Trabalhar com crianças sempre foi um sonho. Queria ser professora desde pequena. Brincava de escolinha, colocava meus bichinhos de pelúcia todos sentadinhos, fazia a chamada, passava lição, corrigia, dava pontos negativos e positivos (na minha época se usava a fazer isso, hoje acredito que as escolas não adotem mais esse método).Por uma idéia incorreta da parte da minha mãe sobre ser professora, acabei optando em fazer Técnico em Processamento de Dados, ao invés do meu desejado magistério.
Minha vida deu uma reviravolta.
Trabalhei em diversas áreas, fiz cursos que nada tinham a ver com Educação.
O tempo passou... Minha mãe, me deixou precocemente, sim... pois ainda hoje preciso tanto dela, mas Deus escreve certo por linhas tortas.Sei que tinha chegado o momento de sua partida, e sinto sua presença dentro do meu coração, compartilhando comigo as minhas vitórias e derrotas.
Estava trabalhando no Mercado Rosário, quando minha amiga me propôs trabalhar na escola que ela era Presidente. Sim, a Escola Americana de Santos era uma escola que além da direção e administração, tinha o Board (Conselho), que era constituído por pais que juntos com a equipe tomavam as decisões necessárias.
Conversei com a minha ex-patroa, hoje minha amiga, mãe, confidente, D. Lúcia, expliquei a ela a proposta e, entre lágrimas e abraços deixei o lugar que eu amava, e amo ainda.
Foi assim, que o meu sonho começou a tornar-se realidade , foi como monitora da Educação Infantil que dei meus primeiros passos, aprendendo junto com eles a arte de amar a minha profissão.
O salário, não cobriria a despesa de uma mensalidade da faculdade, minha única esperança seria a venda de uma casa da família, que logo aconteceu. Investi a minha parte nos meus estudos. Prestei vestibular e passei! Aos 30 anos, consegui ingressar no curso que me levaria para a área dos meus sonhos. Tenho muito orgulho de ter me formado em Pedagogia, apesar da enorme decepção de como o curso foi conduzido.
Na Escola Americana, tive um vasto aprendizado, tanto positivo como negativo.
Conheci de perto a inveja, o medo, a fofoca de profissionais que para mim são verdadeiros amadores. Mas, presenciei manifestações de amor, principalmente vindo das crianças.
Como fui feliz no convívio com meus pequenos!
Um dia, triste estava e desci com eles para o almoço. A gente tenta não demonstrar, afinal as crianças não têm culpa de nada que acontece dentro de nós. Eu era responsável pela alimentação e, o Matheus naquele dia, estava meio preguiçoso para comer, peguei a colher, coloquei comida, ele segurou a minha mão e me deu um beijo. Um beijo mágico, puro que fez o meu dia mudar. Como não amá-los? Como esquecê-los? Impossível. Agora diante desse computador , contando tudo isso, consigo ver a carinha de cada um deles, bate uma saudade tão grande e lágrimas caem.
Lágrimas também caíram quando me tiraram de lá, e fui trabalhar direto com a Equipe Pedagógica.
Foi difícil para mim, mas cresci muito como profissional. Tive ao meu lado pessoas maravilhosas, capazes e com personalidades tão diferentes, mas que juntas formavam a melhor equipe. E foi com esta que fechamos as portas da EAS em 19 de dezembro de 2008. Deixando para trás muitas saudades e, dentro da gente lembranças infinitas.
Pela primeira vez, enfrento o desemprego desde que entrei, definitivamente, para o mercado de trabalho, nunca mais tinha parado. No começo, achei que eu ia enlouquecer, mas refleti: o que seria mais importante naquele momento: eu retomar a relação com meu pai que ficou meio fria nesses três anos que estudei e trabalhei, ou correr desesperadamente a busca de uma nova posição no mercado?
Acredito que temos que fazer algumas escolhas na vida, mesmo que sejam difíceis. Dessa vez, não pensei duas vezes: meu pai no momento era a minha prioridade. E foi a melhor coisa que eu fiz.
Entreguei alguns currículos, fiz contatos, entrevistas, mas sei que não era o momento.
Faz mais ou menos um mês, saiu inscrição para trabalhar num projeto da prefeitura no programa Escola Total, preenchi formulários, passei pela entrevista e meu nome foi selecionado e finalmente comecei a minha jornada e tornei-me a PROFESSORA Luciana.
Um comentário:
Pois é!
A vida da voltas e voltas Lú.
Seu sonho de infância foi realizado.
Acho que você nem imaginava realizar esse sonho.
Mas o realizou, e agora você começa uma jornada, que com certeza será brilhante e vitoriosa!
Lú saudades você sentira, sempre que deixar uma turma, mas terá a satisfação e o orgulho de saber que fez e deu o melhor de você.
Sabe que te amo que tenho por você um enorme carinho e uma grande amizade.
E hoje posso dizer também que tenho orgulho de ser amiga da Professora Luciana
Parabéns Lú
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