quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A dificuldade reina!

Desde que iniciei a lecionar nunca tive uma sala de aula tão difícil. Extremamente!!!! Sinto que ela foi montada especialmente para mim.
Pode ser impressão, mas é isso que eu penso. Por qual razão? Ainda não descobri.
Tenho 24 alunos, vocês me dirão: "Só e ainda reclama?"
Só, por enquanto, mas são alunos que valem por uns 100.  Não que eles sejam indisciplinados mas o fardo que estou carregando é grande !
Olho para a carinha deles e penso: por onde começar? O que fazer? Como fazer?
Estou com planos, projetos e ideias. Tenho diariamente enfrentado uma guerra dentro daquela sala. Estou na segunda semana e por incrível que pareça desgastada emocionalmente.
Meus casos são ultra complexos, preciso com urgência parcerias que teoricamente existem mas sabe-se lá quando essas crianças serão atendidas por esses profissionais?
Escola pública.
Saúde pública.
Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!
Socorro!!!
Já gritei para mim e briguei com meu interior para não me envolver e permanecer distante disso tudo. E eu consigo?
Chego em casa e os 24 acabam vindo comigo. Tento mandá-los embora, e eles não vão! Sacanagem, né?
Hoje, um menino que conheço sua história, meio que desabou. A razão pelo choro não foi a demonstrada: somente porque eu pedi para ele terminar de copiar as três últimas linhas da lição antes de ir à aula de Educação Física. Posso ser durona mas as lágrimas de uma criança ferem meu coração. Foi um meio que ele encontrou de colocar para fora o que tanto o incomoda internamente, mas tinha que ser comigo????
Eu fico sem chão.
Quero dar felicidade a ele mas ele precisa querer recebê-la.... Será?
São tantos os questionamentos, tantas angústias, tantas dores... e eu sou uma. Apenas uma!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sobre o aborto...


Sim, sou contra o aborto mas nunca condenei nenhuma mulher que o fez e  nem bato de frente querendo impor a minha opinião com quem é a favor.Cada um na sua! Mas hoje cheguei a conclusão que estamos dentro de uma sociedade com milhares de "abortos" vivos que cruzam o nosso caminho.
Filhos gerados a custa de bolsas.
Filhos que a rua toma conta.
Filhos violentados.
Filhos desprezados.
Como isso me fere!!!! Como estou sangrando!
Sempre desejei ser mãe e isso não é segredo para ninguém. Acredito que já expressei esse meu sentimento em algum post perdido no tempo.
Muitas vezes meu ventre gritou e eu precisei silenciá-lo pois não era o momento: falta de grana, sem profissão, sem um emprego que pudesse prover o sustento do meu filho, sem muitas perspectivas. Certo ou errado optei em lidar com essa questão racionalmente.
Lutei para chegar no degrau que sempre desejei. Para você pode não ser muita coisa mas morro de orgulho do meu diploma e da profissão que exerço.
Hoje aos 39 anos não sei se ainda terei ou não um filho, isso já entreguei nas mãos de Deus. Não vou sofrer por aquilo que não me pertence mais.
Minha profissão acalanta o meu desejo.
Não!
Não me sinto mãe dos meus alunos, sou apenas a professora que fica com eles 4 horas por dia, (quando tem Educação Física o tempo diminui para 3), mas isso não impede que um vínculo seja criado, que um amor seja gerado, que laços sejam construídos. Para mim é inadmissível o fazer mal a um ser indefeso que não pediu para nascer. Desculpem mas essa é a verdade, nem eu  e nem você pedimos para vir a esse mundo caótico, mas já que aqui estamos vamos enfrentá-lo. E me dói , me rasga a alma ao conhecer algumas histórias das vidas que estão em minhas mãos.
Eu sei o que você está pensando: faça a sua parte, a sua obrigação, mas como????????
Como me dividir e principalmente dividir uma criança que em seu pouco tempo de vida passou por situações que eu batendo na porta dos 40 nunca imaginei viver????
Como fazer com que acredite em si própria se o que ela tem é apenas o desprezo de quem a gerou?
Como ????
Eu não sei, só sei que dói.
E muito!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Voltando...



