sábado, 21 de agosto de 2010

Novos rumos...

Esse final de semana comecei a fazer o levantamento das atividades e notas dos meus alunos.
E todas as informações que obtive tornou-se um filme.
Fechei os olhos, e revi o início do ano. Aqueles rostos que eu nunca tinha visto antes, com histórias desconhecidas. Trabalho árduo foi feito, sempre com muito amor e dedicação.
Então, me veio em mente uma aluna minha, com tantas dificuldades no início e que hoje já consegue se manter num padrão mínimo de satisfatório.
Mérito meu? Não. Mérito dela, que se esforçou, que me ouviu, que lutou contra as suas dificuldades. Dedicada ao extremo, nunca deixou de entregar uma atividade sequer. Outro dia, seus olhos ficaram cheios de lágrimas cristalinas quando chamei a sua atenção em alguns pontos, meu coração partiu, mas a conversa que eu precisava ter não poderia ficar numa gaveta. E hoje, quando provei o seu progresso, mais do que nunca, vi que aquelas palavras precisavam ser proferidas.
Depois, veio a minha aluna já com espírito de liderança, consciente das suas ações e do seu  papel dentro da escola. Como eu amo aquela menina!!! E com um pouco de egoísmo, me entristeci ao perceber que ano que vem ela estará certamente no 6º ano, deixando para trás a professora que tanto a amou.
Egoísta também me senti, ao ser obrigada a dar 10,0 em todas as matérias para outra aluna minha. Não foi uma nota máxima a toa, só porque ela é um espírito de luz, foi por todo o seu mérito. Inteligente, estudiosa, impecável, aplicada, doce, humilde, fantástica. Sim, eu sou chorona, confesso, mas não tem como eu não me emocionar ao saber que não a terei mais perto de mim. Engraçado como essa menina me deu forças para continuar, afinal todos sabem que no início do ano tudo foi muito difícil. Seu beijo no final da aula, seu sorriso,   seu pedido de perdão pela classe alienada e bagunceira,  sua delicadeza fizeram com que a confiança e a certeza de que eu estava certa não me deixassem cair.
É, fechando as notas percebi que logo estarei encerrando mais um ciclo.
O tempo voa e o adeus será inevitável.
Ano que vem, eles estarão crescidos, uma nova etapa estará surgindo no caminho daqueles que eu ajudei a  formar no primeiro ciclo da vida escolar. Muitos passarão por mim, e esquecerão do que passou e eu estarei nos bastidores acompanhando a nova estrada que estará por vir. Do mesmo modo, outros chegarão, com outras histórias e vivências.
Gostaria de ser mais racional, e ter em mente apenas que o que  faço nada é mais que a minha obrigação. Mas, não tem como não sentir uma pontadinha no coração ao pensar nisso tudo.
Termino esse post com um poema que fala sobre o amor na visão do grande Shakespeare (sugestão da minha amiga Marcia, e como sempre, acertou em cheio!)


SONETO CXVI 

"Ao casamento de almas verdadeiras 
Não haja oposição. Não é amor 
O que muda à mudança mais ligeira 
Ou desertando, cede ao desertor. 
Oh, não, que amor é marca muito firme 
E nem a tempestade o desbarata; 
É estrela para a [Nau], que o rumo afirme 
Valor ignoto - mas na altura exata. 
Não é do Tempo mera extravagância, 
Amor, embora a foice roube o riso 
À face e ao lábio rosa; na constância, 
Resiste até o Dia do Juízo. 
Se há erro nisto e assim me for provado, 
Nunca escrevi, ninguém terá amado. "



Para terminar vou postar esse vídeo que hoje me fez emocionar, mesmo que talvez fuja do tema... é assim que eu estou.. emocionada... com esse choro bandido dentro de mim!

Um comentário:

Anônimo disse...

Meu Deus!
Você não é professora dos pequeninos somente. Você dá uma aula a todo ser humano de qualquer idade quando escreve um texto assim, cheio de amor pelo que você faz. Que é simplesmente lindo. É um grande exemplo, e eu não consigo me cansar de dizer isso.

Eu senti muitas coisas te lendo.
Eu relembrei muita coisa,muitas coisas dos meus próprios tempos de escola. Lembrei de uma vez, isso devia ser na quarta série, em que chamei sem querer a minha professora favorita de "mãe".Rs
Fiquei muito envergonhado.
Mas hoje vejo que não havia maneira mais justa de chamar aquela pessoa, que com tanto carinho e paciencia, alegrava o meu tímido mundo.

Com certeza você deve representar esse papel para muitas crianças. Pode ter certeza de que elas jamais te esquecerão.
Eu nunca esqueci da professora Cristina.

Um abraço na alma!