terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Conselho de classe.


Como exteriorizar aquilo que está tão confuso dentro de mim ?????
Sinto-me fracassada, triste, sozinha.
Minhas pernas estão fracas de tanto caminhar e lutar em vão, talvez...
Razão e emoção mais uma vez guerrearam dentro de mim. Desta vez, a razão se rendeu as fortes sensações que meu coração desordenadamente impos.
Decidir o futuro de uma criança é a parte mais terrível da minha profissão, e ter que usar de todos os critérios para justificar tais decisões é cansativo para meu emocional. Não fui obrigada a fazer para meus superiores, mas sim para por ordem nos meus sentimentos. Foi uma violência que cometi contra mim mesma.
O conselho começa e meus alunos tornam-se números, o que é inadimissível para mim. Eles têm nome e sobrenome. Recuso-me a pensar que são apenas mais ou menos um.
Não tive escolhas, precisei reprovar meia dúzia. Reprovei, não há mais volta.
Ao findar com as decisões, cometi uma gafe em relação a um documento, a sala dos professores soou uma risada só. Abaixei a cabeça e deixei vir o que estava me matando: as lágrimas do meu coração.
Molhei o famoso diário de classe. Não consegui ser equilibrada e profissional naquele momento.Ao preencher os documentos, os rostinhos deles vinham  na minha cabeça e junto mini filmes de um ano todo compartilhado.
A diretora não acreditou que a professora que sempre estava de bom humor, risonha e que brincava com todos estava ali como uma criança chorosa.
Falaram-me que eu irei me acostumar com tudo isso, que no começo é assim mesmo. Será???
Ainda dói meu coração, minha alma, meu corpo... Agora nada mais resta... apenas a vontade de ser melhor o ano que vem e mesmo sabendo que eles não vão ler o que está escrito nessas linhas, peço perdão pelas falhas que eu cometi esse ano. Eu juro que tentei!

Um comentário:

Fabiano Souza. disse...

Mas o trabalho tem de ser feito, né.

Muito bom a maneira como expressa o que passou.