terça-feira, 16 de junho de 2009

Quem fala a verdade, não merece castigo!


Cada dia que passa eu aprendo mais com essas crianças!!! Aprendo como trabalhar, como resolver problemas. Aprendo como são frágeis, e como exteriorizam suas emoções de diversas formas. Algumas de uma maneira bem cruel!
Semana passada, estava trabalhando com elas sobre preconceitos e estereótipos, pois possuem mania de qualificar o amigo de classe sempre com um adjetivo, que eu sei por experiência própria, pode causar uma baixa auto-estima em quem o recebe.
Como a semana foi curta, por causa do feriado, tive que me aprofundar , em poucas aulas sobre o assunto, e finalizei com uma atividade que apliquei da seguinte forma.
Coloquei o nome das crianças que estavam presentes na sala de aula em pedaços de papel para fazer um sorteio. Distribui duas folhas. Em cada uma delas, era preciso colocar o nome do amigo sorteado. Na folha pautada, deveriam encontrar qualidades que aquele amigo sorteado tinha e escrevê-las, e na outra, fazer um desenho para presenteá-lo. No começo, reclamaram:
- Tia, não gosto dessa pessoa. O que eu faço? Quero trocar!
- Olha, todos nós temos qualidades e defeitos, você terá que encontrar agora, apenas as qualidades desse seu amigo.
- Ahhhh tiaaaaaaaa!
- Vamos lá, você é capaz!
Sei, que no final todos fizeram. Alguns ainda não alfabéticos, apenas desenharam.
Recolhi a atividade, grampeei as folhas, e entreguei para eles o resultado.
- Tiaaaaaaaaaaaaaaa, não fui eu que escrevi isso, e esse não foi o desenho que eu fiz!
Tive que explicar que aquele desenho e aquela folha , tinha sido feita pelo amigo e relembrei com eles a atividade que foi aplicada. Expliquei que alguns não receberam o escrito e sim apenas o desenho, pelo fato do amigo não ter tido tempo para fazer os dois. No fim, compreenderam!
Duas meninas, se desentenderam.
Uma delas , acabou deixando a sua folha a mostra, e foi bater papo com a outra.
Aquela que já tinha tido uma desavença com essa, apagou as qualidades e escreveu coisas negativas da amiga: gorda, boba e chata. Na hora que a menina se deu conta do que tinha acontecido com a folha dela, ela veio chorando para mim:
- Tiaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, olha o que fizeram com a minha folha!!!
Bem, pedi para que falassem a verdade e que o culpado aparecesse, afinal eu tinha lido todas as folhas e sabia que alguém tinha apagado e escrito por cima.
Foi um pega para capar! Como se diz popularmente!
Uma menina acabou se acusando, mas disse:
- Tia, só escrevi esses dois, esse não fui eu!
Descemos pro almoço e, ao regressarmos pedi para que o outro culpado aparecesse.
Uma inspetora me acompanhou e, eu disse:
- Vocês têm escolhas para serem feitas: ou o culpado aparece, ou terei que chamar o coordenador.
A inspetora me deu uma mão.
Papo vem, papo vai, a menina acabou se confessando, disse que tinha escrito tudo.
Falei: - encerrou o assunto. Não se fala mais nisso. Acabou!
Como a classe estava terrível, hoje eu tinha solicitado a presença do coordenador, e ele chegou bem no final do acontecido.
Ele pediu licença. Todos me olharam com olhos arregalados. Falei então para que ele reforçasse com a turminha sobre o comportamento da classe.
Como tinha dito, não falei nada a respeito daquilo que já foi resolvido.
Amanhã vou retomar a importância de falar a verdade e sobre a importância da confiança nas relações humanas.

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