passava as imagens.
Para finalizar a aula, pedi que fizessem uma releitura da obra que se encontra na Capela Sistina onde o artista retrata a criação do homem por Deus.
Fiquei encantada e espantada como eles se envolveram e a produção me fez perceber que eu tenho artistas natos ali dentro. Alguns desses artistas com inúmeras dificuldades para aprender os conteúdos das demais disciplinas, mas que conseguiram  se transportar para o Renascimento e capturar a alma do grande mestre!
Não sei se são os meus olhos cheios de amor por essas crianças, ou se é uma realidade, mas posso afirmar que as minhas salas são sempre as mais lindas da escola: ricas em diversidade em todas as instâncias. E eu amo tudo isso!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Estou atrasada, sorry!

Pois é. gente.. estou atrasada com meu blogue, será que mereço perdão???
Acontece que todo o início do ano letivo eu entro em crise, e não foi diferente em 2014.
A saudade dos meus pequenos ainda corrói meu peito. Foram dois anos juntos, dois anos que crescemos e aprendemos de uma forma única. Se me perguntarem ainda sei a chamada do ano passado de cor e salteada.
Eles estão bem, com professores maravilhosos que eu confio plenamente. Dizem que o ensino da escola pública é fraco e coisa e tal. Eu discordo. Na unidade que eu leciono temos profissionais de primeira. Comprometidos e que trabalham com toda seriedade.
Pensei no final do ano passado me remover, sou caxias e quando as coisas não caminham da maneira que eu acredito, fico possessa. Quando eu trabalho, eu trabalho e dou trabalho também, (no contexto positivo) então quando as coisas não fluem como o esperado... O BICHO PEGA! Depois ponderei bem, não conseguiria viver longe dos meus eternos pequenos. Minha primeira turma vai se formar no 9º ano! Que emoção! Não estaria sendo legal virando as costas para o meu coração.
Então o primeiro dia de aula chegou! Que desespero!!!
Começar do zero, lutar do início, dar o meu melhor para que eles também possam concluir esse ano sendo melhores.
Esta professora que neste momento está atrás dessa telinha do computador escrevendo essas palavras já começou a se apaixonar por essas novas vidinhas que estarão comigo nessa viagem que será única.
Elas apresentam muitas dificuldades pedagógicas. Crianças com muitos problemas que já comecei a identificar de diversas ordens, em contrapartida iluminaram minhas aulas com seus olhares e expressões. Como são expressivas! Como me correspondem!
Ontem me surpreenderam na aula que eu dei sobre poesia. Um aluno me disse que gostaria de ter os livrinhos que eu emprestei para a turma para poder ler para a irmã de quatro anos.  Outro me disse que vai ler mais poesias do que gibi! Como me encantam!
Na aula de Educação Artística apresentei Bach para a turma, contei a história dele, mostrei fotos, e claro coloquei para a turma ouvir músicas desse grande nome da música universal!
Quando o cd acabou eles se lamentaram. Falaram que a música acalmava, que era boa de se ouvir. Perdoe-me  aquele que vai contra os meus pensamentos, perdoe-me o conteudista, mas essas crianças precisam de muito mais do que gramática e  tabuada! 
Eu ainda vou trabalhar na escola dos meus sonhos... Eu ainda vou sair de dentro desse sistema que tolhe sonhos e emoções. Um dia... quem sabe...
 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Revolta mode on

Juro que eu não sou bipolar, não!
Sou apenas uma professora que trabalha num país chamado Brasil. Sim, é isso mesmo!
Um dia minha felicidade está lá no Pico do Everest, outro no poço mais profundo escavado para se encontrar petróleo.
Hoje estou muito revoltada, extremamente. Não apenas pelas situações que meus colegas professores tem enfrentado no estado do Rio, mas pela minha que é tão pequena perto da deles mas que também me incomoda.
Nunca fechei as portas da minha sala para nenhum aluno. Dou aula até para 200 crianças se for preciso, porém a minha situação hoje é diferente.
Como todos já tem ciência, minha sala pegou fogo e estou dando aula no laboratório de informática. O espaço não comporta muitas crianças, as minhas já ficam apertadas ali, mas hoje resolveram socar lá dentro mais 9 por conta de uma professora que está de licença.
Ela não tem culpa, muito menos eu.
Quero uma substituta na UE. A escola já solicitou, mas nada de chamarem alguém para assumir essas aulas.
Economia??? 
Melhor não falar o que eu penso, infelizmente a ditadura nunca deixou de existir.
Eu me prejudico.
Minhas crianças se prejudicam.
As dela também.
Linda conjugação verbal, né?
Ainda vieram me sugerir para ocupar outra sala.
Pera lá.
Eu planejei as minhas aulas e necessitava dos recursos ali existentes, minhas crianças não vão deixar de aproveitar um momento diferente por conta de fatores externos. Se o aluno é da escola, então que não se faça atribuição de aulas. Que a baderna se instaure, uai.
Não vou ficar que nem macaco de galho em galho, sinto muito.
E nem enlouquecer, não mesmo.
Antes que isso aconteça, prefiro sair de cena.
Ao menos temporário.