segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Ausência e retorno...


Há pouco mais de um mês perdi meu pai com câncer. Foram dias difíceis de dor e de aprendizado.
Por conta disso parei tudo: pós graduação, trabalho, monografia etc. Pararia por toda a eternidade se assim fosse preciso.
A saudade se faz presente.
Não há um dia que eu não pense no meu herói.
E a vida não pára, ela continua freneticamente, a gente querendo ou não.
Prometi nos seus momentos finais que ficaria bem, que lutaria pelo meu futuro, que seguiria os seus ensinamentos e que ainda daria  muito orgulho para ele!
Então estou retornando!
Retorno com alegria (e muita) pois o convívio com as minhas crianças me faz muito bem. Sei que por várias vezes reclamei, e voltarei a reclamar delas,  mas faz parte dos relacionamentos, certo? Atire a primeira pedra qual mãe nunca teve vontade de esganar seu rebento? Quem durante o casamento  não pensou em separação dentro de um período turbulento? Qual filho nunca discutiu com algum dos seus genitores???
Assim também é a minha relação com meus pequenos, uma relação de amor bem complexa cheias de contrapostos ! 
Minha recepção não poderia ter sido melhor: abraços, beijos, carinhos mil! Eu nem fico boba, né? Frases como: "que bom que a senhora voltou!", "tiaaaaaaaa!!!", "estava com saudades!" colore a minha alma  amenizando as pontadas de tristeza que surgem.
Meus alunos do ano passado também me encheram de afeto e são nesses momentos que tenho certeza que escolhi a profissão certa.
Ser professora para mim é a realização de um sonho de anos e espero continuar sonhando até o fim dos meus dias!

Meu pai, obrigada por tudo!!!! Te amarei eternamente!


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Romero Britto e Benedito Calixto


A minha ansiedade era bem maior que a deles.
Nosso passeio à Pinacoteca Benedito Calixto para prestigiar a exposição do Romero Britto foi simplesmente perfeita.
As crianças amaram, se comportaram muito bem!
Fizeram perguntas pertinentes, absorveram cada detalhe do local.
Poucas vezes tive que chamar a atenção da galera.
No final, fizemos um delicioso piquenique atrás do casarão, aqueles que não tinham levado lanche não passaram fome. Todos compartilharam ... aprenderam a dividir bem melhor do que nas atividades matemáticas!
Fiquei cheia de orgulho, no dia seguinte, fui elogiá-los, para quê?????
Grrrrr!!!!!!
Coisas do cotidiano!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Dores proibidas

Toda criança deveria ter o direito e a obrigação de ser feliz!
O sofrimento e as dores na alma deveriam ser apenas dos adultos. As lágrimas surgiriam quando elas começassem o período da adolescência.
Seria mais do que proibido fazer mal, qualquer mal, a um ser teoricamente  imaculado e inocente.
Como dói meu coração, quando em momentos de espontaneidade, no  desabafo contam coisas como se fossem normais e corriqueiras, mas sempre com muita verdade e dor. Os olhos aos poucos perdem o brilho e a vivacidade, e isso me dilacera a alma...
Muitas vezes, gostaria de ser ignorante, acreditar que todas as Alices pudessem viver num país verdadeiramente das maravilhas, que todas as Feras fossem sempre belas e que os lobos maus tivessem sempre seu final merecido. Um mundo em que todas as crianças pudessem viver felizes para sempre.
Gostaria de arrancar dos pequenos e intensos peitos suas mazelas e plantar sementes de amor, esperança, coragem !!!!
Mas sou apenas mais uma professora....

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Amor bandido

Já ouviram falar de amor bandido???
Esse é o meu pela Educação!
Reclamo, choro , sofro, me estresso e.... e... NÃO VIVO SEM!
Esse ano a turma é muito difícil. Cheia de problemas de todas as ordens, e a professora desordenada acaba querendo rasgar a orelha com o garfo!
Até meu querido blog tem ficado à margem disso tudo.
Ontem foi dia do nosso amado Monteiro Lobato, falei um pouco a respeito sobre a sua vida e obra, disse sobre uma atividade que eles deverão realizar durante o ano inteiro e  dei um problema de matemática, com as datas de nascimento e morte e pedi  para que fizessem os cálculos:
a) se ele estivesse vivo, quantos anos estaria fazendo?
b) quanto tempo fará que ele morreu?
Perguntei do porquê de estar usando o verbo no futuro na segunda questão.
Monteiro Lobato faleceu num mês de julho e a resposta que eu gostaria que eles me dessem era simples: não chegamos ainda no mês da sua morte!
Academia para quê??? Suei mais do que 300 abdominais e depois de muito, mas muito, esforço consegui a resposta !
Ufa!
Hoje, dei duas atividades diferenciadas. Uma que deu certo no ano passado e eu repeti: a pintura corporal (apenas nos punhos) em homenagem ao dia do índio, e a outra de arte baseada na obra do Romero Britto (meus anjos vão na exposição dele).
A atividade era em grupo, sobre o tnt um dos integrantes deitaria e um outro faria o seu contorno. Depois dividiriam o desenho conforme o artista faz em sua obra e deveriam colorir.
Interessante presenciar como os grupos reagiram durante a realização da proposta. Apenas um grupo, que fiquei surpresa, não conseguiu chegar a um bom senso. Brigaram o tempo todo, um que não prestou atenção nas aulas esculhambou com tudo, os outros reclamaram, não se uniram, não compartilharam, enfim... UM CAOS.
Depois conversei com a sala de aula sobre o que observei e discutimos algumas situações que um irá precisar ajudar o outro. A vida é assim...
Cheguei em casa exausta....muito...
Exausta e feliz....

