Preciso começar a escrever sobre as relações professor-aluno para a minha monografia e essa semana está sendo muito intensa e cheia de emoções para que eu possa me concentrar apenas na parte teórica. As emoções estão afloradas, por minha parte e também dos meus pequenos.
Final de ano chegando e com ele, querendo ou não, decisões precisam ser tomadas e com elas retrospectivas de um ano inteiro vai surgindo aos poucos.
Em algum texto anterior, acho que escrevi sobre a dificuldade que eu tive de me afeiçoar a essa turma. Meus alunos do ano passado foram muito especiais. Nossa relação foi muito verdadeira e de confiança, inclusive com a família de cada um deles. Até hoje encontro com pais que me abraçam e se preocupam comigo, que me falam palavras de forças e de carinho.
Quando assumi essa classe, percebi que eu teria que enfrentar vários leões por dia, complexa demais, por vezes pensei em desistir e procurar outra coisa para fazer. Ainda bem que não o fiz.
Hoje não me vejo sem eles.
Construo meu caminho de uma maneira muito mais significativa por conta dessas vidas.
Pequenas vidas que me ensinam diariamente o que é lutar, vencer, sonhar, amar.... Uma construção que precisou ser interrompida pela doença do meu pai mas que quando a retomei, consegui direcionar os meus pequenos mestres-de-obra para juntos terminarmos uma grande parte do nosso castelo encantado.
Quando estou longe, fica a saudade. Muitas vezes o peito dói.
Dias atrás, uma aluna me abraçou chorando pois ano que vem sairá da escola. Ficou um bom tempo grudada comigo enquanto os demais se esbaldavam na aula de Educação Física.
Hoje, uma mãe veio conversar comigo junto com seu filho. Disse que a família mudará de residência, e por ser longe, terá que mudar o filho da escola. Contou que ele chorou muito quando ficou sabendo e que não queria ter outra professora pois nunca havia gostado tanto de uma como ele gosta de mim. Ele sentado no sofá, abaixou a cabeça e desabou. Chamei ele para perto, abracei o pequeno, ele não parava. A mãe chorava, e a professora? Dura como sempre acabou dando um banho no seu aluno!
Com ele aprendi tanto e tenho que perdir perdão, o que farei em uma cartinha que escreverei quando eu der o presentinho de final de ano antes dele partir. Muitas vezes a minha paciência era curta, e mesmo assim ele me ama... Poucos adultos tem essa capacidade que as crianças possuem, amar aceitando o outro com seus defeitos e qualidades.
Como temos o poder de abalar essas vidas, o quão séria é a nossa profissão!
Agora me pergunto, como teorizar a respeito de tamanha complexidade? Não sei... Realmente eu não sei.
Ano que vem continuarei com grande parte da turma e sinto que surtarei quando eu tiver que deixá-los partir para o sexto ano. A não ser que eu reprove todos!
Boa ideia!!!!!!!!
Amanhã faremos nosso último passeio juntos, visitaremos o bondinho e a Bolsa Oficial do Café.
Ansiosa ao máximo....
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