quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

De volta ao batente

Mais um ano escolar se inicia.
Planejamentos, reuniões, metas...
Um ano novo cheio de expectativas.
Há três anos fui à atribuição de aulas e optei meio às cegas a escola que hoje leciono. Às cegas aos meus olhos mas não aos de Deus..
Fui  feliz todos esses anos,  uma felicidade sincera e imensa na sua essência.
Trabalhar em escola pública tem seus prós e contras, e um contra que pesa, infelizmente, é a politicagem.
Ontem tive a triste notícia que a equipe gestora, que trabalhou sempre com excelência e humanidade, não fará mais parte presente do meu dia-a-dia. Nunca esquecerei o que eles fizeram por mim, principalmente no ano passado com a perda do meu pai.
Dói dizer adeus, dói saber que o trabalho será interrompido e sabe-se lá quem chegará nessa unidade feita de amor. Da mesma forma que Deus me orientou, espero que Ele faça o mesmo com as novas pessoas que chegarão.
O novo, às vezes, assusta;  nos causa insegurança.
A gestão que tínhamos era muito aberta e parceira, dando autonomia para seus professores e estendendo os braços sempre que necessário.
E agora? O que será de nós.
A dor não é apenas minha e sim de todos os professores e funcionários que puderam ter o privilégio de vivenciar momentos inesquecíveis dentro da minha escola. Minha de coração e de alma, que chora de tristeza pelas irreparáveis perdas.
Obrigada por tudo!!!!



quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Férias...

De férias da escola, mas nunca da minha cabeça!
Preciso terminar com a minha monografia e com o meu estágio. Vocês não podem imaginar o quão estressada ando!
Escrever por obrigação não é a minha praia! Gosto e tenho prazer em mergulhar no mundo das letras , pensamentos, emoções mas por prazer.
Hoje acordei cedo, fiquei horas a frente do computador e consegui escrever apenas uma folha. Isso mesmo! Uma única e mísera folha! .
Que decepção!!!
Minha vontade era de sentar e chorar, mas não posso me dar a esse luxo, ergo a minha cabeça coloco os neurônios para funcionar e sigo em frente com a minha produção.
Além dessa minha amiga que anda me tirando o sono e a tranquilidade, tenho  como step o estágio que preciso analisar os meus pacientes e fundamentar as minhas anotações.
Será que terei férias???
Será que sobreviverei????
Isso só o tempo poderá dizer!!!!



quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Jovem-futuro

Há vinte anos escrevi essa redação. Encontrei-a perdida nos meus pertences.

"Jovens rebeldes. jovens revoltados. Jovens perdidos. Muitos pensam desta forma ao se referir à juventude dos anos 90.
Desde que nascemos aprendemos o que é certo e errado. A educação dada pela família é um veículo para que ao se deparar com a realidade não nos percamos na vida. Porém, será que sempre seguimos os princípios dos nossos pais?
Ao amadurecer, o jovem desenvolve sua própria personalidade. Seguindo seus impulsos erra e acerta, tendo em mente que já é autosuficiente. Sonha, afinal o jovem é uma fábrica de sonhos. Luta. Insiste.
Futuro incerto. Medo. Constrói sua própria família. Educação. Recordação. Dúvida. Será que os seus princípios prevalecerão ou serão os dos seus pais? Na hora do aperto, a influência exercida na sua infância será mais forte do que qualquer outra. Logicamente, a criação de seus filhos será diferente  da sua, porém com traços de sua infância e educação, pois ninguém muda totalmente."

domingo, 23 de dezembro de 2012

FINAL DE 2012!


Sim, 2012 foi um ano que me presenteou com muitos cabelos brancos.
Vocês acreditam que mesmo faltando tão pouco para terminar o ano, ele continua complicadinho?????
Mas falemos de coisas boas, de bons momentos e como esse blog é o espaço que eu selecionei para falar sobre as minhas experiências como professora, então vamos lá...
Finalizei o ano letivo com chave de ouro!
Dia 13 de dezembro minhas crianças fizeram uma homenagem linda ao grande Luiz Gonzaga.
Não foi apenas uma simples homenagem, não.
Antes do produto final houve muito envolvimento por parte delas. Comentei sobre a estreia do filme Gonzaga de pai para filho e disse que infelizmente não tinha como levá-las ao cinema, pois o dinheiro que eu tinha guardado já estava destinado a um passeio que havia prometido e para as lembrancinhas de final de ano.
Depois de alguns dias, um aluno veio com uma cópia pirata, gravação feita dentro do cinema e pediu para colocar para a classe. Sinto muito, eu não sou hipócrita, sou a favor da circulação de informações! Pedi para que instalassem o telão na sala de aula e assistimos juntos o filme. Todos felizes e compenetrados. Depois ganhei de uma aluna um cd cheio de mp3 do Rei do Baião.
Em casa, assistiram os documentários passados nas redes de televisão e a apresentação final não poderia ter sido melhor.
Para representar o Luiz Gonzaga elegi o aluno que mais problema me deu durante o ano. Ressaltei a importância dele para a apresentação e ele ficou super feliz em poder colaborar.
As crianças tocaram instrumentos feitos de sucata.
O "Luiz Gonzaga" tocou um triângulo que comprei para o evento e eu enfrentei a vergonha e o medo, toquei as canções no violão junto com o acompanhamento das crianças. Detalhe: não sei tocar nada! Santo youtube!
Ver o rostinho de satisfação delas se apresentando para a família não tem preço que pague!!!
Ano que vem é o centenário do meu amado Vinicius de Moraes, e estou já pensando no que fazer!
Não consigo desligar, meu pensamento é frenético e minha alma inquieta.
Essa sou eu: uma professora apaixonada pela sua profissão, maluca por natureza, que ama aprender e errar junto com a sua turma e que sonha com um mundo melhor para as suas crianças.