Fiquei sumida, né?
Claro, surtei.
Surtei!
E não foi no sentido figurado, fiquei afastada desde setembro e estou voltando agora ao trabalho.
Percebi que as coisas não estavam bem principalmente por conta de um feedback dos meus alunos
- Tia, a senhora não anda bem!
E não andava.
Foi uma sequência de acontecimentos em todos os âmbitos da minha vida. Coisas que guardei, que superei falsamente, problemas e mais problemas. Não sou uma super mulher, apenas um ser humano que assim como as máquinas também falha.
A internet tem seu lado bom e seu lado perigoso. Muitas vezes  não posso realmente escrever o que eu penso e sinto pois pode chegar em olhos que interpretarão aquilo que melhor convir.
Então deixo aqui uma lacuna de sentimentos guardados e que precisei reelaborá-los para prosseguir. Enterrar mágoas não é fácil mas é necessário para continuar a ser o que sempre se foi, e melhor!
Minha nova turma, pra variar, é um 5º ano muito, mas muito difícil.
Então vocês me perguntam: como assim? Em qual aspecto?
EM TODOS!
Social, pedagógico, familiar, disciplinar...
Para ter ideia hoje já precisei inaugurar o caderno de ocorrência. Nesse momento se faz necessário.
Preciso levantar o histórico desses alunos com mais calma,
Preciso elaborar novos projetos.
Preciso resgatar essas vidas.
Como??
Deus mostrará o caminho, tenho certeza.
Força e desejo eu tenho dentro de mim.
Que esse ano possa ser maravilhoso e que logo eu possa voltar a contar coisas lindas que vivenciarei!
Bora trabalhar, a tarefa é árdua!


quinta-feira, 17 de julho de 2014

Depois de algum tempo...

Nem sei por onde começar...  São e sempre foram tantas emoções.
Minha vida está muito ligada à sala de aula. Sou uma professora realizada, mesmo diante de tudo o que vem me ocorrendo. Mesmo que eu me sinta só diante de uma sala de professores cheia.  Mesmo com toda a dificuldade que passo e sempre passarei dentro da minha profissão. A magia sempre fala mais alto, o encantamento sempre me envolve e eu continuo seguindo feliz.
Amo, não nego, cada criança que passou por mim. Únicas!
Essa minha turma eu denominaria : 5º ano MEL. Sim, é uma turma muito doce, e eu sou muito abençoada em tê-la comigo. Todos os dias quando piso no meu cantinho mágico eu sinto o amor crescendo em mim.
Claro que alguns que leem meu blogue vão pensar: "Essa mulher é doida, sempre elogia a turma que trabalha, como dar trela à ela? "
Simples, meu caro leitor, cada turma é única e especial. Em cada ano que leciono aprendo tanto, me envolvo tanto que não tem como ser diferente.
Bem, antes de entrarmos de férias consegui finalmente levar a minha classe para o Catavento Cultural e Educacional na cidade de São Paulo.
Não tenho palavras para descrever a felicidade dessa molecada.
É impossível! O brilho do olhar de cada rostinho era mágico. Educar é ser e fazer o outro feliz!
Se envolveram em cada experiência, em cada novo aprendizado. Por que preciso ficar tanto tempo presa na sala de aula se eu tenho um mundo para explorar com  meus pequenos? Queria tanto mais subsídios para proporcionar constantemente atividades assim!
Sabe, a cada ano que passa me torno mais crítica, mais chata, mais exigente. Não com meus alunos, mas em relação ao sistema falido de ensino que vivenciamos.  Tenho o sangue sonhador do meu pai e continuo sonhando com uma escola feliz, colorida, cheia de vida! Um lugar onde as crianças possam frequentar não apenas pela obrigação da presença da bolsa família, mas sim por ter o simples prazer de encontrar com o saber e de se encontrar.
Continuo trabalhando a criticidade com minha turma, faço cada um pensar, analisar os fatos ocorridos. Quero poder proporcionar a segurança do direito da liberdade de expressão, dos laços afetivos construídos baseados no respeito, de novos horizontes. Quero ver o desenvolvimento dos meus educandos, e um dia encontrá-los no futuro como cidadãos de bem.
Esses dias uma aluna minha viu que a amiga era a única atrasada na atividade, e eu não podia continuar se ela não acompanhasse a turma. Então ela tomou a iniciativa de deixar o caderno da amiga completo. Copiou por livre espontânea vontade, com o coração puro.
Outra comprou sorvete para as amigas que não tinham dinheiro, ficou sem sorvete a semana inteira, mas ganhou o meu respeito, a minha admiração e Deus teve ter se orgulhado daquele simples gesto altruísta.
Essa turma está aberta para a vida, o coração é grande, abraça as ideias e é feliz.
E eu sou muito mais por ter o privilégio de ter crianças tão especiais na minha caminhada.
Amanhã vou trabalhar Tchaikovsky e Monet...E é fantástico ver como eles  absorvem tudo com respeito e curiosidade.
Vou tentar ser mais presente por aqui! Mas às vezes o encantamento é tão grande que me faltam palavras!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Ausência

