Voltando a falar um pouco sobre exemplos, é impressionante como os alunos reparam nos seus professores!
Eu, como toda mulher, vivo brigando com a balança. Então faz algum tempinho que estou na dieta, e pasmem, ela está surtindo efeito!
Algumas calças tamanho ggggg passaram a ser gggg! E eu, assim como 99% da população brasileira, ando numa fase econômica meio crítica, até mesmo devido as despesas com o Congresso.
Nunca gostei muito de cintos, sei lá, eu não consigo me adaptar a eles. Cada calça tem uma largura e isso é frescurite demais para a mim. Só que com a dieta, minhas roupas começaram a ficar largas, e eu dura e sem um tostão para comprar novas calças! O que fazer?
Precisava dar aula, então me lembrei de um lenço, e coloquei no lugar do cinto.
Aquilo foi o bafafá do dia!
As meninas adoraram, falaram que eu era a professora mais linda da escola! Seria maldade eu mandá-las procurar um oftalmologista, mas deixei que elas enchessem minha bola. Quem não gosta de receber elogios tão puros como os de uma criança?
Pois bem, ontem uma aluna minha, veio com um lencinho amarrado da mesma forma que eu fiz, toda prosa! Achei o máximo!
Máximo também achei quando eu entrei na sala de aula com um gorrinho em forma de boné. Estava frio e ele combinava com meu casaco, e resolvi usar, mas depois que entrei na sala, tirei- o e guardei na minha mochila.
- Tia, fica com ele, fica! A senhora está tão linda!
- Não posso, eu estou dentro da sala de aula, e se eu peço para os meninos tirarem os bonés seria incoerente eu ficar com o meu.
- Mas a senhora é professora!
- Sim, e por isso mesmo, sou obrigada a tirar.
- Mas o fulano não tira!
- Só que eu tiro!
E me olharam como se eu tivesse feito algo de tão extraordinário!
O exemplo, como sempre digo, vem de cima!
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Delírios em conjunto
Esse blog nasceu a princípio para eu simplesmente poder escrever. Quando dei à luz a esse meu cantinho, eu estava completamente apaixonada, com meu coração e mente voltada apenas em direção à vítima do encantamento do meu coração.
O romance terminou, e com ele todos os sonhos a dois que criei para o casal que era (im)perfeito aos olhos do meu sentimento.
Então, o que fazer com esse espaço que antes era permeado de estrelas, flores, libélulas....?
Achei mais do que justo, eu continuar a falando de amor. Um amor mais sólido, mais vivo, aquele me impulsiona sempre para o futuro. Que me dá forças e vontade para ser mais e melhor.
Falar da minha profissão.
Sinto tanto orgulho em encher a boca e dizer que sou professora! Professora do Ensino Fundamental!
Estou engatinhando ainda, porém sei que logo estarei caminhando ereta e de cabeça erguida.
Às vezes, releio algumas passagens, e repenso minha prática.
Sei que lá pra frente, quando fizer o mesmo, apesar das falhas encontradas, concluirei que dei o meu melhor para minhas crianças.
Sempre que posso, procuro dar uma desviada no conteúdo para falarmos do nada e do tudo.
Gosto de analisar e perceber as diversas formas de pensamentos existentes dentro do meu mundo cotidiano. Daquelas crianças que são tão fascinantes e que nem se dão conta disso.
Estávamos na aula de português falando sobre valores sentimentais. Contei para eles dos tesouros que já recebi na minha vida: bilhetes de alunos, abraços inesperados, sorrisos francos... Expliquei que nem sempre aquilo que é comprado e que custa muito é valioso.
E o assunto prosseguiu até chegar no vencedor da mega sena dessa semana. O ganhador mora no bairro onde leciono, mas que nem sei quem é!
- Classe, já pensou se eu ganhasse toda aquela bufunfa? A primeira coisa que eu faria, era passar uma semana em um spa!
A alegria foi geral, me fingi de brava:
- É assim que vocês gostam de mim??? Querendo se ver livre??
- Não, tia!!! É porque a senhora iria descansar bastante!
- Ah! Bom! Isso eu ia mesmo, então voltaria toda relaxada mas com todo o gás, e aí vocês não iam conseguir nem respirar!!!
