sábado, 10 de abril de 2010

MARCIA CARDOSO EM TRILHOS E LETRAS...

EU SÓ RECOMENDO ALGO QUANDO REALMENTE EXISTE UMA EXCELENTE QUALIDADE INDISCUTÍVEL.
NO RIO DE JANEIRO, DIA 30/04 HAVERÁ O LANÇAMENTO DO LIVRO TRILHOS E LETRAS - UMA ANTOLOGIA DO TREM, QUE A MINHA AMIGA DO CORAÇÃO E ESCRITORA PREFERIDA, MARCIA CARDOSO PARTICIPA COM SEU LINDÍSSIMO POEMA, "TRILHOS DE LUZ".
VALE A PENA CONFERIR!!!!!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A sala de aula é um mundo....

A cada dia que passa, eu amo mais o que faço, e muito mais com quem eu faço.
Lecionar  me realiza. Não sou ainda uma excelente professora, mas estou caminhando para um dia chegar a ser. Eu me nego a ser apenas uma a mais, eu quero ser "A".
A sala de aula, esse espaço encantador para um educador, é um mundo. Lá encontramos pessoas de diversas personalidades, formações, caráteres,  histórias de vida..
Se uma relação a dois, inúmeras vezes, é complexa, imagine uma relação com 36!! Seres ímpares que na união formam o meu 5º ano B.
Não me sinto mais tão insegura. Erro, eu sei, mas sempre na tentativa do acerto.
Estava passando uns problemas matemáticos para minhas crianças, quando me viro para dar uma olhadinha na carinha deles, pego um aluno meu, quietinho mas parecia que o santo tinha tomado conta do corpo dele, cantando baixinho: é o pente, é o pente, é o pente (depois fiquei sabendo que era um funk).
Tentei chamar a atenção dele,  mas tava com uma cara para cair na gargalhada, que a molecada logo gritou:
- A tia ta querendo rir, olha lá!
- To querendo nada, copiem esses problemas e  logo!
Continuei escrevendo na lousa, e me viro novamente. Então pego a mesma criaturinha, no canto da sala, dançando e cantando rebolation. E o pior, a classe quietinha.
Acabei chamando a atenção do menino caindo na risada. Não sou de ferro, né? Ainda bem que logo o sinal bateu para eles irem embora.
Eu amo tudo isso!!!!!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Ser professora é ter um coração cheio de amor!!!!


Vocês já devem estar cansados de ler a respeito do amor que tenho pelos meus alunos.
Amo mesmo, e daí?
Novo ano, nova turma, novos desafios.
Tanta coisa para eu aprender e ensinar, minha profissão  é mágica. Não existe outra igual no mundo. Única na sua essência. Ela é transformadora tanto para o docente como para o discente!
Realmente é  o trabalho que mais dá trabalho, te causa rugas, insônias. Você quer parar de pensar, mas não consegue.
Quem realmente trabalha na educação não bate muito bem das bolas, mas certamente tem um coração pleno de amor.
É esse amor que eu quero para a minha vida,  essa loucura toda é que me impulsiona para o futuro.
Hoje, pela primeira vez nesse ano, sai um pouco satisfeita da escola.
Sei que sou exigente, não nego. Não sei ser diferente, por mais que eu tente!
Além da aula ter sido tranquila. recebi um bilhete de uma doce menina, que de tudo que ela me disse o que mais me tocou fundo foi : " você mudou muita coisa em mim".
Essas palavras não há salário que pague. Professor realmente poderia ter uma remuneração maior, mas quando você recebe um papelzinho cheio de amor como o que eu recebi hoje, eu me senti com a minha conta bancária transbordando.
Eu sei que às vezes sou severa, sei que posso parecer brava, mas é simplesmente por amar  e acreditar demais nos meus pequenos (muitos maiores que eu) alunos.
Que venham os desafios!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Amor...

