domingo, 17 de outubro de 2010

TERNURA


A semana seria um pouco atípica, dois dias apenas de aula. No calendário da escola estava assinalado que teríamos um dia de festa para as crianças. Conversando com os professores sugeri que fizéssemos dois dias ao invés de um, pois a semana seria morta.
O professor de Língua Portuguesa do 6º ano já tinha um projetinho montado para a Festa da Primavera que aconteceria em setembro, então sugerimos para que aplicássemos em um desses dois dias. 
O outro dia faríamos oficinas com garrafas pets, sugestão que eu dei e que foi aceita pelo grupo. Somos muito unidos e conversamos bastante a respeito de novas atividades, projetos, etc. Foi levantada a hipótese que um dia fizéssemos a festa do ridículo, mas quando colocamos em pauta, uma professora de outro segmento disse que não, que isso afetaria a auto-estima e os valores das crianças. Para não entrarmos em conflito, sugeri então que um dia fosse festa a fantasia e o outro festa dos anos 60, o que todos acabaram concordando.
Realmente, nosso público foi baixíssimo, mas tudo foi realizado com muito esmero e amor. As crianças se divertiram, brincaram, curtiram cada momento.
Eu e minhas amigas combinamos as nossas roupas para os dois dias.
Fomos de Minnie e de saia de bolinha com rabo de cavalo na festa dos anos 60. 
Impressionante como as crianças se seguram, não permitem que a fantasia tomem conta e espaço da vida deles.Quando desci do carro da minha amiga fantasiada, um menino grandão do sexto ano, ficou encantando ao me ver. Disse:
-Nossa, professora, como a senhora está bonitinha!
E abriu um sorriso largo!
Juro que não esperava essa reação, e sim uma brincadeirinha muito sem graça. Fiquei surpresa!
Levei a máquina e registrei alguns momentos das festas.
Chamava os alunos para tirar fotos com eles, amo ter recordação dos meus pequenos. 
Então pedi para que as meninas que estavam ali se juntassem,quando eu sinto uma cabeça pousando docemente em cima de mim. 
Era uma das minhas alunas mais sapequinhas que eu tenho, mas naquele momento ela se transformou em pura doçura, sua expressão meiga e serena me fascinaram, tanto que a foto virou meu papel de parede, só para eu poder admirar sempre o seu olhar.
Para completar minha semana, recebi no orkut criado para eles, uma linda homenagem do meu aluno, com uma compilação de fotografias e uma mensagem super carinhosa. Ao terminar de ler, estava com meus olhos marejados.
Como as crianças são fantásticas!
Como são poderosas!
Como gostaria que eles tivessem a verdadeira consciência do poder de transformação que estão nessas pequenas mãos!
Mais uma semana está iniciando, aguardaremos as próximas surpresas!

Para preservar a identidade das crianças utilizei o recurso "mosaico" nas fotografias.


3 comentários:

Anônimo disse...

É agradável e encantador demais ler os seus relatos!

Há algum tempo comecei a fazer um tabalho voluntário de interferencia, dentro de escolas...
E posso atestar estes sentmentos iluminados que você sente para falar deste ambiente que já é tão naturalmente seu.

Para quem é pessimista, a escola é só mais um lugar. Mas para quem tem amor pelo conhecimento, pela esperança de ver uma humanidade melhor desabrochar, a escola é pura magia.

Obrigado por compartilhar o seu amor.

Um imenso abraço!

Anônimo disse...

Você passa muito amor em tudo que escreve, querida Lu! =)
Fico sempre muito feliz em ler seus comentários na Fábrica.
Infelizmente, não tenho tido muito tempo de navegar na internet como gostaria... Mas aproveitei uma folguinha aqui no estágio para visitá-la.

Voltando ao texto, fiquei muito feliz ao lê-lo. Como você já deve saber pelos textos da Fábrica, tenho muita vontade em fazer Letras para me aperfeiçoar na escrita. Mas quero também dar aulas de Teatro em minha futura e tão sonhada Fundação! :)

Tenho tantos desejos, Lu!
Adorei as fotos e o texto.

Seja sempre bem-vinda à Fábrica!

Um beijo com cheiro de girassol.

Mª João C.Martins disse...

E é ternura o que ecoa do teu texto!
As crianças são realmente fantásticas e poderosas, como dizes. Temos sempre tanto a aprender com elas... ou será a lembrar?!

Um beijinho grato. Sempre!