- Tia, a senhora iria pintar esse armário, né?
- Afff, larga a mão de ser burro! Com todo o dinheiro que a tia iria ganhar, ela ia comprar um armário novo!
Eles ficam indignados ao ver meu armário que a outra turma tentou arrombar e que ainda divido com a outra professora!!!
- É, a tia ia comprar um armário novo e ia mandar pintar a nossa sala!!!!
- Só a nossa sala não! Ia pintar a escola toda!!!
- Que mané a escola toda, só a nossa sala.
- Pensa comigo, tem que ser a escola toda, afinal ano que vem estaremos em outra sala, né?
E assim começaram a viajar com o dinheiro que eu nem ganhei!!!
Comecei a viajar com eles, e disse que a escola ia se tornar bem colorida, os armários seriam coloridos, e que a nossa escola seria maravilhosa!!!
- Tia, a senhora ia comprar material novo para gente?
- Claro e muito mais!!!!
É fascinante perceber o brilho nos olhos das crianças quando elas pegam carona nos nossos delírios, e quando naquele momento não existe professor e nem aluno, e sim seres humanos compartilhando sentimentos e sonhos.
E mais uma vez, o coração apertou.
Mais uma vez, me veio o ano de 2012 na mente.
E mais uma vez, uma lágrima silenciosa brotou da minha alma.
Acredito, que eles nunca saberão o quanto eu os amo, que se eu pudesse eu transformaria o mundo de dores, tristezas e incertezas que eles vivem num futuro muito mais colorido que a escola que juntos sonhamos.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Quero ser sempre dependente desse universo mágico: a sala de aula! ...
O dia até que foi produtivo. Porém, mais uma vez precisei interromper a aula para explanar sobre a violência.
Quanta dificuldade o educador tem ao tentar fazer com que eles interiorizarem que ela não leva a lugar algum.
Para tentar ser explícita , disse que se ela resolvesse os problemas do mundo e da vida, todo santo dia eles levariam da professora querida uma surra , e assim todo o conteúdo que eu luto tanto para que eles absorvam, num passe de mágica ou num passe de porrada, eles guardariam eternamente.
E eles acabaram rindo...
E eles acabaram rindo...
O que me fascina é a atenção e o brilho que existe nos olhos dos meus alunos. Eles gostam quando eu falo bobeira, quando tenho meus "ataques de pelanca".
Como por exemplo...
Hoje , eu acho que eles comeram repolho com ovo antes de entrarem na escola.
Era bufa atrás de bufa. E cascavam o bico quando eu reclamava do "peido". Saía da sala, e fechava a porta brincando com eles, dizendo que ficariam com o cheirinho só para eles....
Depois de minutos, novo riso, nova bufa...
E assim foi na aula de matemática, português ...
Bem, eu tinha pedido um trabalho básico sobre a Independência do Brasil. Na verdade, eu acho um porre, mas depois que eu perguntei o que seria comemorado no dia 7 de setembro e a resposta que obtive foi: o dia da bandinha, me vi obrigada a trabalhar o conteúdo.
Como previ, poucos foram os alunos que entregaram, e já tinha uma carta na manga.
Primeiro, passei o nome inteiro do D. Pedro I. Ficaram fascinados ao ver quantos nomes faziam parte do seu nome.
Depois fiz um brevíssimo panorama desde o Descobrimento até a data em questão.
Davam risada quando eu fazia o sotaque do D. João, perguntavam porque eu estava falando daquele jeito. Respondi que eu, D. João era português e que português falava assim, ó pá!
Quiseram saber mais a respeito do D. Pedro, e num determinado momento saiu o assunto sobre a infidelidade do Imperador.
Com tato e cuidado, disse que ele era casado, mas que gostava de ter também algumas outras namoradas.
- Ô tia, fala sério, era amante mesmo!!!!
Bem, a tia ficou com cara de pastel, tanto cuidado para nada!!!!
A risada foi geral, e para finalizar meu aluno funkeiro terminou:
"Traição é traição
Romance é romance
Amor é amor
E um lance é um lance"
E assim foi na aula de matemática, português ...