QUE VENHA 2013, já que o mundo não acabou! =)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Aprender...


Pedi para que as minhas crianças escrevessem uma retrospectiva do ano de 2012.
Fiquei extremamente emocionada ao ler a redação de uma aluna.
Transcreverei abaixo um pequeno trecho:
" Eu aprendi muito mais do que contas. Eu aprendi o respeito, a trabalhar em grupo, a respeitar o meio ambiente, a importância que é ter amigos e o mais importante a ter com quem desabafar, em quem confiar para falar o que você sente."
Eu tenho muito orgulho dos meus alunos, muito mesmo. Com todos os problemas e dificuldades enfrentados diariamente, sou uma pessoa profissionalmente realizada.
Eu aprendo muito mais do que ensino.
Fico extremamente entristecida quando ouço algumas falas de professores referindo-se aos seus alunos de uma maneira tão sem amor!
Concordo que é uma profissão difícil, lidar com seres em formação em todos os aspectos não é fácil, mas se está infeliz e de saco cheio (desculpem a expressão), então procure outra coisa para fazer.
A infelicidade não  combina comigo. E a minha sala de aula é o lugar onde mais me sinto  completa.
 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Quando o amor se manifesta....

Preciso começar a escrever sobre as relações professor-aluno para a minha monografia e essa semana está sendo muito intensa e cheia de emoções para que eu possa me concentrar apenas na parte teórica. As emoções estão afloradas, por minha parte e também dos meus pequenos.
Final de ano chegando e com ele, querendo ou não, decisões precisam ser tomadas e com elas retrospectivas de um ano inteiro vai surgindo aos poucos.
Em algum texto anterior, acho que escrevi sobre a dificuldade que eu tive de me afeiçoar a essa turma. Meus alunos do ano passado foram muito especiais. Nossa relação foi muito verdadeira e de confiança, inclusive com a família de cada um deles. Até hoje encontro com pais que me abraçam e se preocupam comigo, que me falam palavras de forças e de carinho.
Quando assumi essa classe, percebi que eu teria que enfrentar vários leões por dia, complexa demais, por vezes pensei em desistir e procurar outra coisa para fazer. Ainda bem que não o fiz.
Hoje não me vejo sem eles.
Construo meu caminho de uma maneira muito mais significativa por conta dessas vidas.
Pequenas vidas que me ensinam diariamente o que é lutar, vencer, sonhar, amar.... Uma construção que precisou ser interrompida pela doença do meu pai mas que quando a retomei, consegui direcionar os meus pequenos mestres-de-obra para juntos terminarmos uma grande parte do nosso castelo encantado.
Quando estou longe, fica a saudade. Muitas vezes o peito dói.
Dias atrás, uma aluna me abraçou chorando pois ano que vem sairá da escola. Ficou um bom tempo grudada comigo enquanto os demais se esbaldavam na aula de Educação Física.
Hoje, uma mãe veio conversar comigo junto com seu filho. Disse que a família mudará de residência, e por ser longe, terá que mudar o filho da escola. Contou que ele chorou muito quando ficou sabendo e que não queria ter outra professora pois nunca havia gostado tanto de uma como ele gosta de mim. Ele sentado no sofá, abaixou a cabeça e desabou. Chamei ele para perto, abracei o pequeno, ele não parava. A mãe chorava, e a professora? Dura como sempre acabou dando um banho no seu aluno!
Com ele aprendi tanto e tenho que perdir perdão, o que farei em uma cartinha que escreverei quando eu der o presentinho de final de ano antes dele partir. Muitas vezes a minha paciência era  curta, e mesmo assim  ele me ama... Poucos adultos tem essa capacidade que as crianças possuem, amar aceitando o outro com seus defeitos e qualidades.
Como temos o poder de abalar essas vidas, o quão séria é a nossa profissão!
Agora me pergunto, como teorizar a respeito de tamanha complexidade? Não sei... Realmente eu não sei.
Ano que vem continuarei com grande parte da turma e sinto que surtarei quando eu tiver que deixá-los partir para o sexto ano. A não ser que eu reprove todos!
Boa ideia!!!!!!!!
Amanhã faremos nosso último passeio juntos, visitaremos o bondinho e a Bolsa Oficial do Café.
Ansiosa ao máximo....

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Pérolas do 4ºA

A professora pergunta para a classe se alguém tinha suspensório.
A resposta foi geral: - O que é isso?
Expliquei e me direcionei ao meu aluno que irá interpretar um garotinho numa peça de teatro. Eu precisava de um suspensório para dar um tchan no seu figurino, então em seguida pensei num macacão.
Fiz a pergunta a ele e a resposta foi negativa.
...
Ouço uma voz:
- Tia, o André tem!
- André, você tem um macacão???
- Tenho tia, tenho: macacão, urso polar, elefante...
Resultado: Márcia (mais do que atendente) rindo e eu chorando (de rir)!
Posso com essas criONÇAS?
______x______
 
Chiclete é proibido na escola, vi um aluno mascando e perguntei:
- O que você tem aí na boca??
Um outro responde:
- Ele tem língua , tia!
Posso com isso????
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Diálogo entre dois alunos:
- Pow, meu, toda noite sonho com a escola!!!
- É que você não tem rezado antes de dormir!