terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Valores absolutos, relativos entre outros...

Eu fiquei horrorizada quando li algumas respostas das perguntas feitas sobre o filme assistido.
Percebi que poucos entenderam as mensagens que foram passadas. Fiquei inquieta, e hoje a primeira coisa que fiz foi pedir para que deixassem as mochilas e se dirigissem à sala de multimeios, já que é vazia e assim conseguiríamos fazer uma roda para debatermos as questões.
Questões importantes tais como preconceito, bullying, união.
Uma aluna disse que o seu padrasto quando está na piscina e ela entra exclama:
- Xiii, a água já vai escurecer!
E a mãe??? A mãe dá risada e não fala nada!
O que fazer nessa situação????
Ressaltei todas as qualidades dela, falei que ela tem um potencial muito grande dentro de si (o que é verdade), e que não deve se deixar afetar com isso e caso houvesse outras situações que poderia contar comigo, nem que fosse para um simples desabafo.
Eles prestaram muita atenção quando eu falava. Contei casos que aconteceram comigo, e ficaram perplexos.
Arregalavam os olhos, as moscas passavam e eu ouvia o bater de suas asas.
Ficaram pensativos.
Quando voltamos para a sala de aula, entrei no conteúdo de valores absolutos e relativos.
Criança sai com cada uma  e em cada momento!
Eu perdi o fio da meada, mas o assunto levantado paralelamente aos "valores" que estava ensinando foi o perigo do Rio de Janeiro e a sua violência.
Precisei parar tudo e dar um basta com aquela nova conversa que estava já rumando a novos preconceitos.
Expliquei para eles que a violência está em todo canto, que já haviam matado um na porta da minha casa e que eu não morava no Rio.
Ao invés de julgarem pelo que apenas é mostrado na tv, para eles se apropriarem do conhecimento real e concreto.
Eles concordaram e voltaram a pensar nos "valores" absolutos e relativos... não importa quais  mas hoje realmente pensaram e muito!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

É preciso mais que a Prova Brasil.


Cada turma é uma turma!
O professor nunca pode dizer que é totalmente experiente. O convívio com as crianças a cada ano letivo é sempre uma novidade. 
A desse ano é muito imatura, mais do que a anterior. Como já disse é mais homogênea, mas mesmo assim terei um trabalho grande pela frente.
Comecei a trabalhar a caixa de correios. 
Eles se animaram ao ver o resultado final , pois até então não estavam compreendendo muito o que eu tinha pedido.
O primeiro assunto discutido foi o seguinte: a aluna reclamou que a irmã dela a acusou de algo que não havia feito e que ainda por cima gritava querendo deixá-la surda.
Disse que o melhor que poderia ser feito era esperar a irmã se acalmar, não entrar na mesma sintonia dela, e depois conversar educadamente e que se fizesse o mesmo que a irmã, acabaria perdendo a razão. A verdade sempre aparece e para isso não é necessário violência e nem gritaria. 
Perguntei quem já foi vítima de mentiras e ressaltei a importância de sempre dizer a verdade. 
Hoje, questionei se alguém havia tirado o caderno de dentro da mochila no final de semana. Todos foram sinceros: os cadernos descansaram sábado e domingo!!! Parabenizei a classe pela sinceridade mas os repreendi pela falta de responsabilidade. Disse que eles estavam cientes da importância dos estudos. 
Outro papel que saiu no sorteio estava escrito assim: O MEU TIO MORREU.
Nisso um menino começa a rir. Perguntei a razão pela qual ele estava rindo e ele se calou.
Falei que ninguém estava dentro do coração do amigo que escreveu isso. E que em uma simples frase a gente consegue tirar várias interpretações. 
Uma é que naquele momento ele estava sentindo saudades do tio que certamente foi marcante para a sua vida. Então era uma saudade boa. A outra, é que também existem adultos que são malvados com as crianças, e que de repente aquela frase era simplesmente de alívio. Não podemos julgar,  cada um sabe o que se passa dentro de seus corações. Todos nós temos nossas dores e alegrias.
Falei que eu tinha perdido o meu avô que era alguém muito importante para mim e que também não tinha mãe. Expliquei que temos que viver a vida com muito amor e verdade, pois a nossa única certeza é de que um dia todos nós morreremos.
Uma aluninha minha começou a chorar, e fui conversar com ela. 
Ela me disse que se lembrou do pai dela que tinha morrido  quando ela tinha 5 anos. 
Abracei e falei para ela que o importante é que ele estava vivo no coração dela . Que precisamos seguir o caminho do bem, da verdade, da justiça , do amor pois o amanhã é uma incógnita!
Então ela me olhou nos olhos, e eu disse:
- Agora vá ao banheiro, lave seu lindo rostinho, sacode a peruca, coloque o seu salto e volte maravilhosa para a sala de aula, e saiba que sempre poderá contar comigo!!!
Ela riu e quando voltou era  outra!
Percebo que eles tem muita coisa guardada dentro do peito. A voz por vezes não consegue sair, há uma necessidade de trabalhar essa exteriorização de sentimentos, de pensamentos, de atitudes. 
A Prova Brasil será cobrada final do ano, claro que terei que fazer um excelente trabalho nesse quesito, mas  a nossa sociedade cobrará o resto da vida cidadãos que construam um mundo melhor à base da justiça.
E é com base nisso que faço meu trabalho. 