Bem, eu tinha pedido um trabalho básico sobre a Independência do Brasil. Na verdade, eu acho um porre, mas depois que eu perguntei o que seria comemorado no dia 7 de setembro e a resposta que obtive foi: o dia da bandinha, me vi obrigada a trabalhar o conteúdo.
Como previ, poucos foram os alunos que entregaram, e já tinha uma carta na manga.
Primeiro, passei o nome inteiro do D. Pedro I. Ficaram fascinados ao ver quantos nomes faziam parte do seu nome.
Depois fiz um brevíssimo panorama desde o Descobrimento até a data em questão.
Davam risada quando eu fazia o sotaque do D. João, perguntavam porque eu estava falando daquele jeito. Respondi que eu, D. João era português e que português falava assim, ó pá!
Quiseram saber mais a respeito do D. Pedro, e num determinado momento saiu o assunto sobre a infidelidade do Imperador.
Com tato e cuidado, disse que ele era casado, mas que gostava de ter também algumas outras namoradas.
- Ô tia, fala sério, era amante mesmo!!!!
Bem, a tia ficou com cara de pastel, tanto cuidado para nada!!!!
A risada foi geral, e para finalizar meu aluno funkeiro terminou:
"Traição é traição
Romance é romance
Amor é amor
E um lance é um lance"
Com essa turma, ninguém pode! Nem eu e nem Dom Pedro I:
INDEPENDÊNCIA OU MORTE!!!!!
Prefiro a dependência desse universo louco e mágico chamado sala de aula!
terça-feira, 7 de setembro de 2010
7º Congresso Rio de Educação
7º Congresso Rio de Educação
Nos dias 27 e 28 de agosto, foi realizado o 7º Congresso Rio de Educação, reunindo grandes nomes da área.
Apesar da minha indignação com a minha classe profissional, eu tive dois dias de puro êxtase.
Pela primeira vez senti meu cérebro caminhar lado a lado com a minha emoção.
Depois da abertura, o primeiro palestrante foi o ex Secretário da Educação e Juventude, Esporte e Lazer do Governo do Estado de São Paulo, Gabriel Chalita.
O título da sua palestra era: Saberes em Movimento, onde ele faz uma reflexão do ofício do educador.
"Será que realmente eu nasci para isso?", e cita como exemplo Clarice Lispector :
“Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...].”
E é com base no amor e no olhar mais humano que o ofício do professor está interligado na transformação dos seus alunos e na reflexão pessoal.
Explanou bastante sobre a relação professor X aluno, tanto afetiva como profissional.
E terminou dizendo que o ofício de educar é movimentado com amor.
Depois, tivemos o prazer de ouvir a psicóloga especialista em educação Rosely Sayão falando sobre Família e Limites.
Fez um panorama histórico da família brasileira. Dividiu em dois tempos: antes de 1970 e após 1970. Fazendo uma comparação bastante interessante, dizendo que as crianças não estão mal educadas como dizem os pais, os professores e a sociedade. Elas estão sim, muito bem educadas para o mundo que vivemos hoje: consumista e imediatista.
Até então, eu tinha curtido muito as palestras, e como os palestrantes expuseram os temas de maneira clara e concisa.
Então teve um breve intervalo para que pudéssemos assistir a última palestra.
Sabia da competência do palestrante, mas estava no fundo receosa. Pois fiquei com medo que fosse mais um daqueles intelectuais que falam, falam, e que todo mundo fica com cara de ponto de interrogação no meio da testa.
Então, para minha plena felicidade, me enganei.
Demétrio Magnoli é fascinante. Convivência nas diferenças era o tema da sua fala, e qualquer coisa que eu escreva aqui é absolutamente insignificante perto do que eu ouvi.
Assim que minhas finanças voltarem ao normal, comprarei o seu último livro: Uma gota de sangue.
O segundo dia foi tão bom quanto o primeiro.
Artur Motta com o tema Biodiversidade e escola: a natureza do humano é a cultura, nos fez perceber quão grande e rico é o universo escolar, com todas as suas diferenças existentes e o quanto isso pode ser positivo no processo ensino-aprendizado.