Como trabalhar uma classe com tanta diversidade????
Estou penando um bocado, eu sabia que seria um desafio esse meu trabalho!!!
Seres tão complexos com tão pouca idade!
Dentro da minha sala de aula eu tenho um mundo. Um mundo que aos poucos estou descobrindo, redescobrindo, lutando para que ele se torne melhor.
Converso sempre com minhas crianças, digo que o conhecimento é uma das poucas coisas que ninguém pode nos roubar, mas parece que falo grego!! Infelizmente percebo que a maioria é vítima do sistema. O sistema falho da educação brasileira e que o governo diz ser uma das suas prioridades!  Piada!
Desde quando as autoridades quer um povo educado, sábio, desvelado pela sabedoria? É muito mais fácil ser adeptos às teorias furadas que estão correndo por aí, atravancando o processo educacional, tornando  a futura geração cega e incrédula por um amanhã melhor.
Eu tenho amor ao que faço e quero tornar o mundo que eu enfrento diariamente melhor.
Um lugar onde todos possam ler, escrever, fazer contas.
Quero vê-los no futuro com  a cabeça erguida e o orgulho estampado nas faces por terem crescido, amadurecido e quando no auge do sucesso,  entendam que a professora que  muitas vezes foi severa, apenas sentia amor e desejava o melhor para cada um.

quarta-feira, 3 de março de 2010

O grito que não foi o de Munch....


Hoje dei continuidade no assunto trabalhado essa semana, as diversas linguagens que usamos para nos expressar, e aproveitando o exemplo do livro didático para uma linguagem não verbal em que o quadro O Grito de Edward Munch era citado, utilizei-o para promover um debate com as crianças sobre a obra e os sentimentos que ela nos proporciona.
Foi muito interessante, sempre existe aqueles que são engraçadinhos que gostam de fazer piadas, mas existe os esforçados, que gostam de opinar, não temendo a opinião do outro. 
E hoje, fiquei extremamente feliz com o "grito" de um aluno que mal abre a boca na sala de aula. 
Ao perguntar quais os sentimentos que estavam ali expressados, ele disse:
- O sapato dele está apertado.
Houve burburinhos e risadinhas paralelas, e perguntei porque estavam rindo.
- Ele não tem pé - respondeu o esperto.
- Você não vê os pés dele, mas será que ele tem? Será que ele não tem? E se ele estiver mesmo usando um sapato apertado? Quem pode garantir que a resposta do nosso amigo está errada?
O menino olhou para mim , e ficou pensativo. 
Pedi para que eles fizessem uma releitura,  que não e prendessem apenas na figura do livro, mas para que eles dessem o seu próprio grito.
Foi difícil , me pareceu que as aulas de artes são apenas para reproduzir , copiar a obra do outro. Foram poucos os que ousaram. Tudo é uma questão de tempo!!!!
Espero que pela frente muitos outros gritos surjam durante as aulas!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Primeiro banho do Cascão - Maurício de Sousa

Há anos eu estava procurando uma crôncia que saiu na Folhinha de São Paulo, o primeiro banho do Cascão, na época da grande enchente em Santa Catarina
Lembro-me que eu era criança e aquilo me tocou de uma maneira tão profunda que ao terminar de ler aquelas palavras e ver a imagem daquele meu amiguinho ajudando os necessitados, lágrimas e mais lágrimas acabaram molhando meu jornalzinho.
Hoje, procurando um conteúdo para trabalhar com meus alunos, encontrei a mesma publicada no portal da turma da Mônica e a mesma sensação de tantos anos atrás voltou, talvez pelos atuais acontecimentos.
Maurício de Sousa, obrigada por todas as emoções durante esses meus 34 anos de vida!!

Mauricio de Sousa pede-nos que republiquemos um antigo texto seu, publicado pela primeira vez em 31 de julho de 1983, na folhinha de São Paulo. 
Essa crônica foi escrita num tempo em que as chuvas castigavam o Sul do país.

