"Quando não temos constantemente o exercício da liberdade , quando a possuímos não sabemos como conduzi-la. Agimos de maneira desnorteada e improdutiva.
Que a liberdade seja nossa companheira de viagem para que possamos encontrar no final da nossa caminhada o sucesso."
Escrevi essas linhas acima por conta do baile que aconteceu na escola no dia de hoje.
Criança é criança, dentro ou fora da escola. Sua essência é a mesma independente da classe social. Nos dias de hoje é necessário alimentar a infância para que esses futuros adultos sejam sadios e felizes. Muitas delas não têm a oportunidade de vivenciar isso em seus lares, por isso faço questão delas terem o dia do brinquedo, da brincadeira, da liberdade!!!! Brincar somente pelo fato de brincar.
Serem livres na sua alegria infantil!!
Quando as crianças não possuem esse hábito, quando elas o tem não sabem o quê fazer, como fazer , onde fazer... As que não estão acostumadas a sair da sala de aula, quando saem ficam desnorteadas, querem correr a todo custo, querem fazer tudo aquilo que desejam, mas nem sempre é o lugar e a hora apropriada, como aconteceu no evento de hoje.
O que era para ser um bailinho se tornou uma corrida de pista. Precisei mostrar a elas que naquele momento o correr não era apropriado, então fui dançar no meio delas, fiz trenzinho, brinquei com as minhas e com as das outras, cantei, pulei...
E no final tudo deu certo.
Professoras e professores, saiam com seus alunos da sala de aula, deixe-os brincarem, façam com que eles tenham prazer em frequentar a escola. Aprender deve ser divertido e no brincar eles aprendem muito mais do que se imagina!
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Talentos que não são despertados.
Quando fiz o meu TCC de conclusão de curso com a minha amiga Mia, dissertamos a respeito da importância da arte permeando o caminho da Educação. Levantamos diversos pontos na teoria. Teoria esta que aos poucos estou colocando em prática.
Preocupo-me intensamente com cada criança que passa por mim. Com cada vida que vem de encontro a minha. Não vejo meus alunos como números ou índices. E só Deus sabe como penso em cada um deles.
Todo ano tenho um, dois, três...que acabam tendo o meu olhar de uma maneira mais especial e procuro meios para chegar perto dessas crianças e aquele que me dá uma resposta mais rápida é a Arte. Baseado nas minhas observações e nos meus estudos, posso realmente afirmar que é uma ferramenta importante que temos em nossas mãos e que muitos professores acabam deixando passar desapercebida por ignorância. Ignorar no sentido de desconhecer.
Além disso tudo, eu gosto de passar um pouco de cultura para meus pupilos.
Gente, eles adoram! Ficam fascinados! Os olhos brilham e sinto a alma deles sorrir para mim!
Estou com um projeto para este ano e pretendo chegar até o fim com ele. No mês de fevereiro trabalhei Ivan Cruz (pintor brasileiro que retrata brinquedos e brincadeiras antigas) e o grande mestre do Renascimento Michelangelo.
Quando viram as esculturas feitas pelas mãos desse gênio, ficaram espantados com a riqueza de detalhes. E ouvia sonoros "ohs" quando passava as imagens.
Para finalizar a aula, pedi que fizessem uma releitura da obra que se encontra na Capela Sistina onde o artista retrata a criação do homem por Deus.
Fiquei encantada e espantada como eles se envolveram e a produção me fez perceber que eu tenho artistas natos ali dentro. Alguns desses artistas com inúmeras dificuldades para aprender os conteúdos das demais disciplinas, mas que conseguiram se transportar para o Renascimento e capturar a alma do grande mestre!
Não sei se são os meus olhos cheios de amor por essas crianças, ou se é uma realidade, mas posso afirmar que as minhas salas são sempre as mais lindas da escola: ricas em diversidade em todas as instâncias. E eu amo tudo isso!
Preocupo-me intensamente com cada criança que passa por mim. Com cada vida que vem de encontro a minha. Não vejo meus alunos como números ou índices. E só Deus sabe como penso em cada um deles.
Todo ano tenho um, dois, três...que acabam tendo o meu olhar de uma maneira mais especial e procuro meios para chegar perto dessas crianças e aquele que me dá uma resposta mais rápida é a Arte. Baseado nas minhas observações e nos meus estudos, posso realmente afirmar que é uma ferramenta importante que temos em nossas mãos e que muitos professores acabam deixando passar desapercebida por ignorância. Ignorar no sentido de desconhecer.
Além disso tudo, eu gosto de passar um pouco de cultura para meus pupilos.