Sempre tive interesse em entender e conhecer melhor as crianças com Síndrome de Down, por isso optei em ouvir o palestrante Moacyr Daemon, que além de fonoaudiólogo, trabalhou como consultor da Rede Globo na novela Páginas da Vida que mostrava as dificuldades, preconceitos de uma personagem com a síndrome.
Foi muito interessante e produtivo ver de perto o trabalho sério realizado por esse nomeado profissional, e de como acontece todo o desenvolvimento dessas crianças.
Fazendo uma ponte com a fala do Chalita, o principal fator motivador que essas crianças precisam é amor.
Depois foi a vez de Rita Ribes , entre outros, coordenadora do Grupo de Pesquisa: Infância, Mídia e Educação, falar a respeito desses problemas que acontecem dentro do âmbito escolar, não apenas em escolas particulares mas como públicas, pois é evidente como as crianças independente da classe social se deixam levar pelo consumismo excessivo.
Para finalizar o segundo dia, fechando com chave de ouro, ouvi uma palestra que está abrindo muito a minha mente em relação como trabalhar a Leitura em sala de aula.
Suzana Vargas, trabalha na Casa da Leitura/Proler, é a criadora e coordenadora há 14 anos da Estação das Letras. Conta com 15 livros publicados.
Uma indagação minha que ficou foi: como fazer com que a leitura torne-se mais interessante e fascintante que o mundo tecnológico em que estamos vivendo? Um mundo em que as crianças tem prazeres imediatos em que não precisam se esforçar muito para aprender e entender o que está em jogo. Como????
Tenho trabalhado de maneiras diversas com meus pequenos, espero que um dia o efeito desejado aconteça.
Fé, perseverança, estudo, amor e muito trabalho, sei que caminham comigo.. e quem caminha, um dia chega ao local desejado!
Material do Sinepe Rio falando sobre o Congresso
Clique aqui
Apesar da minha indignação com a minha classe profissional, eu tive dois dias de puro êxtase.
Pela primeira vez senti meu cérebro caminhar lado a lado com a minha emoção.
Depois da abertura, o primeiro palestrante foi o ex Secretário da Educação e Juventude, Esporte e Lazer do Governo do Estado de São Paulo, Gabriel Chalita.
O título da sua palestra era: Saberes em Movimento, onde ele faz uma reflexão do ofício do educador.
"Será que realmente eu nasci para isso?", e cita como exemplo Clarice Lispector :
“Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...].”
E é com base no amor e no olhar mais humano que o ofício do professor está interligado na transformação dos seus alunos e na reflexão pessoal.
Explanou bastante sobre a relação professor X aluno, tanto afetiva como profissional.
E terminou dizendo que o ofício de educar é movimentado com amor.
Depois, tivemos o prazer de ouvir a psicóloga especialista em educação Rosely Sayão falando sobre Família e Limites.
Fez um panorama histórico da família brasileira. Dividiu em dois tempos: antes de 1970 e após 1970. Fazendo uma comparação bastante interessante, dizendo que as crianças não estão mal educadas como dizem os pais, os professores e a sociedade. Elas estão sim, muito bem educadas para o mundo que vivemos hoje: consumista e imediatista.
Até então, eu tinha curtido muito as palestras, e como os palestrantes expuseram os temas de maneira clara e concisa.
Então teve um breve intervalo para que pudéssemos assistir a última palestra.
Sabia da competência do palestrante, mas estava no fundo receosa. Pois fiquei com medo que fosse mais um daqueles intelectuais que falam, falam, e que todo mundo fica com cara de ponto de interrogação no meio da testa.
Então, para minha plena felicidade, me enganei.
Demétrio Magnoli é fascinante. Convivência nas diferenças era o tema da sua fala, e qualquer coisa que eu escreva aqui é absolutamente insignificante perto do que eu ouvi.
Assim que minhas finanças voltarem ao normal, comprarei o seu último livro: Uma gota de sangue.
O segundo dia foi tão bom quanto o primeiro.
Artur Motta com o tema Biodiversidade e escola: a natureza do humano é a cultura, nos fez perceber quão grande e rico é o universo escolar, com todas as suas diferenças existentes e o quanto isso pode ser positivo no processo ensino-aprendizado.
