quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Prática inexperiente


Ainda surto, disso não tenho dúvida, ou será que já sou totalmente surtada e ainda não me dei conta?
Mais do que professora, sou aprendiz. A faculdade não me formou, apenas me deu um diploma e disse: a prática será a tua mestre. Fato!
Relutei demais em assumir uma sala de aula, que fosse minha. Meus planos não eram esses. 
Quis trabalhar inicialmente como auxiliar, porém não consegui nenhuma oportunidade. As portas estavam fechadas para a recém-formada. 
Foi então, que surgiu a oportunidade de trabalhar no Programa da Prefeitura, meio alternativo e tão importante quanto ao dia-a-dia "comum" do ensino formal. Ano passado eu cresci muito, ampliei meu conhecimento e as experiências que vivi ao lado dos meus pequenos estarão guardadas dentro de mim para sempre. 
O tempo passou, e eis que vejo meu nome selecionado para me apresentar no concurso que prestei no ano retrasado. 
Medo, alegria, insegurança nortearam minhas ações, afinal nada sabia (nada sei) sobre ser professora no ensino formal. 
Pensei em desistir sem ao menos ter tentado. Sofri demais, Fiquei apavorada de saber que nas minhas costas teria mais de trinta alunos sob a minha responsabilidade. 
Mas, enfrentei... Meti as caras. E graças a Deus, fui guiada para escolher a escola que trabalho hoje. 
A realidade que ela está inserida é cruel, porém lá dentro, como já disse anteriormente, eu encontrei anjos. Pessoas que me acrescentaram e me acrescentam diariamente. Trabalhar em  equipe tornou-se tão prazeroso, que é impossível eu chegar triste e não dar um sonoro bom dia. 
Uma turma dificílima. Defasados no ensino,  comportamento rebelde, e alienados ao extremo. 
E eu, meu Deus, sem saber nada, nada.... Como fazer, por quê fazer, para quê? Medo de ser responsável pelo fracasso deles, e me culpar como sempre fiz durante a minha vida. 
Porém percebi, que infelizmente, aquelas professoras da faculdade tinham razão: a gente se torna educador só através da prática. 
Hoje, percebo alguma pequena evolução nos meus alunos. Pequena, mas significante para mim. 
Por exemplo :
Chamei a atenção de uma aluna, e ao questioná-la, ela respondeu com sinceridade e verdade as perguntas feitas.
- Você acha que merece uma segunda chance?
- Não tia, porque eu baguncei o tempo todo. 
Claro que eu dei a segunda chance, e darei a terceira se preciso for.  Ponto positivo para ela pela honestidade.
Ser professor é acreditar sempre, senão não há razões para continuar. 
E hoje, ao corrigir algumas provas, sentimentos tão antagônicos tomaram conta de mim.
Fiquei morrendo de raiva, pois muitos não conseguiram ver o óbvio, e fiquei super feliz em notar o progresso de alguns alunos. Aqueles que mal sabiam fazer uma soma, hoje fazem com mais facilidade. 
Sinto, às vezes, que estou no mesmo patamar que eles. 
Tendo que aprender diariamente a lidar com a diversidade da sala de aula e eles tendo que lidar com uma professora exigente, que cobra demais, que por vezes tropeça na sua prática (falta) pedagógica, mas que ama acima de tudo a sua profissão e luta diariamente para se tornar melhor. 


2 comentários:

Joyce M disse...

Imagino como você deve se sentir. E isso deixa claro o seu amor pela sua profissão e peilas crianças. Não se culpe por algumas coisas não sairem somo você esperava, você está tocando a vida deles com amor e isso era ecoar sempre dentro deles. Esse seu sentimento é maternal e ser mãe é ter culpa, nós culpamos por aquilo que não conseguimos, pelo que não podemos dar, pela falta de energia e paciência, só queremos que eles tenham um bom futuro. Todas (boas)mães se sentem assim, esse sentimento é o nosso cansaço somado a nossa vontade de não fracassar.
Todos alunos deveriam ter uma professora tão apaixonada como você.

Marcia C. disse...

É sua vocação, é seu caminho, é sua missão. E tenho certeza que você vai fazer desta missão um credo de amor e esperança. Deus colocou o futuro (que mora nas crianças) em suas mãos. Não poderia ter deixado em mãos melhores.

beijos :*