sábado, 9 de abril de 2011

Sexta-feira punk


Sexta-feira meu dia foi punk!
Não tem outra expressão no dicionário que possa definir melhor o meu dia de ontem.
A violência parece que está fechando o cerco cada vez mais.
Cheguei para trabalhar como sempre: feliz, satisfeita, com minha aula preparada e muito amor no coração.  Estou lendo um livro que ganhei de um amigo (conheci ele através do blog) que está me fazendo pensar, repensar em algumas atitudes minhas.  O livro é fascinante, chama-se "quando eu voltar a ser criança" de Janusz Korczack. Por coincidência li uma parte em que as crianças se empolgam sobre um assunto discutido em sala de aula, mas a professora acaba meio que interrompendo a discussão das crianças.
No dia seguinte, não sei por qual cargas d´água, as minhas crianças começaram a falar sobre formigas. Várias questões e histórias foram levantadas.
Dentro de mim martelava a fala da criança no livro, e por outro lado o maldito planejamento.
Deixei a discussão rolar... Só que as perguntas começaram a surgir, e eu não sabia responder. Eu não sou especialista em formiga!!!!! Então, eu disse que pesquisaria e levaria para eles mais informações sobre o assunto.
No dia seguinte, encontrava-me na sala dos professores, quando soltaram a notícia que um dos chefes do tráfico tinha sido morto.
As crianças chegaram já cheias de novidades. O tal do defunto tinha parentesco com a metade da minha sala. Que horror!
E assim, na sexta-feira, começamos nosso dia.
Então, tiro da manga o conteúdo das formigas deixando o defunto descansar, talvez com alguns desses simpáticos insetos dentro de sua boca.
Simplesmente eles adoraram saber mais sobre as danadinhas, estavam fascinados.
Então ouvia-se o barulho dos helicópteros, eles queriam ir para a janela, e eu controlando-os para que continuassem em seus lugares.
Os policiais estavam com o corpo para fora do helicóptero apontando seus trabucos em nossa direção.
Morrendo de medo, precisei tranquilizar a minha turma.
Nunca dei tanta atividade na minha vida, não podia deixá-los com medo...
Até adaptei um exercício que aprendi na arteterapia para realizar. Inventamos nossa canção indígena. Batemos os pés, cantamos, eles adoraram, se soltaram .
E os trabucos no ar.
O sinal não bate.
Descobri que não se bate sinal nessas ocasiões para não causar alarde, e evitar invasões indesejadas.
Os pais estavam já esperando seus filhos.
E a professora pobrezinha, que  teria que caminhar bons metros até chegar o terminal no meio de um bang-bang (ouvia-se os tiros)???? Corajosa, ficou na escola, até alguém que fosse embora de carro, pudesse dar uma carona para ela.
Nunca fiquei tão feliz em chegar em casa!
CANSADA E VIVA!

4 comentários:

Isabel Preto disse...

Espero que esses sustos desapareçam...para sempre.
Beijinhos.

Prof. Dr. Manuel Pina disse...

Menina... roteiro de um filme de suspense e ação! Isso libera adrenalina ... o que é bom para o coração! kkkk (cuidado para não apaixonar!)

Bom domingo!

Úrsula Avner disse...

Olá minha linda professora... Grata por seu carinho de sempre lá no Gotinhas. Fico fliz que tenha se emocionado com os poemas. Bj grande e uma semana cheia de vitórias.

Anfilóquio de Fayum disse...

É bom saber que está gostando da leitura de Januz Korczac. =)