Sempre tive interesse em entender e conhecer melhor as crianças com Síndrome de Down, por isso optei em ouvir o palestrante Moacyr Daemon, que além de fonoaudiólogo, trabalhou como consultor da Rede Globo na novela Páginas da Vida que mostrava as dificuldades, preconceitos de uma personagem com a síndrome.
Foi muito interessante e produtivo ver de perto o trabalho sério realizado por esse nomeado profissional, e de como acontece todo o desenvolvimento dessas crianças.
Fazendo uma ponte com a fala do Chalita, o principal fator motivador que essas crianças precisam é amor.
Depois foi a vez de Rita Ribes , entre outros, coordenadora do Grupo de Pesquisa: Infância, Mídia e Educação, falar a respeito desses problemas que acontecem dentro do âmbito escolar, não apenas em escolas particulares mas como públicas, pois é evidente como as crianças independente da classe social se deixam levar pelo consumismo excessivo.
Para finalizar o segundo dia, fechando com chave de ouro, ouvi uma palestra que está abrindo muito a minha mente em relação como trabalhar a Leitura em sala de aula.
Suzana Vargas, trabalha na Casa da Leitura/Proler, é a criadora e coordenadora há 14 anos da Estação das Letras. Conta com 15 livros publicados.
Uma indagação minha que ficou foi: como fazer com que a leitura torne-se mais interessante e fascintante que o mundo tecnológico em que estamos vivendo? Um mundo em que as crianças tem prazeres imediatos em que não precisam se esforçar muito para aprender e entender o que está em jogo. Como????
Tenho trabalhado de maneiras diversas com meus pequenos, espero que um dia o efeito desejado aconteça.
Fé, perseverança, estudo, amor e muito trabalho, sei que caminham comigo.. e quem caminha, um dia chega ao local desejado!
Material do Sinepe Rio falando sobre o Congresso
Clique aqui
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Pequeno desabafo
Passei um final de semana espetacular!
Sabe aquele ditado que diz: Matei dois coelhos com uma cajada só? Foi exatamente isso que aconteceu.
Estive na minha amada Cidade Maravilhosa num Congresso de Educação. Acredito que todo investimento quando é para seu crescimento vale a pena! É fantástico você ouvir pessoas inteligentes falarem , fico extremamente apaixonada pois minha mente começa a trabalhar simultaneamente, a pensar e repensar conceitos já formados, e a viagem é delirante!
Além disso, pude abraçar meus amigos cariocas que amo tanto, e para completar tive um domingo esplêndido! Caminhei por Copacabana, ouvi sax na praia de Ipanema e respirei a paz. Sim, o Rio também é sinônimo de paz, podem acreditar!
Mas voltando ao Congresso, infelizmente, os momentos vivenciados não foram apenas de êxtase intelectual, sempre fico indignada quando vejo a falta de educação que permeia a classe dos professores. Não digo apenas por essa experiência, mas sim por todas as vezes que os profissionais de Educação se reúnem, parece que esquecem dos bons princípios.
Fiquei enfurecida quando os educadores falavam ao mesmo tempo com o palestrante.
Que horror! Minha vontade era descer do salto e dá uns sopapos nas bocas inquietas e tagarelas.
Outro momento que eu fiquei chocada, foi quando a Orquestra de Violões estava tocando para nos entreter enquanto o primeiro palestrante não chegava, e todos riam, conversavam ao mesmo tempo. Que falta de respeito com os músicos!!!! Como podem esses profissionais exigir algo dos seus alunos?
Não estou generalizando, não me interpretem mal.
Havia pessoas interessadas em absorver o máximo de conhecimento que aquelas pessoas tão inteligentes e sensíveis tinham para nos passar. Eu, por exemplo, voltei renovada e com muito mais gás para trabalhar e estudar.
Que outros congressos surjam para que minha mente possa se expandir mais e mais... porque é assim que eu quero.
sábado, 4 de setembro de 2010
Vamos nos dedicar um pouco mais!
Há pessoas que almejam sair da sala de aula, e trabalhar na direção. Sinceramente, não consigo me ver longe da sala de aula.