sexta-feira, 23 de março de 2012

Quero colo!

Esse ano estou me sentindo tão enfraquecida....
Sinceramente, não quero mais classe de inclusão. Não tenho emocional para isso. Não é falta de amor, e sim falta de estrutura psicológica.
Não tenho feito meu papel direito.
Tô me sentindo sozinha, sem amparos...
Quero gritar, fugir... não posso...
Tenho pensado em largar a Educação, por amar demais .... amar e não ter o poder de fazer nada... nada!
Nas minhas mãos tem vidas.... com tantas dores e dissabores.
Não sei se aguentarei.
Por conta de adultos inconsequentes, sem amor próprio e ao próximo, fazem filhos e jogam-os ao mundo sem se importar o que serão deles....
Escrevo essas linhas molhando meu teclado pensando na minha aluna que achei que tivesse caído morta por conta de uma convulsão....
Pensando na minha outra pequena, tão "desamada" pela vida que se viu obrigada a se armar da pior maneira que existe, criando um mundo de mentiras e envolvendo outras crianças inocentes.
Nos meus dois meninos que já com idade avançada não são alfabetizados e que nem sei se tenho competência para ajudá-los. Amor não alfabetiza.
Na minha sapequinha, sem a presença materna, que tem como referência essa professora tão machucada e cansada... e que essa professora precisa muitas vezes fazê-la ferir para que ela possa entender alguns detalhes da vida.
E tantos outros... tantos.. tantos....
O que eu posso fazer em um ano só?
Só tenho que pedir a misericórdia de Deus... para mim e para eles...
Acho que escolhi a profissão errada, é... bem por aí!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.....

Vocês já viveram dias que parecem infindáveis?
Dias terríveis?
Tudo o que você faz ou tenta fazer não dá certo?
Você já teve vontade de jogar tudo pro alto e recomeçar uma nova vida em outros horizontes?
Pois é....
Estou em crise...
Emocional, financeira, profissional, pessoal, e blá blá blá....
Ando duvidando até do amor que tenho pela minha profissão...
Um sonho com vestes de pesadelo....
Dói perceber que o importante são carteiras enfileiradas impedindo o conhecimento circular livremente pela sala de aula...
Dói olhar para os olhos de um aluno teu e ver a maldade imperando disfarçada e nos lábios um sorriso dúbio ...  Maldade e carência...
Dói saber de vidas tão intensas e duras  e sentir a impotência tomando conta do seu ser...
Dói....
Dói..
Dói ser humano e ser incapaz de abraçar o que não se pode!!! Como dói....

sexta-feira, 9 de março de 2012

Errar dói...

O erro faz parte da construção do acerto, mas dói, tira o sono,  nos deixa atordoados. Ao menos para mim.
Essa semana errei com uma aluna. Sou humana, mas não posso ser quando estou na minha sala de aula.
Por ora, prefiro ficar em silêncio curtindo a minha dor e reelaborando para que eu consiga ver um novo amanhecer.
Minha sala de aula está aberta para todos. Nunca fecharei as portas para ninguém e mesmo aqueles que por vezes a gente tem vontade de pedir para se retirar, eu sempre os seguro pertinho de mim.
Por contrapartida, nem todos pensam como eu , e dessa forma alguns alunos que "não se adaptaram" aos outros professores estão entrando na minha sala.
Só que ela está cheia , repleta de problemas pedagógicos. Estou com dois analfabetos, um nem as vogais reconhece. Esse, talvez, possa sim ser dislexico pelo o que eu estou observando com meus olhos leigos.
Outros tem uma dificuldade enorme de acompanhar a sala....
Vidas cheias de complexidade para tão tenra idade ajudam essas crianças a estarem com a cabeça mais avoada.
E eu tendo que dar conta de tudo.
Saio exaurida, com vontade de colo.
Um colo inexistente.
- Professora, confio no seu trabalho! - foram as palavras do meu diretor. Fico feliz pela confiança, mas não sou uma super mulher. Tenho fraquezas e limitações...
Será que aguentarei????

PS. Hoje chegou uma assistente para me ajudar com o meu aluno especial. O bom que ela parece ser uma pessoa dedicada e amorosa. Que Deus a abençoe e que eu não esteja enganada a seu respeito...