- Camelem, camelem para pegar água!!! Eu não preciso disso!!! Tenho grana, sou poderosa... Vocês, seus pobres coitados, caminhem até se cansar para chegar nos lugares onde vocês possam pegar um pouco de água. Eu não precisoooooooooo!!!!! Sou poderosaaaaaaaa!
- Credo, tia! É assim?????
- Você não tem direito de reclamar, você vendeu seu voto por causa de alguns litros de água. Agora aguente as consequências!!!!
- Mas tia....
- Chega!!!! - esbravejei, com cara de maquiavélica!
Eles me olharam um pouco assustados. Será que a professora deles pirou?????
Por que será que ela está falando assim???? Que pessoa má!
Essa era a intenção!!! Mostrar a crueldade do que acontece nas camadas mais pobres da nossa sociedade no nosso sertão brasileiro, e eles entenderam.
Ficaram em silêncio com as minhas explanações e respondiam quando eu os questionava e respondiam de forma coerente.
Indignados, falaram que os políticos corruptos precisavam mofar na cadeia, que não é justo eles terem liberdade.
Não é, mas eles tem. E o pior, a culpa é da população que os elegem.
Saiu o assunto da ficha limpa, do voto de protesto e da obrigatoriedade do voto.
Como eles perguntam quando são instigados!
Terminei com um trecho do poema de João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina.
"... E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida)..."
(João Cabral de Melo Neto)

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