Se eu quisesse trabalhar com a parte burocrática, teria escolhido uma outra área em que certamente seria mais valorizada financeiramente.
Dinheiro é bom??? É! Porém a realização plena de um bom profissional só se dá através do verdadeiro amor pela sua profissão.
Tenho buscado estudar mais, me dedicar mais, entender melhor o universo infantil. E a cada dia que passa encontro-me mais fascinada.
Fico triste quando vejo os professores reclamando dos seus salários e com isso permitindo que a sua prática torne-se menos produtiva. Deixe-me explicar para não ser mal interpretada.
É evidente que a nossa profissão merecia muito mais do que se ganha, mas ninguém ingressou na Educação enganado. Eu, quando resolvi seguir meu coração, sabia de todas as dificuldades que eu encontraria pela frente. Não só no âmbito financeiro, mas em todos os demais. Se eu estou aqui é simplesmente porque EU QUERO. Ninguém é obrigado a permanecer infeliz.
A cada dia que passa me fascino mais, e por mais que eu ainda me auto-critique como sendo uma professora iniciante e falha dentro do processo do amadurecimento profissional, só tenho a certeza que o principal eu tenho. Não é a toa que meu blog tem esse nome.
Tenho uma pequena dentro da sala de aula, que eu estou tendo que trabalhar muito com ela. Um trabalho mais humano do que didático.
Ela é uma negra linda, porém com uma auto estima baixíssima. No início cheguei a pensar que era analfabeta devido as respostas das interpretações de texto aplicadas e por se negar a ler. Simplesmente, ela copiava qualquer trecho do texto e pronto, o exercício estava feito.
É muito difícil trabalhar numa sala de aula com quase 40 alunos, e dar a atenção necessária para cada um deles muitas vezes torna-se uma tarefa impossível.
Então chamei-a para conversarmos em particular. Disse o que estava pensando e queria que ela expusesse o que pensava e sentia.
Ela não foi muito clara na sua fala, mas disse que daria um voto de confiança à ela, e que antes de mais nada acreditava no potencial que estava escondido dentro daquele pequeno ser.
Seu comportamento péssimo continuou o mesmo. Agindo como bem quisesse, tendo atitudes que no fundo me machucava, pois é duro ver uma criança agir de maneira tão displicente. Porém não desisti.
Mandei uma carta para ela. Disse que seria um segredo nosso, e que eu tinha escrito exclusivamente para ela, que quando chegasse em casa era para ler.
E o que eu ouvia sempre, era:
- A senhora não gosta de mim.
- Eu sou burra.
- Eu não sei ler.
- Eu não sei fazer.
- A senhora só gosta de fulana.
- Eu sou feia.
E com toda a paciência fui mostrando para ela o quanto era importante pra mim e o quanto eu a achava bela ( e isso não é da boca para fora, ela tem os lábios que sempre quis para mim).
Com muito trabalho, suas notas melhoraram, quase 100%, e isso me deixou imensamente feliz.
Disse com todas as letras para uma coordenadora que foi visitar a escola, oferecendo bolsas de estudo em uma escola de período integral, que o que ela mais quer é repetir de ano, para que eu possa ser a sua professora novamente. Disse que não quer me deixar.
Só que agora, minha pequena deu para ter crises imensas de ciúmes, chegando a chorar.
Ontem mesmo, precisei dar uma dura nela, mas com todo o cuidado.
Não vou deixar de expressar meu carinho e amor pelas outras crianças, e ter toda essa deliciosa energia em troca, porque ela simplesmente tem chilique.
Com toda doçura, delicadeza, fui falando com ela e com os outros que ali estavam, de forma que ela entendesse o que eu estava dizendo para aquele coração tão sofrido.
Ela tinha fechado o caderno e guardado o material, e conforme eu ia falando, foi tirando da mochila o que tinha guardado, e no final já estava disposta a realizar a atividade.
Eu a amo demais, e estou feliz por toda a melhora que eu presenciei, agora só falta eu lapidar um pouco o seu comportamento, o que é difícil, pois isso faz parte de todo o seu histórico de vida.