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Escritores da Liberdade


Estou totalmente "rinitada", não é irritada!
Hoje é meu primeiro dia da Pós, e acho que a ansiedade desencadeou uma crise de rinite brava! Estou espirrando há quase 3 horas!
Já que o meu sono foi para o espaço...
Gosto de assistir filmes que contam experiências de professores com turmas difíceis em sala de aula, e como resolveram os dilemas apresentados.
Percebo que existe um fator em comum entre todos eles: o amor. Amor pelos alunos, amor pela profissão, AMOR..
Um filme que me atraiu bastante foi "Os escritores da liberdade" indicado pela minha amiga que fez o TCC junto comigo.  Nós temos uma visão muito parecida da educação, apesar de sermos os opostos. Ela é a calmaria e eu a tempestade.
Já assisti umas quatro vezes, para mim é inspirador! Vejo-me muito dentro daquela professora inexperiente porém com uma garra tremenda dentro dela. Mulher porreta!
Então resolvi trabalhar, inspirada no filme, a escrita livre diária, para que possam expressar o que quiserem, como quiserem, sem avaliar. O treino da escrita pela escrita.
Para que melhor entendessem, levei o vídeo (aff, como sou antiga! Só falta eu contar para vocês que passei a tarde ouvindo um vinil!) para que pudessem assistir.
Trabalho em conjunto com uma professora que me apóia muito. Conto sempre o que pretendo fazer para ela, e ela sempre acrescenta ideias positivas para a realização das nossas atividades. E me disse para que eu levasse o filme, que seria interessante eles verem.
Fiquei com um pouco de receio por algumas cenas que aparecem, mas respirei fundo e pensei: " Luciana, pode parar com isso, eles precisam crescer e certamente já presenciaram situações até piores!".
Fiquei muito feliz , pois todos assistiram em silêncio.  Claro que silêncio não quer dizer concentração e entendimento, mas algo deve ter entrado naquelas cabecinhas!
Quando voltei para a sala de aula, precisei explicar alguns detalhes do filme para que eles pudessem melhor compreender, por exemplo o que foi o HOLOCAUSTO. Os olhinhos nem piscavam. Alguns devem ter ficado chocados. O choque é necessário para a evolução.
Então , eu e a outra professora combinamos de fazer a dinâmica da linha que mostrou no filme usada  em sala de aula. Não vou explicar como é essa dinâmica, vocês terão que assistir  para entender. (pois vale a pena!)
Como foi interessante ver as expressões na carinha deles quando percebiam que certos colegas possuíam o mesmo problema que eles.
Depois reuni-os para ter um papinho informal e o sinal bateu.
É, não tenho jeito, não! Já estou derretida pelos meus novos pequenos, mas carregando dentro do meu coração os meus do ano passado!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Passado e presente fazendo o futuro


