quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Dentro da minha sala....

Realmente me sinto muito bem quando estou dentro da minha sala de aula com as minhas crianças! Sinto-me feliz, realizada, completa apesar de todas as guerras que preciso enfrentar diariamente.
Ontem, precisei chamar a atenção de duas alunas de uma maneira menos delicada do que o habitual e mais assertiva. Elas precisam compreender que a vida não espera ninguém não,  e que se faz necessário lutar sempre para alcançar nossos objetivos e que os nossos pés precisam estar inseridos no caminho do bem para que tudo ocorra de uma maneira mais natural e menos sofrida.
Eu não sei por quanto tempo eu falei, sei que as duas acabaram chorando e finalizei (com o coração na mão) que chorar faz bem, alivia as dores e mágoas e que era melhor exteriorizar tudo naquele momento para evitar que no futuro  os sentimentos reprimidos se transformassem  numa doença.
Fiquei muito cansada emocionalmente, não gosto de ser dura, mas às vezes é preciso. E eu expliquei que o amor verdadeiro não passa a mão na cabeça quando o outro erra, e sim estende a mão para ajudá-lo a se reerguer, mesmo que seja necessário alguns puxões mais fortes causando algum incomodo momentâneo, mas necessários!
Na aula de Ciências, estou trabalhando a alimentação saudável, e contei a história de um livro bárbaro para trabalhar o assunto: A mágica do professor Copérnico.
Eles adoraram porque eu acabo viajando e entrando na história junto com a autora. Eu gosto de contar histórias!!!
Depois realizaram algumas atividades sobre o assunto, e darei continuidade essa semana. No final da aula, uma aluna veio me beijar e agradeceu por ter lido o livro para eles.
Que mundo será que meus pequenos vivem a ponto de se sentirem gratos por uma simples leitura? Aquilo me deixou pensativa...
Preciso trabalhar mais o lúdico com a turminha, a arte, as cores, as possibilidades de transformação... Preciso fazer com que eles realmente se sintam na pele da borboleta do projeto que estamos inseridos pelo grupo Positivo.
Mudar é preciso para se desenvolver!
E isso é pessoal!
 

domingo, 2 de setembro de 2012

Meus eternos vencedores!


A prefeitura deu uma capacitação para os professores do quarto ano para aprenderem e divulgarem na escola o que são limeriques, pois as crianças poderiam se inscrever com suas obras para participarem de um concurso realizado na Baixada Santista.
Foi delicioso aprender um novo gênero e trabalhar com minha sala.
Todos os dias iniciava com o " Limerique do dia", e meus pequenos produziam coletivamente lindos poemas.
As inscrições foram abertas e avisei a galerinha para que se inspirassem, escrevessem  e me mandassem suas produções para que eu pudesse fazer a inscrição.
Muitos se tornaram verdadeiros "poetreliques". A produção infantil é tão cheia de magia! Sempre fico encantada com as produções sejam elas literárias ou artísticas. É uma pena que a vida nos obrigue a crescer!
Enfim...
Com o orgulho transbordando pelos meus poros, dois alunos meus foram selecionados entre os 1800 poemas inscritos, apenas 161 poderiam participar da cerimônia.
E lá fomos nós!
Meus anjinhos se divertiram bastante , a apresentação foi linda, engraçada, cheia de magia... Nós três nos encatávamos a cada instante passado.
Bem, infelizmente, eles não estiveram entre os cinco primeiros colocados.
Fiquei triste em não ouvir o nome deles sendo anunciado.
E eles????
E eles saíram felizes da vida!!!!
A reação da minha dupla foi super madura. Ficaram felizes com o prêmio de participação, adoraram o passeio, estavam se comportando como se fossem os primeiros lugares.
Realmente eu tenho muito mais que aprender do que ensinar com meus anjinhos.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Ausência e retorno...


Há pouco mais de um mês perdi meu pai com câncer. Foram dias difíceis de dor e de aprendizado.
Por conta disso parei tudo: pós graduação, trabalho, monografia etc. Pararia por toda a eternidade se assim fosse preciso.
A saudade se faz presente.
Não há um dia que eu não pense no meu herói.
E a vida não pára, ela continua freneticamente, a gente querendo ou não.
Prometi nos seus momentos finais que ficaria bem, que lutaria pelo meu futuro, que seguiria os seus ensinamentos e que ainda daria  muito orgulho para ele!
Então estou retornando!
Retorno com alegria (e muita) pois o convívio com as minhas crianças me faz muito bem. Sei que por várias vezes reclamei, e voltarei a reclamar delas,  mas faz parte dos relacionamentos, certo? Atire a primeira pedra qual mãe nunca teve vontade de esganar seu rebento? Quem durante o casamento  não pensou em separação dentro de um período turbulento? Qual filho nunca discutiu com algum dos seus genitores???
Assim também é a minha relação com meus pequenos, uma relação de amor bem complexa cheias de contrapostos ! 
Minha recepção não poderia ter sido melhor: abraços, beijos, carinhos mil! Eu nem fico boba, né? Frases como: "que bom que a senhora voltou!", "tiaaaaaaaa!!!", "estava com saudades!" colore a minha alma  amenizando as pontadas de tristeza que surgem.
Meus alunos do ano passado também me encheram de afeto e são nesses momentos que tenho certeza que escolhi a profissão certa.
Ser professora para mim é a realização de um sonho de anos e espero continuar sonhando até o fim dos meus dias!

Meu pai, obrigada por tudo!!!! Te amarei eternamente!