O QUE EU GANHO POR PARTE DOS MEUS PEQUENOS, NÃO HÁ PISO SALARIAL QUE ME PAGUE!!!!!
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Antes de ser professora , eu sou humana!
Tem dias que o bicho pega!
Antes de ser professora, sou humana.
Tenho meus sentimentos, e não escondo isso dos meus alunos. Hoje eu disse para eles:
-Tem dias que saio tão feliz e amando todos intensamente, mas tem dias que tenho vontade de socar vocês e fico com raiva de todo mundo!
Hoje foi um dia que estava assim, com minha alma acinzentada, fruto do "excelente" comportamento daqueles seres que são essenciais para a minha existência.
Segunda-feira, tinha avisado que na terça eu aplicaria uma provinha sobre área e perímetro.
Repassei o conteúdo, dei o livro para estudarem. E preparei a prova, certa de que todos se sairiam bem.
Ah!!!! Como eu sonho!!!!
Cheguei toda feliz na terça, apliquei a atividade com a música (do post anterior) e depois entreguei a prova toda confiante.
Todos me olhavam como se eu tivesse dado para eles algo em hebraico ou latim!
- Gente, qual o problema de vocês???
Eles me olhavam com os olhos mais arregalados que um sapo assustado.
- Parem tudo!!! Sabe o que essa prova na verdade está me provando? Primeiro que vocês não estudaram, segundo que vocês não prestam atenção quando eu explico, terceiro que vocês não levam a sério as minhas orientações, quarto que a responsabilidade de vocês ainda precisa evoluir e muito... Já que vocês estão assim, todos com um ponto de interrogação na cabeça, e quero ouvir de vocês o porquê dessas carinhas!
Fui chamando um por um, perguntando qual era a dificuldade e porque não estavam resolvendo os exercícios. 90% da classe me respondeu:
- Esqueci de estudar!
- Vou então esquecer de dar boas notas para vocês também!
- Não ! Não!
- Então vamos lá. Proponho um combinado. Eu vou resolver esses exercícios com vocês, quem tiver dúvidas me pergunta, e amanhã aplico uma prova similar. Tá bom assim?
A galera concordou, mas as conversas paralelas continuaram, os aviõezinhos também, as risadas, a falta de atenção. Tive que interromper mil vezes as explicações.
Stress total! Para completar o dia, no final da aula, minhas alunas ciumentas quiseram pegar uma menina de uma outra classe para bater, por puro ciúmes.
Não sei o que acontece, eles me vêem como propriedade deles, eu sou a professora do 5º B, e ai do pobre aluno ( de outra classe) que chegar perto de mim. Fui clara com eles, que antes de mais nada, sou professora da escola, e que quanto mais a gente ama, mais amor a gente tem para dar. Que sempre amaria eles, mas isso não quer dizer que amarei apenas eles. Não gostaram muito, mas pelo menos ninguém saiu ferido.
Essa menina que seria vítima das minhas ferinhas, se encantou comigo.Quando, como, por que, eu não sei, não convivo com ela diretamente.
Nunca sentei para conversar com ela, pois não é minha aluna e fica mais difícil um contato mais direto. Apenas sei e sinto que ela gosta de mim.
Escreve recados dizendo que eu sou linda, que sou legal e etc...
Ontem, pediu para que uma outra menina me entregasse uma cartelinha de adesivos do Snoopy. Tímida, não teve coragem de se chegar, então pedi que a chamassem. Ela veio, dei um beijo e um abraço nela e agradeci. As feras quase enfartaram!
Chegando em casa, mandei um recadinho pelo orkut, dizendo que ela era uma menina muito linda e doce, e que tinha me feito muito feliz com o presente dela.
Realmente, eu fiquei surpresa e feliz, o presente não era apenas uma cartelinha de adesivos, e sim um tesouro que não tem preço!
Hoje, chegando em casa, fui ver meus recados, e o que eu li me comoveu, dizendo que nenhuma professora tinha dito aquelas palavras para ela, e que eu estarei guardada para sempre em seu coração.
Eu, forte como sou, nem preciso dizer o que aconteceu!
Ahhhhh! Só para matar a curiosidade, hoje, ao aplicar a prova percebi que a responsabilidade da minha turma não evoluiu em nada. Não dá vontade de matar???????