Gente, eles adoram! Ficam fascinados! Os olhos brilham e sinto a alma deles sorrir para mim!
Estou com um projeto para este ano e pretendo chegar até o fim com ele. No mês de fevereiro trabalhei Ivan Cruz (pintor brasileiro que retrata brinquedos e brincadeiras antigas) e o grande mestre do Renascimento Michelangelo.
Quando viram as esculturas feitas pelas mãos desse gênio, ficaram espantados com a riqueza de detalhes. E ouvia sonoros "ohs" quando passava as imagens.
Para finalizar a aula, pedi que fizessem uma releitura da obra que se encontra na Capela Sistina onde o artista retrata a criação do homem por Deus.
Fiquei encantada e espantada como eles se envolveram e a produção me fez perceber que eu tenho artistas natos ali dentro. Alguns desses artistas com inúmeras dificuldades para aprender os conteúdos das demais disciplinas, mas que conseguiram se transportar para o Renascimento e capturar a alma do grande mestre!
Não sei se são os meus olhos cheios de amor por essas crianças, ou se é uma realidade, mas posso afirmar que as minhas salas são sempre as mais lindas da escola: ricas em diversidade em todas as instâncias. E eu amo tudo isso!
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Estou atrasada, sorry!
Pois é. gente.. estou atrasada com meu blogue, será que mereço perdão???
Acontece que todo o início do ano letivo eu entro em crise, e não foi diferente em 2014.
A saudade dos meus pequenos ainda corrói meu peito. Foram dois anos juntos, dois anos que crescemos e aprendemos de uma forma única. Se me perguntarem ainda sei a chamada do ano passado de cor e salteada.
Eles estão bem, com professores maravilhosos que eu confio plenamente. Dizem que o ensino da escola pública é fraco e coisa e tal. Eu discordo. Na unidade que eu leciono temos profissionais de primeira. Comprometidos e que trabalham com toda seriedade.
Pensei no final do ano passado me remover, sou caxias e quando as coisas não caminham da maneira que eu acredito, fico possessa. Quando eu trabalho, eu trabalho e dou trabalho também, (no contexto positivo) então quando as coisas não fluem como o esperado... O BICHO PEGA! Depois ponderei bem, não conseguiria viver longe dos meus eternos pequenos. Minha primeira turma vai se formar no 9º ano! Que emoção! Não estaria sendo legal virando as costas para o meu coração.
Então o primeiro dia de aula chegou! Que desespero!!!
Começar do zero, lutar do início, dar o meu melhor para que eles também possam concluir esse ano sendo melhores.
Esta professora que neste momento está atrás dessa telinha do computador escrevendo essas palavras já começou a se apaixonar por essas novas vidinhas que estarão comigo nessa viagem que será única.
Elas apresentam muitas dificuldades pedagógicas. Crianças com muitos problemas que já comecei a identificar de diversas ordens, em contrapartida iluminaram minhas aulas com seus olhares e expressões. Como são expressivas! Como me correspondem!
Ontem me surpreenderam na aula que eu dei sobre poesia. Um aluno me disse que gostaria de ter os livrinhos que eu emprestei para a turma para poder ler para a irmã de quatro anos. Outro me disse que vai ler mais poesias do que gibi! Como me encantam!
Na aula de Educação Artística apresentei Bach para a turma, contei a história dele, mostrei fotos, e claro coloquei para a turma ouvir músicas desse grande nome da música universal!
Quando o cd acabou eles se lamentaram. Falaram que a música acalmava, que era boa de se ouvir. Perdoe-me aquele que vai contra os meus pensamentos, perdoe-me o conteudista, mas essas crianças precisam de muito mais do que gramática e tabuada!
Eu ainda vou trabalhar na escola dos meus sonhos... Eu ainda vou sair de dentro desse sistema que tolhe sonhos e emoções. Um dia... quem sabe...
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Revolta mode on
Juro que eu não sou bipolar, não!
Sou apenas uma professora que trabalha num país chamado Brasil. Sim, é isso mesmo!
Um dia minha felicidade está lá no Pico do Everest, outro no poço mais profundo escavado para se encontrar petróleo.
Hoje estou muito revoltada, extremamente. Não apenas pelas situações que meus colegas professores tem enfrentado no estado do Rio, mas pela minha que é tão pequena perto da deles mas que também me incomoda.
Nunca fechei as portas da minha sala para nenhum aluno. Dou aula até para 200 crianças se for preciso, porém a minha situação hoje é diferente.