Como ando relapsa!
Tenho que voltar com meu blogue, mas para isto preciso me reestruturar emocionalmente,
Não ando legal!
Semana que vem pensarei em algo!
Até breve!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Feliz!

Tenho uma aluna com n dificuldades, muitas devido a fatores fora do contexto escolar.
No início do ano, ela não conseguia terminar uma atividade inteira, não copiava o que era preciso. 
Atualmente ela consegue terminar as provas e as atividades, raramente volta pra casa com algo inacabado. 
E especificamente no dia de hoje, passei uma relação de contas de divisão pois vi que muitos ainda tem dúvidas e a chamei para perto de mim e expliquei passo-a-passo. Fiz isso com cada aluno que estava com problemas na resolução. E a minha pequena resolveu tudo de maneira correta! A cada resultado correto que me mostrava, e via o sinal de certo tomando forma no seu caderno, seu sorriso se fazia maior, e eu me tornava o seu espelho.
Escrevi uma frase de incentivo no final da sua tarefa. Ela ficou uns cinco minutos olhando-a, sorrindo feliz! 
Só de lembrar fico emocionada.
Não tem profissão mais linda que a minha, mesmo com todos os seus percalços!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Confusões e felicidade.

Ando tão entusiasmada com meus projetos e minhas aulas que acabo me esquecendo de escrever no meu blogue que tanto adoro.
Bem, vamos as novidades. Algumas boas, outras nem tanto!
Tenho um aluno que desde o primeiro dia de aula, antes mesmo dele dizer: "presente", senti que algo não andava muito bem.
É uma criança muito bonita, porém quieta e distante.  Sua cabeça nunca está dentro da sala de aula, seu olhar está em outras direções. Está sempre sonolento, não se concentra... Chamei a mãe para conversar, ela não compareceu. Foram até a casa dela, mas apenas as crianças se manifestaram dizendo que não havia ninguém ali.
No momento da brincadeira, ele caiu e se machucou. Para localizar a mãe foi muito difícil, mas com a graça de Deus conseguimos. E foi a partir daí que conhecemos a história do meu pequeno.
Resumindo, ele com apenas 10 anos é o homenzinho da casa.
Chorei por três dias. Chorei por ele, por mim, pela indiferença e naturalidade que é tratada a dor alheia. Chorei porque percebi que o mundo cada dia que passa está mais frio. Não quero me esfriar nunca.
Todas as noites oro por ele. E espero que Deus o abençoe na sua infinita bondade.E o que eu puder fazer, farei.
Bem, na minha aula de Arte dei Beethoven para a molecada e com a ajuda de um amigo ensinei o início da 9ª Sinfonia no teclado que estava parado na escola.  Foi uma loucura! Uma aula deliciosa. Fora a surpresa que eu tive com uma aluna de inclusão, que toda concentrada e responsável, tocou direitinho, por ser a sua primeira vez diante de um instrumento musical.
Gente, é ou não é para ficar radiante??????
Minha profissão tem desses paradoxos: felicidade x tristeza, preocupação x satisfação, sentimentos diversos que caminham juntos, lado a lado, que nos desafiam e nos impulsionam sempre a procura de novas alternativas, novos horizontes.
Eu sou feliz, extremamente feliz.