sábado, 4 de setembro de 2010

Vamos nos dedicar um pouco mais!

Há pessoas que almejam sair da sala de aula, e trabalhar na direção. Sinceramente, não consigo me ver longe da sala de aula. 
Se eu quisesse trabalhar com a parte burocrática, teria escolhido uma outra área em que certamente seria mais valorizada financeiramente.
Dinheiro é bom??? É! Porém a realização plena de um bom profissional só se dá através do verdadeiro amor pela sua profissão. 
Tenho buscado estudar mais, me dedicar mais, entender melhor o universo infantil. E a cada dia que passa encontro-me mais fascinada.
Fico triste quando vejo os professores reclamando dos seus salários e com isso permitindo que a sua  prática torne-se menos produtiva. Deixe-me explicar para não ser mal interpretada. 
É evidente que a nossa profissão merecia muito mais do que se ganha, mas ninguém ingressou na Educação enganado. Eu, quando resolvi seguir meu coração, sabia de todas as dificuldades que eu encontraria pela frente. Não só no âmbito financeiro, mas em todos os demais. Se eu estou aqui é simplesmente porque EU QUERO. Ninguém é obrigado a permanecer infeliz.
A cada dia que passa me fascino mais, e por mais que eu ainda me auto-critique como sendo uma professora iniciante e falha dentro do processo do amadurecimento profissional, só tenho a certeza que o principal eu tenho. Não é a toa que meu blog tem esse nome.
Tenho uma pequena dentro da sala de aula, que eu estou tendo que trabalhar muito com ela. Um trabalho mais humano do que didático. 
Ela é uma negra linda, porém com uma auto estima baixíssima. No início cheguei a pensar que era analfabeta devido as respostas das interpretações de texto aplicadas e por se negar a ler. Simplesmente, ela copiava qualquer trecho do texto e pronto, o exercício estava feito.
É muito difícil trabalhar numa sala de aula com quase 40 alunos, e dar a atenção necessária para cada um deles muitas vezes torna-se uma tarefa impossível.  
Então chamei-a para conversarmos em particular. Disse o que estava pensando e queria que ela expusesse o que pensava e sentia. 
Ela não foi muito clara na sua fala, mas disse que daria um voto de confiança à ela, e que antes de mais nada acreditava no potencial que estava escondido dentro daquele pequeno ser. 
Seu comportamento péssimo continuou o mesmo. Agindo como bem quisesse, tendo atitudes que no fundo me machucava, pois é duro ver uma criança agir de maneira tão displicente. Porém não desisti. 
Mandei uma carta para ela. Disse que seria um segredo nosso, e que eu tinha escrito exclusivamente para ela,  que quando chegasse em casa era para ler. 
E o que eu ouvia sempre, era:
- A senhora não gosta de mim.
- Eu sou burra. 
- Eu não sei ler. 
- Eu não sei fazer.
- A senhora só gosta de fulana. 
- Eu sou feia.
E com toda a paciência fui mostrando para ela o quanto era importante pra mim e o quanto eu a achava bela ( e isso não é da boca para fora, ela tem os lábios que sempre quis para mim). 
Com muito trabalho, suas notas melhoraram, quase 100%, e isso me deixou imensamente feliz. 
Disse com todas as letras para uma coordenadora que foi visitar a escola, oferecendo bolsas de estudo em uma escola de período integral,  que o que ela mais quer é repetir de ano, para que eu possa ser a sua professora novamente. Disse que não quer me deixar.
Só que agora, minha pequena deu para ter crises imensas de ciúmes, chegando a chorar.
Ontem mesmo, precisei dar uma dura nela, mas com todo o cuidado. 
Não vou deixar de expressar meu carinho e amor pelas outras crianças, e ter toda essa deliciosa energia em troca, porque ela simplesmente tem chilique. 
Com toda doçura, delicadeza, fui falando com ela e com os outros que ali estavam, de forma que ela entendesse o que eu estava dizendo para aquele coração tão sofrido. 
Ela tinha fechado o caderno e guardado o material, e conforme eu ia falando, foi tirando da mochila o que tinha guardado, e no final já estava disposta a realizar a atividade. 
Eu a amo demais, e estou feliz por toda a melhora que eu presenciei, agora só falta eu lapidar um pouco o seu comportamento, o que é difícil, pois isso faz parte de todo o seu histórico de vida. 

O QUE EU GANHO POR PARTE DOS MEUS PEQUENOS, NÃO HÁ PISO SALARIAL QUE ME PAGUE!!!!!

2 comentários:

Prof. Dr. Manuel Pina disse...

Como é ingrata esta nossa profissão!!

Precisamos (temos o dever!) de tratar todos e cada um d@s alun@s com o mesmo amor e carinho, mas temos apenas um coração (grande, enorme, onde sempre cabe mais um...), mas... essa história de ter que se dividir entre 40 formas diversas de pensar e agir transforma-se num verdadeiro calvário, pois sabemos que, querendo ou não, alguns não vão ter a capacidade de entender esse nosso dilema. Aí podem surgir os problemas! Quantas vezes a nossa vida "pacata" de profess@r não se transforma, repentinamente, num pequeno inferno astral por termos que viver entre "amores" e "ódios"?

Nesse momento, manter a calma, ser frio, usar uma lógica (qual lógica, afinal?) é muito difícil! Para qualquer lado que nos viremos lá estarão olhos, pensares, falas e muitas vezes o que doi mais: um silêncio denunciante de crime não praticado!

Esses somos nós, LU!
Os professor@s que amamos o que fazemos e com quem fazemos!

Temos o que merecemos? Merecemos o que temos? Jamais seremos devidamente recompensados por tudo que fazemos. Não pelos homens!

Abraceijos, amiga!

Joyce M disse...

Lendo seus textos, sinto uma vontade de ser feliz! De seguir meu coração.

Não há nada mais rico que o amor de uma criança.

"Brincadeira, choradeira,
Pra quem vive uma vida inteira
Mentirinha, falsidade,
Pra quem vive só pela metade"

Pé de Nabo - Palavra Cantada