"Tudo tem uma primeira vez.
E o Cascão sentiu que era chegado o momento.
Ele havia escapado de banhos, chuvas e respingos por toda vida.
Mas hoje, por sua própria vontade, enfrentaria o sacrifício. Venceria o medo e entraria na água.
Engoliu em seco (é lógico) enquanto se preparava psicologicamente. Lembrou-se das inúmeras vezes em que escapou das armadilhas preparadas pela Mônica, pelo Cebolinha, até por sua mãe, que tentavam pegá-lo para o primeiro banho.
Jamais conseguiram.
Foi preciso que acontecesse algo mais forte do que uma coelhada da Mônica para se decidir.
E hoje ele já está pronto para o primeiro banho e para uma ação mais nobre.
Devagarinho, tateando com o dedão. Depois sentindo a água, sensação desconhecida, até os tornozelos. E em seguida, com água até a cintura, lá vai o Cascão, com uma trouxinha de roupas e biscoitos, em direção às crianças assustadas, ilhadas pela enchente de Santa Catarina."
(fonte: www.monica.com.br)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

PARA TODOS AQUELES QUE ACREDITAM E AMAM A EDUCAÇÃO. LEIAM!


Recebi essa mensagem por email. É um relato de uma professora sobre a realidade da escola pública. Sem o apoio da mídia, só nos resta a internet para divulgar o que acontece.


PROFESSOR – UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO
 Por Verônica Dutenkefer (20/06/2009)
 Esse texto que escrevo precisamente agora é mais um desabafo.

Desabafo de uma profissional que está lecionando há mais de 22 anos e que não sabe se sobreviverá por mais dez anos,  que é o tempo que ainda precisarei trabalhar (por mais que ame muito o que faço).

Trago comigo muitas perguntas que não querem calar. E talvez a mais inquietante é: O que será necessário acontecer para se fazer uma reforma educacional neste país????

Constantemente ouço ou leio reportagens com as autoridades educacionais proclamarem a má formação de seus professores. Culpando as universidades, a falta de cursos de formação e culpando-nos evidentemente.

Questionamentos:

Como um professor de escola pública pode fazer o seu trabalho se ele precisa ficar constantemente parando sua aula para separar a briga entre os alunos, socorrer seu aluno que foi ferido por outro aluno, planejar várias aulas para se trabalhar os bons hábitos na tentativa vã de se formar cidadãos mais conscientes e de melhor caráter?

Nos cursos de formação nos é passado constantemente a recusa de um programa tradicional e conteudista, mas nossas avaliações de desempenho das escolas, nossos vestibulares e concursos públicos ainda são tradicionais e  nos cobra o conteúdo de cada disciplina.

Como pode num país.....num estado...num município haver regras tão diferentes entre a rede particular e pública?

Na rede particular as escolas continuam conteudistas, há a seriação com reprovação, a escola pode suspender ou até mesmo expulsar um aluno que não esteja respeitando as regras daquela instituição.

A rede pública vive mudando o enfoque pedagógico (de acordo com o partido que ganhou as eleições), é cobrado cada vez menos do aluno, não se pode fazer absolutamente nada com um aluno indisciplinado que até mesmo coloca em risco a segurança de outros alunos e funcionários daquela instituição.

Dia a dia...minuto a minuto... os professores são alvos de agressões verbais e até mesmo física pelos alunos. A cada dia somos submetidos a níveis de stress insuportáveis para um ser humano.

Temos que dar conta do conteúdo a ser ensinado + sermos responsáveis pela segurança física de nossos alunos + sermos médicos + enfermeiros + psicólogos + assistentes sociais + dentistas + psiquiatras + mãe + pai ......

E quando ameaçados de morte e recorremos a uma delegacia para fazer um boletim de ocorrência ouvimos: “Isto não vai adiantar nada!”

Meus bons alunos presenciam o mal aluno fazendo tudo o que não pode ser feito e não acontecendo nada com ele. É o exemplo da impunidade desde a infância..

Meus bons alunos presenciam que o aluno que não fez absolutamente nada durante o ano, passou de ano como ele, que se esforçou e foi responsável.