Em HTP nos foi orientado a falar sobre a importância da valorização dos idosos.
Falar é pouco, então montei um projeto que será trabalhado durante o semestre. Realizaremos diversas atividades e acredito que o resultado será um verdadeiro sucesso.
Hoje, meu dia foi tranquilo, essa minha turma é calma (até o dia de hoje), se bem que eu tive que chamar a atenção de duas crianças que tentaram me passar a perna!
Pois bem, realizamos algumas atividades e uma era a interpretação de um texto que falava sobre as marchinhas de carnaval, pois resgataremos esse tipo de música na nossa festa que será realizada para angariar fundos para a APM. Então coloquei para eles escutarem várias dessas músicas que embalaram a fantasia de milhares de brasileiros.
Acharam engraçado a princípio, mas depois ouviram atentamente, esperando com ansiedade a "Mamãe eu quero"!
Então, como o dia estava gostoso , sai um pouco da sala de aula no final do período para conversarmos um pouco mais sobre o projeto dos idosos.
Pedi para que a minha turma se sentasse, e o 6º ano estava com aula vaga no mesmo ambiente que eu estava. Não tiveram dúvidas, se sentaram comigo! Muitos foram meus ex alunos, e se acharam no direito de participar também, aqueles que não foram meus, não se fizeram de rogados, sentaram-se educadamente! Achei fantástico, pois ficaram em silêncio ouvindo o que eu tinha para falar.
Ah! Meu coração ficou transbordando de amor e felicidade. Ao me verem, sempre me beijam, me abraçam. Não tem vergonha por terem passado de ciclo, eles ainda lembram da velha professora Luciana e quando olho com cara feia por estarem aprontando, me respeitam.
Uma que eu precisei reprovar, me abraçou e disse: " a senhora sempre será minha!"
Ela não está na minha sala esse ano.
Meu coração é um verdadeiro ninho de amor.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Querer...


Antes de começar a escrever qualquer coisa, eu quero agradecer cada um de vocês pelo carinho, pelas palavras que me escrevem. Sinto tanta verdade, tanto afeto em cada linha!!! Vocês não podem imaginar o quão isso é importante para mim . Pois mais que professora, eu sou uma eterna aprendiz.
A internet é um instrumento que quando utilizado corretamente só nos traz o bem!
Bem, vamos ao que interessa!
Como nossa profissão é mágica!
Hoje, na sala dos professores estava conversando com uma senhora que já está para se aposentar. Ela tem um jeito  meio seco, sério. Até para contar os casos de sua vida (que são engraçados) continua com o rosto sisudo, quem não a conhece fica com receio de se aproximar.
Eu, como não tenho medo de cara feia, pois fui criada por um homem grandioso mas que  só ri com a Escolinha do Professor Raimundo e com o Chaves, fui me aproximando.
Ela estava perplexa como a sua sala estava fraca. Ficou chateada, mas disse: "essas crianças irão evoluir, começarei do zero, mas valerá a pena!".
Disse com tanta convicção, com tanto carinho e dedicação que eu por dentro sorri! Sorri pois presenciei uma quase aposentada que ainda mantém o amor e a vontade de uma principiante.
Nossa educação precisa exatamente disso: amor, dedicação, ânsia pela evolução. Ninguém vai enriquecer sendo professor, mas podemos enriquecer a vida de milhares de crianças com o conhecimento , com o desvelar para um novo mundo!
O dia em que muitos profissionais lembrarem da responsabilidade que têm em suas mãos, a história será outra.
Não podemos esperar nada de lá de cima. Não sou pessimista, mas não acredito em uma educação de qualidade para nosso povo. Quem quer uma multidão pensante ??? Quem???
Dá-lhe pão e circo !!!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Segunda turma!