Como todos já tem ciência, minha sala pegou fogo e estou dando aula no laboratório de informática. O espaço não comporta muitas crianças, as minhas já ficam apertadas ali, mas hoje resolveram socar lá dentro mais 9 por conta de uma professora que está de licença.
Ela não tem culpa, muito menos eu.
Quero uma substituta na UE. A escola já solicitou, mas nada de chamarem alguém para assumir essas aulas.
Economia???
Melhor não falar o que eu penso, infelizmente a ditadura nunca deixou de existir.
Eu me prejudico.
Minhas crianças se prejudicam.
As dela também.
Linda conjugação verbal, né?
Ainda vieram me sugerir para ocupar outra sala.
Pera lá.
Eu planejei as minhas aulas e necessitava dos recursos ali existentes, minhas crianças não vão deixar de aproveitar um momento diferente por conta de fatores externos. Se o aluno é da escola, então que não se faça atribuição de aulas. Que a baderna se instaure, uai.
Não vou ficar que nem macaco de galho em galho, sinto muito.
E nem enlouquecer, não mesmo.
Antes que isso aconteça, prefiro sair de cena.
Ao menos temporário.
Sou apenas uma professora que trabalha num país chamado Brasil. Sim, é isso mesmo!
Um dia minha felicidade está lá no Pico do Everest, outro no poço mais profundo escavado para se encontrar petróleo.
Hoje estou muito revoltada, extremamente. Não apenas pelas situações que meus colegas professores tem enfrentado no estado do Rio, mas pela minha que é tão pequena perto da deles mas que também me incomoda.
Nunca fechei as portas da minha sala para nenhum aluno. Dou aula até para 200 crianças se for preciso, porém a minha situação hoje é diferente.
Como todos já tem ciência, minha sala pegou fogo e estou dando aula no laboratório de informática. O espaço não comporta muitas crianças, as minhas já ficam apertadas ali, mas hoje resolveram socar lá dentro mais 9 por conta de uma professora que está de licença.
Ela não tem culpa, muito menos eu.
Quero uma substituta na UE. A escola já solicitou, mas nada de chamarem alguém para assumir essas aulas.
Economia???
Melhor não falar o que eu penso, infelizmente a ditadura nunca deixou de existir.
Eu me prejudico.
Minhas crianças se prejudicam.
As dela também.
Linda conjugação verbal, né?
Ainda vieram me sugerir para ocupar outra sala.
Pera lá.
Eu planejei as minhas aulas e necessitava dos recursos ali existentes, minhas crianças não vão deixar de aproveitar um momento diferente por conta de fatores externos. Se o aluno é da escola, então que não se faça atribuição de aulas. Que a baderna se instaure, uai.
Não vou ficar que nem macaco de galho em galho, sinto muito.
E nem enlouquecer, não mesmo.
Antes que isso aconteça, prefiro sair de cena.
Ao menos temporário.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Lecionar vale a pena....
Ontem fui almoçar na casa da Maria a sua tv estava sintonizada na Globo e passava o programa "Esquenta" , para a minha surpresa estava a Orquestra Sinfônica Brasileira falando sobre Beethoven. Na hora eu pensei: será que as minhas crianças estão assistindo? (pois trabalhei sobre o compositor)
Hoje, quando cheguei na sala de aula, a primeira coisa que eu ouvi de um aluno foi: "Tia, a senhora viu o Esquenta ontem? Falaram sobre Beethoven e na orquestra tinha um instrumento "da hora" que era grandão e fazia assim... (e imitou o som grave do violoncelo).
O trabalho é árduo, mas vale a pena, os olhinhos do meu pequeno brilharam quando me contou isso.
Nada mudará se a mesmice continuar permeando a vida das nossas crianças. Vamos deixar de preconceitos baratos e mostrar um novo mundo para elas.
Muito orgulho dos meus pequenos!
Lecionar vale a pena!
Hoje, quando cheguei na sala de aula, a primeira coisa que eu ouvi de um aluno foi: "Tia, a senhora viu o Esquenta ontem? Falaram sobre Beethoven e na orquestra tinha um instrumento "da hora" que era grandão e fazia assim... (e imitou o som grave do violoncelo).
O trabalho é árduo, mas vale a pena, os olhinhos do meu pequeno brilharam quando me contou isso.
Nada mudará se a mesmice continuar permeando a vida das nossas crianças. Vamos deixar de preconceitos baratos e mostrar um novo mundo para elas.
Muito orgulho dos meus pequenos!
Lecionar vale a pena!
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Fogo na alma...
Bem, vamos as novidades...
