quarta-feira, 29 de setembro de 2010

CRIANÇAS SÃO CRUÉIS!


Hoje, me senti como se estivesse dentro de uma guerra. Cheguei em casa tão cansada, sem energia para nada. Como é difícil a minha profissão! Os pais largam por vezes seus filhos na escola por não aguentarem eles dentro de casa, imaginem 39 juntos sob minha responsabilidade além da intelectual, a responsabilidade da integridade física e emocional.
Um aluno meu esteve suspenso por uma semana por ter se envolvido numa briga dentro da escola. A decisão não foi minha e sim da direção. Com toda a minha sinceridade, sem a presença dele consegui trabalhar um pouco melhor, já que quando ele está dentro da sala, meus dias são dificílimos, como o de hoje!
Ele me enfrenta diariamente, me testa o tempo todo. Acontece que eu sei muito bem me impor perante as suas atitudes e a intenção que ele tem de me desmoralizar sempre acaba sendo voltada em sua própria direção.
Ontem, o seu parceiro de "comportamento exemplar", meio fora de si, falou em bom tom que viu duas alunas catando lixo, que elas eram lixeiras.
Eu fiquei iradíssima!
Uma das alunas em questão, tenho trabalhado arduamente  para que ela mude a sua postura, para que sua auto-estima se eleve, para que seus complexos se abrandem. Todos os dias eu luto com essa menina, eu olho feio para ela quando faz algo de errado , ela me entende e imediatamente para.
Numa das nossas conversas, ela tinha me confessado que catava latinhas para ajudar a mãe, pois assim aumentaria a renda de casa. Conversei com ela a respeito do trabalho infantil, porém sua atitude era louvável, afinal ela estava ajudando a sua renda dentro de casa de uma forma honesta estava ajudando o meio ambiente, e que além disso, o rendimento dela na escola tinha melhorado bastante.
Quando ele disse isso, Deus me segurou e lembrei do juramento que fiz no dia da minha formatura.
Quem é ele para menosprezar a menina dessa forma?
Quem é ele para menosprezar um trabalho honesto?
Quem???????? Quemmmm?????
Enchi meu coração de calma, e dei minha opinião com firmeza e dei o assunto por encerrado.
Hoje, ele o ressuscita , contando para o outro o que viu e descobriu.
Esse menino usa de uma soberba irritante e começou a humilhar minha aluna. Apenas olhei para ela com as seguintes palavras no olhar:
- Não se manifeste, não perca a razão, deixa comigo!
Novamente, falei sobre o assunto e ele não estando contente começou dizendo que ela que precisava catar o lixo da sala de aula pois já estava acostumada. Que a sujeira que ele joga, quem tinha que pegar era ela.
Rodei a baiana com ele, fiz o registro no caderno de ocorrências e comuniquei a direção que farei um relatório dos alunos em questão e que vou querer que eles me ajudem tomando alguma providência.
Não é justo, realmente não. Ao menos para meus olhos! Se Piaget e Vygotsky acharem que eu estou errada, sinto muito!
Depois, ele guardou o seu material e disse:
- Bom, eu vou embora!
- Como é que é?
- Não estou fazendo nada mesmo, e vou embora!
Meus 1,74 de altura triplicaram-se!
- Você só vai embora quando o sinal tocar!
O menino sossegou por um tempo,  convoquei a sua mãe (pela milésima vez) e logo estarei entregando um relatório para a diretora.
Fico boba de ver e presenciar a crueldade tão precoce nesses corações!
Espero que ele aprenda a ser mais humilde, e entender que a vida não é assim como ele quer sem tanta dor, pois se continuar indo por esse caminho, ela será inevitável.
Deus, ajude essas crianças!

4 comentários:

Prof. Dr. Manuel Pina disse...

É Luciana... vida difícil esta nossa!!

Com o passar dos dias estaremos cada vez mais sujeitos a esse tipo de comportamente, infelizmente! Sei o quanto nos desagrada, o quanto sofremos por essas situações e sei também que precisamos ter a calma e a tranquilidade para colocar-lhe um fim.

já encontrei situações similares! Algumas menos graves, outras...


Normalmente adoto a seguinte metodologia com os alunos que usam essa estratégia da provocação e do desafio: convido-o(a) a se tornar meu parceiro. Algo deste tipo: Que tal você ficar responsável pela disciplina na sala de aula? Se seu amiguinho errar ou fizer algo que mereça um castigo, quem vai dizer qual será o castigo é você! Resumindo: Coloco-o contra a parede e diante, bem diante da ponta da espada! Mas ele "cresce" quando lhe atribuímos um valor - a "chefia" da disciplina! Normalmente a mudança é radical! Esse(a) aluno(a) faz isso para chamar a atenção! Tão simpesmente, isso! Se lhe der só um pouquinho que seja ele cresce. Claro que é preciso saber contornar algumas situações que possam aparecer inicialmente!

Suponha que ele queira dar um castigo a outro(a) aluno(a) que seja "muito cruel" (como você diz), é o momento de questionar: se fosse você quem tivesse que cumprir esse castigo... você gostaria? e assim vamos domando as ferinhas, que me seja permitido chamá-los assim, sem nenhuma conotação pejorativa, depreciativa ou racista!

Quer fazer essa experiência? Tente! e nos diga dos resultados! Ficarei feliz se lhe tiver ajudado a resolver esse "pequeno contratempo" educacional!

Abraceijo!

Prof. Dr. Manuel Pina disse...

Desculpa amiga... só para sujerir:
http://spp-sociedadedospedagogospensantes.blogspot.com/

Joyce M disse...

Pergunto como mãe, qual a postura dos pais desse aluno diante de tudo isso?

Professora Lu disse...

Obrigada pela dica, Manuel, suas palavras são sempre bem vindas!
E sempre estou aberta a sugestões e dicas ! Colocarei em prática!

Vi, é um caso muito complexo, a mãe pelo que senti, já perdeu o controle sobre o filho, infelizmente!!!!
São situações angustiantes!

Beijossss para vocês!