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Romero Britto e Benedito Calixto


A minha ansiedade era bem maior que a deles.
Nosso passeio à Pinacoteca Benedito Calixto para prestigiar a exposição do Romero Britto foi simplesmente perfeita.
As crianças amaram, se comportaram muito bem!
Fizeram perguntas pertinentes, absorveram cada detalhe do local.
Poucas vezes tive que chamar a atenção da galera.
No final, fizemos um delicioso piquenique atrás do casarão, aqueles que não tinham levado lanche não passaram fome. Todos compartilharam ... aprenderam a dividir bem melhor do que nas atividades matemáticas!
Fiquei cheia de orgulho, no dia seguinte, fui elogiá-los, para quê?????
Grrrrr!!!!!!
Coisas do cotidiano!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Dores proibidas

Toda criança deveria ter o direito e a obrigação de ser feliz!
O sofrimento e as dores na alma deveriam ser apenas dos adultos. As lágrimas surgiriam quando elas começassem o período da adolescência.
Seria mais do que proibido fazer mal, qualquer mal, a um ser teoricamente  imaculado e inocente.
Como dói meu coração, quando em momentos de espontaneidade, no  desabafo contam coisas como se fossem normais e corriqueiras, mas sempre com muita verdade e dor. Os olhos aos poucos perdem o brilho e a vivacidade, e isso me dilacera a alma...
Muitas vezes, gostaria de ser ignorante, acreditar que todas as Alices pudessem viver num país verdadeiramente das maravilhas, que todas as Feras fossem sempre belas e que os lobos maus tivessem sempre seu final merecido. Um mundo em que todas as crianças pudessem viver felizes para sempre.
Gostaria de arrancar dos pequenos e intensos peitos suas mazelas e plantar sementes de amor, esperança, coragem !!!!
Mas sou apenas mais uma professora....

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Amor bandido

Já ouviram falar de amor bandido???
Esse é o meu pela Educação!
Reclamo, choro , sofro, me estresso e.... e... NÃO VIVO SEM!
Esse ano a turma é muito difícil. Cheia de problemas de todas as ordens, e a professora desordenada acaba querendo rasgar a orelha com o garfo!
Até meu querido blog tem ficado à margem disso tudo.
Ontem foi dia do nosso amado Monteiro Lobato, falei um pouco a respeito sobre a sua vida e obra, disse sobre uma atividade que eles deverão realizar durante o ano inteiro e  dei um problema de matemática, com as datas de nascimento e morte e pedi  para que fizessem os cálculos:
a) se ele estivesse vivo, quantos anos estaria fazendo?
b) quanto tempo fará que ele morreu?
Perguntei do porquê de estar usando o verbo no futuro na segunda questão.
Monteiro Lobato faleceu num mês de julho e a resposta que eu gostaria que eles me dessem era simples: não chegamos ainda no mês da sua morte!
Academia para quê??? Suei mais do que 300 abdominais e depois de muito, mas muito, esforço consegui a resposta !
Ufa!
Hoje, dei duas atividades diferenciadas. Uma que deu certo no ano passado e eu repeti: a pintura corporal (apenas nos punhos) em homenagem ao dia do índio, e a outra de arte baseada na obra do Romero Britto (meus anjos vão na exposição dele).
A atividade era em grupo, sobre o tnt um dos integrantes deitaria e um outro faria o seu contorno. Depois dividiriam o desenho conforme o artista faz em sua obra e deveriam colorir.
Interessante presenciar como os grupos reagiram durante a realização da proposta. Apenas um grupo, que fiquei surpresa, não conseguiu chegar a um bom senso. Brigaram o tempo todo, um que não prestou atenção nas aulas esculhambou com tudo, os outros reclamaram, não se uniram, não compartilharam, enfim... UM CAOS.
Depois conversei com a sala de aula sobre o que observei e discutimos algumas situações que um irá precisar ajudar o outro. A vida é assim...
Cheguei em casa exausta....muito...
Exausta e feliz....

sexta-feira, 23 de março de 2012

Quero colo!

Esse ano estou me sentindo tão enfraquecida....
Sinceramente, não quero mais classe de inclusão. Não tenho emocional para isso. Não é falta de amor, e sim falta de estrutura psicológica.
Não tenho feito meu papel direito.
Tô me sentindo sozinha, sem amparos...
Quero gritar, fugir... não posso...
Tenho pensado em largar a Educação, por amar demais .... amar e não ter o poder de fazer nada... nada!
Nas minhas mãos tem vidas.... com tantas dores e dissabores.
Não sei se aguentarei.
Por conta de adultos inconsequentes, sem amor próprio e ao próximo, fazem filhos e jogam-os ao mundo sem se importar o que serão deles....
Escrevo essas linhas molhando meu teclado pensando na minha aluna que achei que tivesse caído morta por conta de uma convulsão....
Pensando na minha outra pequena, tão "desamada" pela vida que se viu obrigada a se armar da pior maneira que existe, criando um mundo de mentiras e envolvendo outras crianças inocentes.
Nos meus dois meninos que já com idade avançada não são alfabetizados e que nem sei se tenho competência para ajudá-los. Amor não alfabetiza.
Na minha sapequinha, sem a presença materna, que tem como referência essa professora tão machucada e cansada... e que essa professora precisa muitas vezes fazê-la ferir para que ela possa entender alguns detalhes da vida.
E tantos outros... tantos.. tantos....
O que eu posso fazer em um ano só?
Só tenho que pedir a misericórdia de Deus... para mim e para eles...
Acho que escolhi a profissão errada, é... bem por aí!