Antes de ser professora, sou humana.
Tenho meus sentimentos, e não escondo isso dos meus alunos. Hoje eu disse para eles:
-Tem dias que saio tão feliz e amando todos intensamente, mas tem dias que tenho vontade de socar vocês e fico com raiva de todo mundo!
Hoje foi um dia que estava assim, com minha alma acinzentada, fruto do "excelente" comportamento daqueles seres que são essenciais para a minha existência.
Segunda-feira, tinha avisado que na terça eu aplicaria uma provinha sobre área e perímetro.
Repassei o conteúdo, dei o livro para estudarem. E preparei a prova, certa de que todos se sairiam bem.
Ah!!!! Como eu sonho!!!!
Cheguei toda feliz na terça, apliquei a atividade com a música (do post anterior) e depois entreguei a prova toda confiante.
Todos me olhavam como se eu tivesse dado para eles algo em hebraico ou latim!
- Gente, qual o problema de vocês???
Eles me olhavam com os olhos mais arregalados que um sapo assustado.
- Parem tudo!!! Sabe o que essa prova na verdade está me provando? Primeiro que vocês não estudaram, segundo que vocês não prestam atenção quando eu explico, terceiro que vocês não levam a sério as minhas orientações, quarto que a responsabilidade de vocês ainda precisa evoluir e muito... Já que vocês estão assim, todos com um ponto de interrogação na cabeça, e quero ouvir de vocês o porquê dessas carinhas!
Fui chamando um por um, perguntando qual era a dificuldade e porque não estavam resolvendo os exercícios. 90% da classe me respondeu:
- Esqueci de estudar!
- Vou então esquecer de dar boas notas para vocês também!
- Não ! Não!
- Então vamos lá. Proponho um combinado. Eu vou resolver esses exercícios com vocês, quem tiver dúvidas me pergunta, e amanhã aplico uma prova similar. Tá bom assim?
A galera concordou, mas as conversas paralelas continuaram, os aviõezinhos também, as risadas, a falta de atenção. Tive que interromper mil vezes as explicações.
Stress total! Para completar o dia, no final da aula, minhas alunas ciumentas quiseram pegar uma menina de uma outra classe para bater, por puro ciúmes.
Não sei o que acontece, eles me vêem como propriedade deles, eu sou a professora do 5º B, e ai do pobre aluno ( de outra classe) que chegar perto de mim. Fui clara com eles, que antes de mais nada, sou professora da escola, e que quanto mais a gente ama, mais amor a gente tem para dar. Que sempre amaria eles, mas isso não quer dizer que amarei apenas eles. Não gostaram muito, mas pelo menos ninguém saiu ferido.
Essa menina que seria vítima das minhas ferinhas, se encantou comigo.Quando, como, por que, eu não sei, não convivo com ela diretamente.
Nunca sentei para conversar com ela, pois não é minha aluna e fica mais difícil um contato mais direto. Apenas sei e sinto que ela gosta de mim.
Escreve recados dizendo que eu sou linda, que sou legal e etc...
Ontem, pediu para que uma outra menina me entregasse uma cartelinha de adesivos do Snoopy. Tímida, não teve coragem de se chegar, então pedi que a chamassem. Ela veio, dei um beijo e um abraço nela e agradeci. As feras quase enfartaram!
Chegando em casa, mandei um recadinho pelo orkut, dizendo que ela era uma menina muito linda e doce, e que tinha me feito muito feliz com o presente dela.
Realmente, eu fiquei surpresa e feliz, o presente não era apenas uma cartelinha de adesivos, e sim um tesouro que não tem preço!
Hoje, chegando em casa, fui ver meus recados, e o que eu li me comoveu, dizendo que nenhuma professora tinha dito aquelas palavras para ela, e que eu estarei guardada para sempre em seu coração.
Eu, forte como sou, nem preciso dizer o que aconteceu!
Ahhhhh! Só para matar a curiosidade, hoje, ao aplicar a prova percebi que a responsabilidade da minha turma não evoluiu em nada. Não dá vontade de matar???????