Minha caminhada foi longa até chegar aqui. Tive que escalar montanhas, cair em precipícios, me ajoelhar,  dilacerar minhas emoções  para finalmente erguer-me mais forte e confiante.
Todo dia quando entro em minha sala de aula, entro num mundo encantado!
Realmente, não sei como pude viver tantos anos longe de toda essa loucura diária e fascinante!
Ver os novos rostos olhando para mim, com olhos esbugalhados,  e certamente pensando: " xi, ferrou!" , me dá um certo misto de alegria e medo.
O dia de hoje foi mais uma apresentação, esclareci algumas dúvidas, falei sobre alguns pontos importantes para que possamos ter um ano tranquilo. Fui firme e sem tantos sorrisos. Depois, com o tempo, eu me derreto. Mas, nesse primeiro momento não posso me arreganhar inteira.
Orientei quanto ao estudo, e já marquei uma atividade para amanhã.
Eles precisam entrar no meu ritmo e saber que agora é o verdadeiro " vai ou racha".
Esse ano  sinto a minha classe com quase a mesma faixa etária porque o ano passado foi dose de leão! Penso que conseguirei melhor trabalhar.
É... minha segunda turminha chegou!!!
2011 vai ser fantástico!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Revolta Silenciosa

Voltar ao trabalho para mim sempre é motivo de alegria.
Rever os amigos, ouvir sobre os novos projetos, respirar o ambiente escolar que sempre me dá tanto gás, me revigora totalmente.
Eu precisava encontrar um modo de dar uma maracujina para meu cérebro durante as reuniões. Ele fica a mil a cada frase ouvida, pois essa me abre um grande leque de ideias. Gostaria de não ser assim, porque isso aumenta o meu nível de ansiedade.
Copiei a listagem dos meus alunos novos, pensando, afirmando e reafirmando que sempre serão os melhores da escola.
O coordenador me chamou para fazer parte da  comissão de professores da escola. Na verdade era algo voluntário, mas como eu sei que sempre acabo inventando mil atividades, fiquei quietinha. Foi então que  ele comunicou:
- Ah! Professora Luciana quer participar? Que bom!
Dei uma risada, e acabei aceitando o cargo. Não que eu aceite tudo o que me propõe, mas poderei me expressar e expor melhor as minhas ideias.
Durante a reunião, foi levantado o resultado do mascote e bandeira da escola. As crianças participaram o ano passado e acabaram não tendo um retorno, pois foi um projeto que ficou inacabado,  e esses dias elegeremos os vencedores para poder finalmente finalizar.
Então falei que o hino escrito pelas crianças também deveria ser levado em consideração, pois o pior que tenha sido o resultado final, houve um grande empenho por parte delas. Sugeri que o professor de português desse uma revisada e que isso fosse levado adiante. Defendi plenamente o não engavetamento do trabalho.
Foi então que a professora que trabalha em conjunto comigo, e minha amiga, disse que aquela aluna que tinha ido embora no final do ano, tinha voltado. Só que ela ficaria no quinto ano pois não tinha sido matriculada na cidade para onde tinha sido transferida.
Vocês não podem imaginar a revolta que eu fiquei. A minha vontade era de dar uma surra nos responsáveis dela.
Tive um trabalho enorme com essa menina.
Precisei fazer com que ela evoluísse não apenas no rendimento trimestral, mas sim também como ser humano.
Ela estava caminhando para o sucesso quando foi embora, e seria aprovada caso ficasse na escola.
Antes dela ir embora, conversei com a mãe. Pedi, frisei com ênfase que a primeira coisa que ela precisava fazer quando chegasse no seu destino, era matricular a pequena na escola.
Contei sobre o progresso e do seu potencial desvelado. Mas isso não aconteceu!!!!!!
Sinto-me muitas vezes de mãos atadas em algumas situações.
Estou esperando a confirmação da matrícula da aluna para conversar com a  direção. Não posso levar apenas hipóteses, preciso ter o concreto para batalhar algo.
Tenho ainda esperança que isso possa ser mudado.
É.. Tem coisas que são inacreditáveis! Tem coisas que só no Brasil acontece!