segunda-feira, 12 de julho de 2010

Reencontro...


-Tia, queria tanto que a senhora fosse a minha mãe!
Foram essas palavras que eu ouvi de um doce menino o ano passado. Meu coração ficou amolecido,pois na sua voz havia tanta sinceridade.
Passaram-se alguns meses e ele saiu da escola, por trás disso uma triste história de vida. Foi então que eu entendi o porquê que ele gostaria que eu fosse a sua mãe. Simplesmente ele tinha perdido a sua de uma maneira trágica, e a sua madrasta realmente fazia jus ao título. E depois de um tempo, seu pai havia deixado o plano terrestre.
Meu coração ficou em frangalhos! (credo que expressão antiga). Levei o caso para a minha terapeuta  pois tudo aquilo tinha mexido muito comigo. Foi a partir daí que comecei a amadurecer meus sentimentos em relação ao meu profissional, e fui obrigada a interiorizar que não poderia carregar os problemas de todas as minhas crianças comigo. Foi um aprendizado bem difícil,  afinal eu sempre fui muito mais coração que razão!
- Oi tia!
Estava no mercado que trabalhei por alguns anos, quando ouvi aquela voz doce e jamais esquecida por mim. Era meu menino, com  um semblante feliz e sereno, estava voltando para a escola que ele tinha deixado para ir estudar em outro lugar.
Dei um forte abraço nele e quis saber de todas as suas novidades. Ficamos batendo um bom papo, antes dele ir embora, comprei um chocolate para ele que me agradeceu com um beijo doce.
Hoje, lá estava eu  com o pessoal do mercado quando disseram que tinha uma visita para mim!
Era meu menino, que pediu para me chamar para dar um oi e  um abraço.
Que gostoso ser lembrada, mesmo com o tempo passado, com todos os contratempos e nosso caminhos diferentes. Bom sentir essa energia, e saber que de alguma forma marquei a vida daquele menino tão cheio de dores.
No meu coração e no meu pensamento ele sempre terá um lugar especial.

Um comentário:

Anônimo disse...

Que relato incrível!
Com certeza você deve ser o porto seguro de muitas crianças.
E é digna para isso.

Parabéns,
Parabéns mesmo!!

Um enorme abraço.