quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Sozinha na luta da decisão final!
Ultimamente ando num dilema interno que está me tirando o sono: final do ano está chegando, e com ele a decisão do futuro dos meus pequenos está nas minhas mãos.
Eu leio, penso e repenso muito sobre a reprovação. Não sou nenhuma grande educadora , as teorias que estão escritas contesto-as sempre, pois muitas são utópicas. Os grandes pensadores que me desculpem, mas essa é apenas a minha humilde opinião.
Eu tenho alunos que eu tive que ir para a guerra durante esse ano. Lutei com todas as minhas armas, mas não basta apenas uma parte querer, ambas precisam estar dedicadas e interessadas , pois o esforço acabará sendo em vão.
Hoje, um aluno faltou , e o vi na hora da saída. Perguntei a ele a razão pela qual ele tinha se ausentado da aula e a resposta foi a mais sincera possível: não quis ir para a escola. Ele é um dos quais eu luto diariamente. Conversei a sós com meu pequeno, chamei a família, convoquei-o para o reforço, mas nada adiantou. A família não me apóia, o aluno "cabulava" o reforço, nas aulas brincadeiras constantes aconteciam.
Escola é chata, eu sei. Procuro fazer dela o mais interessante possível, porém estou desolada, triste, angustiada.
Estou com um projeto que preciso de recursos. Escola sem dinheiro, o jeito é pedir ajuda para os amigos. O máximo que poderei retribuir a esses anjos, será com o agradecimento dos meus pequenos em forma de uma foto com uma dedicatória.
E esse meu tormento é constante.... as teorias começam a rodar dentro de mim , e fico sem saber o que fazer. Totalmente desnorteada, sei que irei errar em algumas decisões.
A culpa é minha? É do sistema???? É do aluno???? É da família????
Juro que eu não sei.
Aprendemos que só errando é que se acerta no futuro, mas essas decisões refletem num futuro que não é meu. Estou numa guerra solitária e como cega em meio a um tiroteio.
Converso tanto , tento dar a noção da importância da postura deles perante a vida. Falto apenas implorar!
Vocês não podem imaginar hoje o tamanho da minha dor.... Muitos poderão pensar que ainda tenho tempo, afinal estamos só em setembro, mas não é por aí... o tempo está passando na velocidade da luz. e eu gostaria de poder aprisionar toda a luz que passa por mim e presentear a cada um dos meus 39 alunos.
E agora, professora ???? O que fazer????
Sozinha apenas choro... é meu jeito de desabar!

3 comentários:
A vida, principalmente a de professor(a), é assim mesmo: um mar de solidão em meio a uma turba de pessoas em alvoroço. As decisões sempre são unilaterais: não encontram apoio, como também não encontram eco os nossos gritos pedindo apoio de quem tem a obrigação moral de estar do nosso lado, mas não está: a família e/ou até mesmo a sociedade. Na hora da cobrança lá estão os dedos todos apontado em uma só direção: a nossa! Somos sumariamente acusados, julgados e condenados. De que adianta apelar para as teorias sociais, políticas, legais etc., se o conceito atual de professor, em nossos dias, passa por um viés chamado sofredor que nos impõe oferecer sempre o outro lado do rosto, mesmo se o nosso carrasco é o único culpado no caso?
Amiga... a educação precisa sim de mudanças. A educação está acefala, não há quem queira pensá-la para valer. Os poucos que pensam em fazer alguma coisa encontram as barreiras da política selvagem que lhe coloca barreiras intransponíveis. Dessa forma vamos vivendo de medidas paliativas, de meios termos!
Sobre a reprovação não posso me pronunciar de outra forma que aquela que traduz a minha maneira de agir: se o melhor para o aprendizado do aluno é a repetição, eu não penso duas vezes!
Quando alguém me pergunta qual é a medida que me garante que aluno A aprendeu mais que aluno B, respondo: o seu percurso ao longo do período que passa comigo. Não acredito em milagres, mem em estudos de última hora! Tenho uma outra "bitola" que me ajuda nessa aferição: o "decorômetro" - instrumento que mede a decoreba, que em si significa "não estou interessado nesse assunto". Quando esse aparelhino detecta a decoreba soa um sinal de alarme: é tempo de refletir com o aluno o valor do aprendizado. A partir daí vou agir da forma que julgar mais conveniente para a formação de um ser capaz de escrever a sua história. Se ele não for capaz de cumprir essa 'pequena" tarefa resta-lhe refazer o caminho... se assim o desejar! Caso contrário, a minha consciência fica tranquila: fiz a minha parte!
Com todos os ingredientes de sucesso que você emprega, se o aluno não está interessado, jamais aprenderá. E não tem quem consiga ensinar quem não quer aprender.
Relaxe e proceda com tranquilidade. O resultado, será negativo para você, por mais que se esforce! Lembre-se: O(A) PROFESSOR(A) NÃO É VALORIZADO(A) em qualquer que seja a situação... por isso...
(Até eu estava precisando dizer estas palavras!)
Forte abraço
Amiga não sei o que aconteceu!
acho que deu a louca no meu PC ou no Blogspot!
Desculpa1 se quiser pode apagar! o que está além do limite! hehehehehe
Querida Lu,
a sua dor é reflexo da sua dedicação, reflexão, carinho, empenho, caráter sensível e amor pela profissão. Certamente o Pai Celeste lhe dará sabedoria para vencer os obstáculos e lhe capacitará a educar cada vez melhor e com amor que é o que vc já faz. Os frutos do seu plantio certamente serão colhidos e serão muito bons... Bj grande.
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