Dizem que sexta-feira 13 é problemática... sendo ela ou não, apenas sei que a sala de aula que lecionava pegou fogo. Pegou não, pegaram!
O mais triste é saber que foi por pura maldade.
Vandalismo 100%.
Fiquei extremamente abalada, triste, magoada, raivosa, revoltada... Como disse, não foi o material que incendiou, foi muito mais. Muito mesmo.
Minha amiga professora de inglês, lembrou de um texto escrito por Cecília Meireles (leia aqui) e me enviou.
Lindo, ontem trabalhei ele com minha molecadinha e pudemos discutir alguns pontos relacionando com a vida de cada um de nós.
Baseado nessa fatalidade, tenho trabalhado muito o ânimo deles, arrancar tudo de bom que cada um tem, e fazer com que eles entendam que quando queremos algo nada vai nos impedir. Disse que quem dá aula, dá em qualquer lugar e quem quer aprender, o mesmo acontece. Que eles eram vencedores e que juntos sairíamos mais fortes e unidos.
Então procurei um compositor da Música Universal para trabalhar com eles que passasse essa mensagem de reconstrução, de vontade, de persistência.
Encontrei Haydn que quando pequeno cantava e encantava depois quando sua voz mudou, perdeu tudo. Ficou na pobreza e teve que reconstruir a sua vida. Tornou-se um grande compositor e foi grande amigo de Mozart. Então, lembrei das minhas aulas com minha maravilhosa professora da pós graduação, e fiz uma atividade com eles que o resultado foi MUITO INTERESSANTE....
Pedi para que cada um pegasse a folha de sulfite e um lápis, que colocassem o nome atrás e antes de qualquer coisa que cada um imaginasse o desenho que gostaria de fazer.
Então comuniquei que eles desenhariam ouvindo Haydn e que toda vez que eu pausasse a música, eles deveriam passar a folha adiante, e que eles dariam continuidade no desenho recebido até que o seu original voltasse em suas mãos.
TODOS, exceto uma aluna (e depois entendi a razão) tiveram reações demonstrando raiva, frustração, mágoa ao pegaram de volta a sua folha cheia de interferências exteriores e com resultados totalmente contrários ao seu pensamento.Fiz uma analogia com a vida, e perguntei quem aceitaria aquele resultado e quem gostaria de modificar, lutar, colocar a mão na massa para resolver aquilo que pensou. Todos quiseram, e atrás do desenho cada um fez a sua ideia original. Uns quiseram colorir, outros preferiram deixar em preto e branco, mas todos realizaram o seu desejo.
Mas como tudo não é 100% flores... Uma aluna no final da aula de Educação Física, perdeu as estribeiras e se estressou com um amigo. Deixei a bichinha extravasar, ele sempre foi muito contida. Nós adultos nos estressamos, nos expressamos, por que as crianças não podem??? Depois conversei com ela.
No final tudo sempre acaba bem!
Entre fogo e lágrimas somos e seremos todos vencedores nesse mundo tão conturbadinho....
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Fogo na sala....
Não é um espaço, é a vida que se faz presente.
Não é uma lousa, é o amor expresso em palavras.
Não são carteiras, são locais que abrigam os meus amores.
Não é a perda, é a dor que queima mais que as chamas vândalas que destroem o presente.
Não é o material, é a história sendo apagada.
Não é uma sala de aula, é o meu paraíso, meu sonho encantado, minhas emoções, recordações...
Hoje, tudo se esvaiu... aos poucos.
O fogo queimou, fogo posto por mãos desconhecidas que nunca poderiam imaginar que ali não era apenas um local que abrigava estudantes no processo de aprendizado.
As imagens não saem da minha cabeça....
A sala negra, coberta por fuligem... vidros quebrados....
Lágrimas.
Dói...só posso dizer que dói....
O fogo destrói o material mas nunca queimará os meus sonhos....
Não é uma lousa, é o amor expresso em palavras.
Não são carteiras, são locais que abrigam os meus amores.
Não é a perda, é a dor que queima mais que as chamas vândalas que destroem o presente.
Não é o material, é a história sendo apagada.
Não é uma sala de aula, é o meu paraíso, meu sonho encantado, minhas emoções, recordações...
Hoje, tudo se esvaiu... aos poucos.
O fogo queimou, fogo posto por mãos desconhecidas que nunca poderiam imaginar que ali não era apenas um local que abrigava estudantes no processo de aprendizado.
As imagens não saem da minha cabeça....
A sala negra, coberta por fuligem... vidros quebrados....
Lágrimas.
Dói...só posso dizer que dói....
O fogo destrói o material mas nunca queimará os meus sonhos....