Houve um ano que eu tinha um aluno que era muito bom. E ele começou a faltar muito e ir mal na escola. Os colegas diziam que ele ficava empinando pipa ao invés de ir para à escola. Um dia, tive uma conversa com ele, e perguntei o que estava acontecendo? E ele me disse: “Prá que eu vou vir prá escola se eu vou passar de ano mesmo assim?”

Então, eu procurei aconselhar (como faço com meus alunos até hoje) que ele devia frequentar a escola, não para tirar notas boas nas provas ou passar de ano. Ele deveria vir à escola para aumentar seu conhecimento que é o único bem que ninguém poderá roubar. Que a escola iria ajudá-lo a aprender e trocar conhecimentos com os outros e ajudá-lo a dar uma melhor formação na vida..

Depois dessa conversa ele não faltou mais tanto...mas nunca mais voltou a ser o excelente aluno que era.

Qual a motivação de ser bom aluno hoje em dia?

Seus ídolos são jogadores de futebol que não falam o português corretamente e que não hesitam em agredir seus colegas jogadores e até mesmo os árbitros. Ensinando que não é necessário haver respeito as autoridades e aos outros.

Ou são dançarinas que mostram seu corpo rebolando na televisão e pousando nuas para ganhar dinheiro.

 Para quê eu me matar de estudar se há tantas profissões que não são valorizados e nem respeitadas???

Conheci (e ainda conheço e convivo) ao longo de minha carreira na escola pública, inúmeros profissionais maravilhosos. Pessoas que amam a sua profissão, que se preocupam com seus alunos, que fazem trabalhos excepcionais. Que possuem um conhecimento e formação excelentes, mas que estão desgastados e quase arrasados diante da atual situação educacional..

Li a poucos dias num artigo que os cursos de filosofia, matemática, química, biologia e outros todos ligados a área de magistério não estão tendo procura nas universidades.

Lógico!!!!!Quem é que quer ser professor?????????

Quem é que quer entrar numa carreira que está sendo extinta, não só pela total desvalorização e respeito, mas também pela falta de segurança que estamos enfrentando nas escolas.

Fiquei indignada com uma reportagem na TV (que aliás adora fazer reportagens sensacionalistas colocando o professor sempre como vilão da história) em que relatava que numa escola, um aluno ameaçava os outros com um revólver e num determinado momento o repórter perguntou: "Onde estava o professor que não viu isso??!!"

E agora eu pergunto: “O que se espera de um professor (ou de qualquer ser humano), que se faça com uma arma apontada para você ou pra outro ser humano??? Ah... já sei... o professor deveria enfrentar as balas do revólver!!!! Claro!!! As universidades e os cursos de aperfeiçoamento de professores não estão nos ensinando isso..

Vocês tem conhecimento de como os professores de nosso país estão adoecendo????

Vocês sabem o que é enfrentar o stress que a violência moral e física tem nos submetido dia a dia?

Você sabe o que é ouvir de um pai frases assim:

“Meu filho mentiu, mas ele é apenas uma criança!”

“Eu não sei mais o que fazer com o meu filho!”

“Você está passando muita lição para meu filho, e ele é apenas uma criança!”

“Ele agrediu o coleguinha, mas não foi ele quem começou.”

“Meu filho destruiu a escola, mas não fez isso sozinho!”

Classes super lotadas, falta de material pedagógico, espaço físico destruído, violência, desperdício de merenda, desperdício de material escolar que eles recebem e, muitas vezes, não valorizam (afinal eles não precisam fazer absolutamente nada para merecê-los), brigas por causa do “Leve-leite” (o aluno não pode faltar muito, não porque isso prejudica sua aprendizagem, mas porque senão ele não leva o leite.)

Regras educacionais dissonantes de acordo com a classe social dos alunos.

Impunidade.

Mas a educação não vai bem, por causa do professor..

Encerro esse desabafo com essa pergunta que li a poucos dias:
Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável.

"Todo mundo  'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos  filhos...  Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"
O BOM NESTE PAÍS É SER POLÍTICO. APOSENTA-SE COM 8 ANOS DE "TRABALHO(?) ", E QUE SALÁRIO!!!